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05-06-2008
Instituto de Documentação é o tema da segunda reportagem da série sobre os 55 anos de criação da Fundação Joaquim Nabuco. O órgão é responsável pela guarda, conservação e restauração de acervos CAROL ALMEIDA Se memória é a primeira palavra de ordem no Instituto de Documentação (Indoc) da Fundação Joaquim Nabuco, reforma é a segunda. O braço da Fundaj que cuida da preservação, restauração e divulgação do passado do homem do Nordeste, tenta cuidar de si mesmo agora. O Indoc é tema hoje da segunda matéria da série sobre os 55 anos da Fundaj publicada pelo Jornal do Commercio. Atualmente, o órgão coordena a reestruturação física em duas de suas principais bases de visibilidade: o Museu do Homem do Nordeste e a Biblioteca Blanche Knopf. A principal obra realizada é nas instalações elétricas para melhor aproveitamento da energia em ambos os locais. “Estamos usando alguns recursos de luz natural também, mas tudo isso bem planejado para não afetar a preservação de nosso material”, diz a diretora do Indoc, Rita de Cássia Araújo. O Museu do Homem do Nordeste, fechado desde janeiro deste ano, troca todo seu equipamento de refrigeração, e no lugar de um ar condicionado central, haverá vários condicionadores regulados para cada ambiente. Um dos dois pavimentos do museu já teve os trabalhos concluídos. O segundo está ainda em obras. “Na Biblioteca, estamos mudando toda a localização, por exemplo, da área de pesquisa reservada ao público, para que o local seja durante mais tempo iluminado pelo sol”, explica a diretora. Rita de Cássia, aliás, é a única profissional, entre os diretores dos institutos da Fundaj, que já trabalhava na entidade antes de o novo presidente, Fernando Lyra, assumir. Para assumir o primeiro cargo administrativo de sua carreira, a atual diretora do Indoc abriu mão da rotina de pesquisa e manuseio de documentos. Sua formação acadêmica na área de História permite repensar a organização conceitual e antropológica da exposição permanente do Museu do Homem do Nordeste, antes de ser entregue ao público. “A exposição do acervo do museu sempre teve um conceito bastante ligado ao pensamento antropológico. Para reabrir esse acervo agora, é preciso discutir qual a melhor maneira que a exposição deve ser montada”, frisa a diretora do Indoc. Além da recuperação da estrutura física dos seus órgãos, Instituto de Documentação traçou outras três diretrizes em sua nova gestão: se reaproximar da universidade, valorizar a memória institucional da própria Fundaj e digitalizar seu acervo. Com o universo acadêmico, o instituto pretende rever os conceitos sobre a identidade do homem do Nordeste e a sociedade que é vista pela fundação. Quanto à memória institucional da casa, a primeira ação foi a reativação do Memorial Joaquim Nabuco, reaberto em 2003. A iniciativa está em sintonia com um dos objetivos maiores dessa nova gestão da Fundaj: valorizar mais o nome do patrono da casa. Para tanto, foi criada uma exposição permanente sobre o abolicionista, atualmente em cartaz no prédio principal da Fundaj de Casa Forte, e o lançamento de simpósios realizados periodicamente sobre o próprio Nabuco. Com isso, o estudos sobre o sociólogo Gilberto Freyre, que antes era predominante, passa para um segundo plano. Quanto à digitalização do acervo da Fundaj, trata-se de um projeto que, segundo Rita de Cássia, recentemente formulado. A verba já foi aprovada e se negocia agora a maneira como será feito e a ordem de prioridade dos acervos a serem digitalizados. “Naturalmente, há muita cautela quando se fala em digitalização. Por um lado, é ótimo dar mais acesso ao público ao acervo. Por outro, existe uma questão de direitos autorais que ainda está pendente”, sintetiza Rita. PESQUISA – Apesar da maior visibilidade e do contato com o público, não é o Museu do Homem do Nordeste, nem a Biblioteca Blanche Knopf que concentram a grande base de informação do Indoc. Ela está no Centro de Documentação e de Estudos da História Brasileira, o Cehibra, e o Laboarte, que reúnem o maior número de profissionais especializados em documentação da Fundaj. O Cehibra é atualmente o mais importante centro de documentação da memória de Pernambuco, respondendo pela Coordenação de Iconografia e Documentos Textuais (Codit) e a Coordenação de Som, Imagem e Microfilmes (Cosim). Já o Laboarte, laboratório de pesquisa, conservação e restauração de documentos e obras de arte, possui seis técnicos especializados nas tarefas enumeradas. A maior parte deles é formada em Minas Gerais, onde existe o único curso de especialização em preservação de patrimônio. Atualmente, o Laboarte trabalha com o acervo da própria Fundaj, bem como bens particulares, caso, por exemplo, de dois óleos sobre tela do pernambucano Cícero Dias. Seu mais importante trabalho, nos últimos anos, foi a colaboração na restauração do Altar-Mor do Mosteiro de São Bento de Olinda, que foi exposto com grande êxito no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. (© JC Online) CENTROS DO INSTITUTO DE DOCUMENTAÇÃO Centro de Documentação e de Estudos da História Brasileira (Cehibra) – Possui no seu acervo textual 330.644 documentos. O acervo iconográfico tem aproximadamente 250 mil imagens, entre fotografias, cartões postais, pintura sobre tela, desenhos, gravuras, entre outros. São 23.878 documentos fonográficos, 59 coleções de obras produzidas por cineastas nacionais, 2.437 rolos de microfilmes e 1.030 horas de gravação de áudio.Museu do Homem do Nordeste – Fundado em 1979, tem um acervo com 12 mil peças, rico em objetos que contam a formação social, étcnica e histórica do Nordeste. Memorial Joaquim Nabuco – Reativado em 2003, tem como objetivo renovar os estudos sobre Joaquim Nabuco e atualmente promove os Simpósios Nabuquianos. Centro de Literatura Mauro Mota – Sala reservada ao trabalho literário de Mauro Mota, que preserva também alguns artigos pessoais do escritor, entre eles o fardão usado por Mota na Academia Brasileira de Letras. Laborarte – O órgão mais técnico do Indoc já trabalhou na conservação e restauração de bens integrados do Teatro Santa Isabel, livros de casamento e batismo de todo o Nordeste, pinturas, azulejos e, recentemente, fez a conservação, restauração e embalagem de um painel cerâmico de Francisco Brennand pertecente à empresa Moore. Biblioteca Central Blanche Knopf – Guarda mais de 100 mil volumes entre livros, folhetos, teses e periódicos nacionais. Seu foco é na área de Ciências Sociais. Divide seu conteúdo em três núcleos: Biblio, com 40 mil registros bibliográficos em ciências sociais, Açúcar, com 1.500 registros referentes ao tema, e Docpop, com registros em estudos na área de população. (© JC Online)
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