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05-06-2008
Hoje deve ser um dos dias mais concorridos do Festival de Inverno de Garanhuns com atrações como Otto e Lulu Santos. Ortinho e Sector X estão no Palco Pop O 14º Festival de Inverno de Garanhuns termina hoje depois de 10 dias de atrações marcadas pela diversidade cultural e pelos altos e baixos na qualidade dos artistas e na quantidade de público. O último dia do FIG deve ser um dos mais concorridos, com atrações de peso, como Otto e Lulu Santos, e deixará saudades para a cidade que se transforma durante os dias do Festival. Na praça Guadalajara, maior palco do FIG, a partir das 21h30, se apresentam os cantores Alexandre Marroquim e Rosana Simpson, que têm uma longa experiência no circuito dos bares, e um dos maiores nomes do pop brasileiro, Lulu Santos. No Palco Pop, instalado no Parque Euclides Dourado, o segundo em importância, quem comanda a noite é o pernambucano Otto, que faz o show do seu terceiro disco, Sem Gravidade, ainda pouco visto no Estado. Antes dele, Ortinho mostra as canções de Ilha do Destino e da sua fase com Querosene Jacaré. As atrações começam às 21h com Sector X. Nos pólos dedicados à música instrumental, no Parque Ruber van der Linden e na Igreja de Santo Antônio, a noite será das melhores. No Van der Linden, às 19h a dupla pernambucana Luciano Magno (guitarra) e Fábio Valois (piano) desfilam composições jazzísticas contemporâneas. Eles abrem para o artista mais esperado do palco instalado no Pau Pombo: o pianista João Donato. O projeto Música na Igreja encerrará seu primeiro ano de existência em grande estilo. Haverá uma apresentação da Orquestra do Festival & Os Virtuosos, com regência de Rafael Garcia, coordenador do projeto. Participarão do concerto os solistas internacionais: Alexy Chashnikov, da Rússia, Anzela Zhereha, da Moldavia, Florian Cristea e Gheorghe Voicu, da Romênia, e Nelson Campos, do Chile. Para os amantes da música erudita, o destino certo é a Igreja de Santo Antônio, onde a Orquestra do Festival começa a tocar às 20h. As atrações musicais não param por aí. Há diversas opções como os pólos da Avenida Santo Antônio, onde estão os palcos de Cultura popular e o Hip Hop. No Euclides Dourado, o Palco Forró recebe Xote Térmico, Joquinha Gonzaga e Forrozão Sem Limite. E a Tenda Eletrônica anima os notívagos com os sets de DJ Felipe Falcão e VJs Retinantz e como convidado VJ Yellow (PE). Fora do âmbito musical, os habitantes de Garanhuns e os turistas que lotam a cidade podem conferir espetáculos de dança, teatro, circo, o mercado das artes, a arena radical e é também o último dia das oficinas. Os destaques ficam por conta da peça Caetana, de Moncho Rodriguez, que estréia no Festival e tem no elenco as atrizes Lívia Falcão e Fabiana Pirro e a pela infantil Livro de Fábulas. (© JC Online) Música erudita leva bom gosto ao FIG Henrique Annes, Quinteto da Paraíba e Quarteto Egan tiveram ótima acolhida do público com um repertório sofisticado. A baiana Pitty arrastou os fãs ao Palco Pop DIANA MOURA BARBOSA GARANHUNS - A noite de quinta-feira do 14º Festival de Inverno de Garanhuns começou com o talento do violonista pernambucano Henrique Annes e do Quinteto da Paraíba, interpretando clássicos da música brasileira em arranjos primorosos e composições próprias, no Palco Instrumental, montado no Palco Ruber van der Linden. Logo em seguida, mais virtuosismo, com o Quarteto Egan, que se apresentou dentro do projeto Música na Igreja, lotando a Igreja Santo Antônio, no centro da cidade. As apresentações brindaram o público com o bom gosto e a sofisticação dos repertórios escolhidos. O clima era totalmente outro no Palco Pop e na Praça Guadalajara, com shows marcados pelo rock’n’roll e pela jovem guarda, respectivamente. No Palco Pop do Parque Euclides Dourado, quem deu as cartas foram as atrações femininas, mas nenhuma delas conseguiu ir além do rótulo “rock de mulher” e todas ainda estão no estágio de artistas promissoras. No futuro, quem sabe. A primeira a se apresentar foi a cantora Karla Cibele, que tem uma voz boa, mas ainda não domina bem seus recursos vocais. O problema talvez tenha sido acentuado pelo repertório eclético da cantora, que incluía composições de Marisa Monte, Lenine e Pedro Luís e a Parede. Para entrar no clima rocker da noite, ela investiu em arranjos mais pesados, retirando a personalidade das canções, mas sem conseguir imprimir a própria marca. Depois de Karla Cibele, subiu ao palco a atração mais esperada da noite, a premiada cantora baiana Pitty, que em pouco tempo de carreira já ganhou status de pop star. A moça foi responsável pelo maior público até agora do Palco Pop, superando Devotos, Faces do Subúrbio e Eddie. Com um esquema de produção inegavelmente profissional, Pitty ainda não tem a maturidade musical que sua boa montagem de palco sugere. Os músicos que a acompanham (baixo, bateria e guitarra) conseguem fazer muito barulho, com destaque para o exibicionismo do guitarrista, mas não chegam a impressionar pelo talento. Isso ficou ainda mais evidente quando o grupo abusou do direito de fazer covers, soltando composições de Chico Buarque, David Bowie, Shocking Blue, Nirvana, Ramones, Bob Marley e Pink Floyd. E, pergunta-se, porque cargas d’água alguém canta tanta música dos outros se não consegue se garantir e soltar algo melhor pelo menos no mesmo nível do original? Mesmo assim, Pitty conseguiu levantar seu público. É uma turma que não passou muito dos 20 anos, tem muita instigação e talvez cresçam com a cantora, chegando um dia a gostar de rock de verdade. Seu rock adolescente encanta a meninada pelas letras ingênuas, como a Teto de vidro e Equalize, que ganharam muitos aplausos, pulinhos e gritinhos. Nesta última, que elogia um relacionamento, a cantora entoa uma frase que resume bem sua performance: “Até parece que você já tinha/ o meu manual de instruções”. Quem sabe se, com o tempo, Pitty não descobre que no amor, como na música, manuais de instruções podem revelar fórmulas chatas e repetitivas. A última atração do Palco Pop foi a banda Estrógeno, com um rock tão vigoroso quanto a turma da testosterona. Em tempo: nota dez para os VJs do Retinantz que comandaram o telão durante a apresentação da cantora, numa das melhores performances do Palco Pop até agora. (© JC Online) The Fevers comanda baile na Guadalajara A Praça Guadalajara foi transformada, na noite de quinta-feira, num imenso salão de baile. No palco, artistas com maturidade de sobra e canções compostas entre 50 e 20 anos atrás. O resultado foi uma praça lotada por pessoas de todas as idades, mas principalmente pelo público que curtiu a jovem guarda e a invasão da música popular nordestina dos anos 80. Apresentaram-se Kátia de França, Os Gatos, Túnel do Tempo e The Fevers, que fechou a noite com um show animadíssimo.O repertório do The Fevers inclui todos os hits obrigatórios dos anos 60, mas chega até a década passada, com muitas composições que se tornaram célebres em trilhas de novelas. E haja pot-pourri para dar conta de tantos sucessos: Vem me ajudar, Natalie, Mar de Rosas, Gengis Khan, Guerra dos sexos, A volta, Menina linda, Um sonho a mais, Pode vir quente que eu estou fervendo e Por causa de você. O show-baile é arrematado ainda por Eu nasci há dez mil anos atrás, de Raul Seixas, e uma versão em português da pintosa Y.M.C.A, do Village People. Agora, tudo bem que as músicas já são quase clássicos, mas, verdade seja dita, não custava nada a The Fevers atualizar os arranjos da canções. Ninguém ia reclamar. A repórter viajou a convite da organização do evento (© JC Online) Oficinas culturais reelaboram legado afro-brasileiro Além da cidade de Garanhuns, outra área do município contemplada pela programação do 14º Festival de Inverno de Garanhuns (FIG). No Castainho, a 20 minutos do centro, são realizadas cinco oficinas, todas voltadas para os moradores do local, que é habitado principalmente por descendentes dos fundadores de um quilombo. O público é formado principalmente por jovens, que têm aulas de danças afro-brasileiras, xilogravura, vídeo, cultura negra (dikila dúdú) e sobre a influência da música negra no Brasil.Filho de Xangô com Iansã, o músico Garnizé, ex-Faces do Subúrbio e atuamente na Futo (Frente Urbana de Trabalho Organizada), ministra curso sobre o papel dos toques dos rituais de candomblé dentro da musicalidade brasileira. “Meu papel não é catequizar ninguém. Mas essa é uma comunidade negra e eles têm o direito de conhecer essa parte tão rica e importante de nossa cultura. Ao mesmo tempo, aproveito os arquétipos dos orixás para trabalhar com os jovens temas como cidadania, sexualidade, comportamento. Também faço analogia com a religião católica, os cantos e ritos”, resume Garnizé. Outra oficina que utiliza elementos presentes no candomblé é a de dança afro-brasileira, de Vilma Carijós e Mestre Meia-Noite, da ONG Daruê Malungo, em Chão de Estrelas. Juntos. Eles passam para os alunos um conjunto de coreografias de influência negra, incluindo maracatu, coco-de-roda, candomblé e evoluções relacionadas a certos ritos originalmente ligados ao plantio e a colheita, já que o Castainho é uma comunidade basicamente agrícola. Uma visão mais diversificada da influência africo no Brasil é mostrada na oficina Dikila Dudu, que significa, literalmente, cultura negra. O trabalho, realizado pela historiadora Valéria Costa, inclui aulas de história, expressão cultural, música, literatura (lendas e história oral), identidade afro e até culinária. Crianças e jovens aprenderam a preparar arroz de dendê, falofa de Angola (semelhante ao pirão), galinha africana (à moda dos ritos de candomblé) e caruru. (© JC Online)
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