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05-06-2008
Romântico, bom melodista e autor de letras "profundas", o artista alagoano é o mais imitado do país Sérgio Martins Integrante do primeiro time da MPB, o cantor e compositor alagoano Djavan tem uma trajetória invejável. Em 28 anos de carreira, ele vendeu 8 milhões de discos e produziu hits em série. Dono de um imenso carisma – especialmente entre as mulheres –, é um dos artistas nacionais com maior poder de atrair multidões para suas apresentações ao vivo. Prova disso é a corrida pelos ingressos da turnê de lançamento de Vaidade, seu 16º álbum, que marca a estréia de sua própria gravadora, a Luanda Records, e está em cartaz em São Paulo. Com tantos atributos, não é de espantar que Djavan ainda tenha uma outra honra – essa um pouco mais duvidosa. Ele é o cantor mais imitado do Brasil. Segundo o Ecad, órgão responsável pela arrecadação dos direitos autorais no país, ele foi o compositor mais executado em botecos e casas noturnas de música ao vivo nos últimos três anos. Deixou para trás figuras como Caetano Veloso e Chico Buarque. E muitos dos que sobrevivem com a renda do couvert artístico não se limitam a interpretar as músicas de Djavan: clonam o ídolo por inteiro, dos cabelos cacheados à voz de falsete. Como o protagonista do filme Quero Ser John Malkovich, Djavan às vezes se sente cercado de clones por todos os lados. "Por onde ando, topo sempre com uns dez cantores parecidos comigo, cantando o meu repertório e com voz igual a minha", diz ele. Não é difícil entender por que Djavan tem sido tão copiado. Como poucos nomes da música brasileira atual, o artista cria melodias simples e marcantes. Ele é romântico. Além disso, é aquele tipo de letrista com aura de "sofisticado". Djavan inventa palavras e rimas inusitadas. A súmula de seu estilo está nos versos de Açaí, que rezam: "Açaí / Guardiã / Zum de besouro / Um ímã / Branca é a tez da manhã". Não quer dizer nada, mas, para os desavisados, soa como James Joyce – aquele papa do modernismo. Fica mais fácil fingir que se é profundo cantando letras assim. Na meia-luz do barzinho, às vezes até funciona. Ser clone de Djavan pode ser um caminho para o sucesso. O caso mais notório é o do cantor carioca Jorge Vercilo, cujos discos hoje vendem mais que os do original. A paulistana Mônica Salmaso também começou sua carreira fazendo covers do compositor em bares. "A diferença entre mim e os outros intérpretes de Djavan é que eu só cantava as coisas menos óbvias do repertório dele", diz Mônica, que acabou conquistando seu espaço no escalão intermediário da MPB. Por todo o país, os genéricos de Djavan aguardam sua vez. "Tempos atrás, topei com um cantor que era igualzinho a mim numa churrascaria na Paraíba. Só depois de observar muito percebi que era uma mulher", diz Djavan. (© Revista Veja)
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