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05-06-2008
Clériston reúne músicos experientes para dar som a desenhos de feras do
cartum local. E vice-versa O som do HQCD: E o Som Virou Quadrinhos, projeto do cartunista Clériston que une música e história em quadrinhos (HQ), toma forma no estúdio Via Som, no Pina. Terminadas as gravações, com os músicos Fred Andrade (guitarra), Leopoldo Nunes (baixo) e Ebel Perrelli (bateria), que começaram no último dia 1º, o autor entra agora no processo de finalização. Clériston, que já havia ficado bastante satisfeito com o resultado da parte gráfica do trabalho, na qual alguns colegas do cartum local ilustram as letras de suas canções, demonstra igual satisfação com os resultados sonoros do HQCD. As 16 canções que irão integrar o disco, compostas pelo cartunista de 1991 a 2004, são predominantemente rock’n’roll, interpretadas com precisão pelo quarteto no qual o autor se integra cantando e tocando guitarra e violão. As músicas têm uma sonoridade próxima à origem da música pop pernambucana, lá dos anos 70, que Clériston acompanhou de perto. Este era seu objetivo mas, em termos de arranjos, outros fatores implicam na hora de os intérpretes – em especial os contratados – concretizarem o que foi concebido pelo compositor. Logo na primeira canção, Goya – que no álbum em quadrinhos ganha desenhos de Leugim (cognome do cartunista Miguel Falcão, do JC) –, percebe-se claramente que o som almejado foi alcançado. As características de rock clássico estão nos riffs de guitarra de Fred Andrade, bem-acompanhados pela marcação do contrabaixo de Leopoldo e das batidas de Ebel, tudo preciso. Uma crítica natural sobre este tipo de sonoridade seria dizer que não há nada de excepcional nisto, que para um músico profissional – sobretudo por encomenda – é muito fácil imitar um som datado como o rock clássico dos anos 70. É aqui que o trio que acompanha Clériston se diferencia. Como eles mesmos dizem, já têm tempo suficiente no ramo para deixar de se preocupar em definir determinado ritmo antes de tocar com fins de criação. “A gente simplesmente toca”, diz Ebel. O resultado aparece, por exemplo, numa levada meio bossa nova da bateria, que em nada destoa do ritmo predominantemente rock’n’roll ditado pela composição. O mesmo pôde ser conferido nas canções seguintes – Palavras, Fábula e Chapéu de touro. Quem conferiu o trabalho musical anterior de Clériston, a banda Delta do Capibaribe – de cuja época ficaram apenas as canções Zé da Silva, Noite moleca e Sobre ontem à noite –, certamente vai se surpreender com a pegada da música do HQCD. Nenhum sinal de ‘maracablues’ ou ‘caboclinho arretado’ de dez anos atrás. Dos 16 temas, segundo Clériston, apenas cinco abrem concessões: Mãe Joana, que tem uma levada de maculelê, De pára-choque de caminhão, que flerta com o mangue, a balada Não era um rei, e Sobre ontem à noite e Bebum no Carnaval, misturas de frevo e blues. Nas primeiras sessões no Via Som não foi possível conferir como ficaria o resultado final da voz. O cantor estava muito preocupado em coordenar os demais músicos. Mas a parte instrumental se mostrou impecável. A esta harmonia pode ser dada a seguinte explicação: Ebel já tocou com Clériston na Delta e hoje desenvolve um projeto instrumental com Fred, intitulado Mandinga. Leopoldo é velho amigo da dupla. “Tem o espírito de banda, mas sem o estresse porque o trabalho é meu”, sentencia o autor, que diz conhecer bem o que os músicos tocam, o que facilita o trabalho. “Gosto de fazer umas coisas complicadas e encontrei gente que sabe fazer”, elogia. HQCD conta ainda com um álbum em quadrinhos cujas histórias são ilustradas a partir das letras das canções de Clériston. Os desenhos são assinados pelo próprio autor e por Leugim, Samuca, Lailson, Cariello, Rinaldo, Mascaro, Lin, Felic, Jarbas, Greg, Flavão, Luciano Félix, Zizo, Arnaldo e Marcelo Coutinho. Patrocinado pelo Funcultura e pela gráfica Liceu, o projeto está previsto para chegar ao mercado em setembro deste ano. (© JC Online)
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