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05-06-2008
Músico Amazan monta fábrica de acordeões na Paraíba. Um dos maiores consumidores do instrumento no mundo, País não tem autonomia no setor MARCOS TOLEDO Instrumento dos mais tocados no mundo inteiro, o acordeão tem no Brasil um de seus principais mercados. Estranhamente, apesar de ser difundida de forma popular, sobretudo no Nordeste, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e em São Paulo, a sanfona (como é mais conhecida por aqui), além de ser muito cara, na casa dos milhares de reais, deixou de ter fabricação em larga escala no País. Enquanto antigos afinadores (consertadores) alimentam o mercado com sanfonas recondicionadas – opção mais acessível às importadas –, em Campina Grande, interior da Paraíba, um músico resolveu tornar realidade o projeto de uma fábrica deste instrumento. Com 15 anos de carreira e 14 álbuns lançados, o sanfoneiro Amazan deu início ao processo de fabricação de sua própria marca, a Leticce, nome com o qual costumava batizar seus acordeões, registrou em 2003. Amazan mora em uma propriedade no bairro de Catolé de Zé Ferreira, a dez quilômetros do centro de Campina Grande. No terreno, onde fica seu estúdio, sua residência e as de outros familiares, construiu um galpão onde funciona a pequena fábrica da Leticce, que conta com sete funcionários, “todos com carteira assinada”, faz questão de frisar. “Sempre consertei minhas sanfonas. Só não afinava”, explica o músico. “A idéia surgiu da necessidade de um País como o nosso, que consome sanfona, de ter (o instrumento) por um preço menor.” O primeiro modelo da Lettice, segundo seu fabricante, sai em torno de R$ 14 mil, 30% abaixo do similar importado. KNOW-HOW – No ano passado, Amazan foi duas vezes à Itália, país de tradição na fabricação de acordeões. Na primeira, para conhecer as empresas. Na segunda, para pegar know-how, comprar algumas peças e se cadastrar nos fornecedores. Definiu como modelo inicial uma sanfona top de 120 baixos com 41 teclas, 11 registros e caixa de ressonância. A particularidade de seu instrumento, segundo Amazan, fica por conta de uma saliência próxima ao teclado onde ficam embutidos os microfones. “Na Itália, a Juliette tem, mas é menor e não vem de fábrica”, explica. A fábrica da Leticce conta com três processos: marcenaria, montagem e afinação. Para realizar cada fase, o empresário teve que treinar profissionais de áreas afins – marceneiro, por exemplo – para que se especializassem na fabricação de cada parte do acordeão. A primeira etapa, da marcenaria, é executada com matéria-prima local. Na fase seguinte, da montagem, as partes de madeira recebem os acessórios, a maioria importada da Itália: fundos de alumínio, vozes, celulóide, cobertura das teclas e outras peças miúdas. Também nesta parte, é montado o fole da sanfona, que tem apenas as ponteiras de metal importadas, e a mecânica das teclas, de alumínio, também de reprodução local. Por fim, depois de todo montado, o instrumento recebe a última afinação (eletrônica) em uma sala que lembra um pequeno estúdio. O protótipo da Leticce, já utilizado por Amazan nas últimas festas juninas, demorou seis meses para ficar pronto. “Ainda está meio rústica”, reconhece o artista. Segundo ele, serviu de aprendizado para os funcionários. Detalhe perceptível apenas para um músico profissional capaz de observar as nuances entre a Leticce e os modelos tradicionais. A intenção é que, a partir do mês que vem, quando saem as primeiras das seis encomendas já existentes – que incluem a da banda Cavaleiros do Forró –, mais aperfeiçoadas, a fábrica produza uma a cada dois meses, depois na metade deste tempo e, por fim, daqui a dois anos, na ordem de quatro por mês. Após um ano, a empresa entrará em nova etapa, de produção de mais três modelos menos sofisticados que o atual. (© JC Online)
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