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05-06-2008
PEDRO BUTCHER
(©
Folha Online)
FicBrasília
Ricardo Daehn Com praticamente 130 sessões
neste fim de semana, o 6º Festival Internacional Ourocard de Brasília
(FicBrasília) demonstra o potencial de diversificação, com amplo
painel de tendências e muitas opções de gêneros e nacionalidades.
Comédias inéditas no circuito local, como Igual a tudo na vida
(de Woody Allen) e a juvenil Meninos de Deus, com toques
comovedores, misturam-se a dramas densos da linha do russo O
retorno, que trata dos conflitos familiares de um pai ausente, e
dos japoneses O último samurai — Crepúsculo seibei, que foi
candidato ao Oscar de melhor filme estrangeiro, e Antenna, em
torno das mudanças profundas geradas numa família abalada pelo
desaparecimento de uma menina. A programação do FicBrasília lista Matadores de
velhinha, um remake do britânico Quinteto da morte (1955)
sob a ótica dos irmãos Ethan e Joel Coen (Fargo). O filme marca o
retorno de Tom Hanks à comédia assumida. Ele interpreta o professor
Goldthwait H. Dorr, metido em trama de suspense numa pequena cidade do
Mississipi. Também extraindo suspense de motes inusitados, o sueco
Lukas Moodysson — homenageado com mostra — responde por O
novo país, centrado na amizade entre um adolescente somali e um
quarentão iraniano que empreendem uma viagem de verão, ao lado de uma
ex-miss. A amizade ainda impulsiona a trama de Lilja 4-Ever, do
mesmo cineasta, que conta a trajetória de Lilja, prostituta ocasional
que não foge da sina, mesmo depois de emigrar para a Suécia. A migração também move o enredo do nacional
Narradores de Javé, criado num registro que mescla ficção e
documentário e acompanha a crise entre os moradores do povoado de
Javé, a partir da descoberta da ameaça pela construção de grande
hidrelétrica na região. Ainda entre os filmes nacionais, o drama Querido
estranho esbarra em humor, ao contar a atrapalhada comemoração do
aniversário de um patriarca de família agitada. Dirigido por Carlos
Reichembach, Garotas do ABC — um exame do cotidiano de grupo de
operárias — completa a porção verde-e-amarela da mostra, ao lado da
reapresentação dos clássicos de Glauber Rocha, Deus e o diabo na
terra do sol e O Dragão da maldade contra o santo
guerreiro, e do documentário Motoboys — Vida loca, a serviço do
enfoque do dia-a-dia e dos sonhos dos rapazes inseridos na luta
cotidiana contra tempo e trânsito. Fatia representativa no 6º Festival Internacional, os
documentários povoam boa parte das sessões de fim de semana. O
segmento incorpora desde Super size me — que analisa os
problemas com a crescente cultura da alimentação inadequada — até
The corporation, que denuncia as interferências no caráter
individual das pessoas acostumadas ao instituído modelo organizacional
das corporações. Conscientização política também transpira na trama do
clássico Z, do controverso Costa-Gavras, ambientado nos
meandros criminais na ditadura grega. As implicações políticas da
eleição espanhola em 2003 reuniram visões de 30 cineastas que fazem do
mosaico Há motivo um libelo a favor da liberdade de expressão. Na
contramão desse ideário, Che — As últimas horas relata as 18
derradeiras horas da vida do revolucionário líder Ernesto Che Guevara,
lembrado ainda em Viajando com Che, uma espécie de
acompanhamento das filmagens de Diários de motocicleta, filme
de Walter Salles em cartaz na cidade.
(©
CorreioWeb)
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