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Frio, chuva e apoteose no 14º FIG

05-06-2008

Antúlio Madureira se apresentou no último dia do FIG

 

Lulu Santos encerrou na madrugada de domingo o Festival de Inverno de Garanhuns. O público lotou a cidade no último fim de semana, prestigiando todos os shows

DIANA MOURA BARBOSA
Enviada especial

   GARANHUNS - Frio, muita chuva e excelentes apresentações marcaram o último fim de semana do 14º Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), que se despediu do público com tudo que tinha direito. E público, aliás, foi o que não faltou nos dois últimos dias do evento, com a Praça Guadalajara absolutamente lotada para ver as apresentações de Alcione e Lulu Santos, que aconteceram sexta-feira e sábado, respectivamente. Os dois artistas se destacaram pelo excesso de profissionalismo, com shows que alinhavam sucessos de muitos anos de carreira combinados com aplausos e gritinhos de uma multidão de fãs.

   Para quem estava à procura de samba com uma roupagem do tipo diva da música popular brasileira, Alcione ofereceu canções como Estranha loucura, Sufoco, Você me vira a cabeça e As rosas não falam, para terminar a noite com Não deixe o samba morrer. A voz da Marrom, inconfundível, é garantia de emoção em grande escala para um público para lá de eclético, que vai dos descolados de plantão, recém-caídos na nova moda da cadência bonita do samba, até os simpáticos casais de meia-idade que curtiram um show num clima de recordar é viver. Já Lulu Santos empolgou a platéia com composições de sua cepa: Toda forma, Adivinha o quê, Tempos modernos e Assim caminha a humanidade, para citar algumas, entoadas em versões ora românticas ora dançantes, numa prova que cada geração tem a diva, que merece.

   E se a palavra da hora é emoção, o último dia do projeto Música na Igreja foi o que se pode chamar de o máximo de sensibilidade dosada com sofisticação, com a camerata de cordas e a presença de cinco violinistas solistas internacionais, regidos por Rafael Garcia. O projeto ganhou a adesão de uma platéia atenta, que lotou a Igreja de Santo Antônio a cada apresentação. Os solistas (da Romênia, Rússia, Moldávia e do Chile) selecionaram partituras de compositores eruditos, como Paganini, Grieg, Tchaikovsky, Glazunov e Sarasate, em interpretações que encantavam pela dificuldade técnica ou pela harmonia poética das composições.

   O virtuosimo estava espalhado por todos o FIG. No encerramento do Palco da Cultura Popular, Antúlio Madureira encantou o público com seu cruzamento da tradição com o erudito, bem rústico, como reza a cartilha armorial.

   A noite de encerramento ainda trouxe outra pequena pérola deste festival. A estréia nacional da comédia teatral Caetana, com texto do poeta Weydson Barros Leal e do dramaturgo Moncho Rodrigues, que também assina a concepção cênica. A peça conta a história do encontro de Benta, uma rezadeira que encomenda almas, com sua parceira de trabalho Caetana, a morte. Esse é o mote que o autores usam para discutir vários temas relacionados à passagem dessa vida para outra, como medo, desejo de imortalidade e transcendência.

   A encenação bebe diretamente na fonte suassuniana, ao combinar erudição com cultura popular, trechos de poemas sebastianistas, citações da mitologia grega e de concepções religiosas. A personagem de Benta e seus artifícios para driblar a morte lembram e muito as artimanhas de João Grilo, de Auto da Compadecida. Entre os pontos altos do espetáculo estão a atriz Lívia Falcão, como Benta, o jogo de luzes e o acender de velas em cena, que constrói o cenário enquanto as ações se desenrolam.

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Ortinho e Otto mostram o valor da prata da casa

   O Festival de Inverno de Garanhuns (FIG) não é exatamente um pólo de novidades, mas um enorme apanhando de shows, espetáculos e oficinas culturais. O volume de apresentações transforma a cidade completamente. Por dez dias, Garanhuns vive imersa numa mistura irresistível de frio, cultura e arte. Mesmo ganhando no atacado, o FIG deste ano contou com apresentações que se destacam também pelo que trouxeram de novo para os pernambucanos. A primeira delas aconteceu logo no início do evento, que foi a apresentação memorável de Ney Matogrosso e Pedro Luiz e a Parede, num show de tirar o chapéu, tirar o fôlego e tirar o público do sério. Sem falar de Superoutro, La Rue Ketanue, Faces, Devotos e A Obra.

   Outra boa surpresa do FIG foi a apresentação de Ortinho, no último sábado, encerrando, junto com Otto, o Palco Pop. O cantor encarou a chuva (“Vamos começar o nosso aquatic show”), levantou o público e demonstrou uma presença de palco mais madura e equilibrada, brindando a todos com uma performance vocal cada vez melhor. Como ele estava acompanhado por diversos músicos da Faces do Subúrbio, chamou o vocalista Zé Brown, da banda, para que ele, Ortinho, fizesse uma “participação especial no show da Faces”.

   Com um timbre bonito e seguro, Ortinho chegou meio cirandeiro e mesclou composições do CD Ilha do Destino com composições antigas. Entre elas estavam O bob, gravada com o Querozene Jacaré, que surgiu mais groove e menos pesada, com mais percussão e menos bateria. Ele também tocou Sangue de Barro, parceria com Chico Science para a trilha de Baile Perfumado, mostrada no FIG numa versão mais hardcore e acelerada, deixando o público extasiado. Maturidade também é a palavra que se aplica a Otto, que fez no FIG sua primeira apresentação em Pernambuco do disco Sem Gravidade. Como Ortinho, ele teve tocou antigos sucessos e parcerias com Chico Science, que rolou em Da Lama ao Caos.

   Está cada vez melhor também o projeto Fuloresta, de Siba Veloso, que se tocou na noite da sexta, no Palco Pop. Impressiona pela qualidade técnica e sonora, pela dignidade conceitual e profissionalismo que consegue imprimir a um grupo cujo trabalho está fincado na cultura popular, mas consegue sair do gueto do exotismo. E Siba integra o grupo com harmonia, respeitando a linhagem poética à qual se filia. O grupo dividiu a noite com as bandas Ticuqueiros (ainda precisa descobrir seu caminho artístico), e Comadre Fulozinha (que mantém a beleza delicada, mas ressente-se da presença de palco de Isaar, recém-saída do grupo).

   No quesito ninguém merece, o 14º FIG reservou os prêmios de artista mais chato para Lulu Santos e de produtores mais metido para o estafe de Pitty. Lulu chegou ao cúmulo de pedir aos organizadores do FIG que desligassem o trio elétrico de um do candidato que estava em campanha para prefeito. Depois de ter o seu pedido atendido, a produtora do cantor liga para fazer nova queixa: “O trio parou de tocar, mas quando os carros passam em frente ao comitê, buzinam , fazendo barulho”. Demais, não! Já o pessoal de Pitty se estressou com a equipe de VJs do Retinantz, que produziu vídeos ao vivo nas apresentações do Palco Pop. “Cuidado com a qualidade do que vocês vão filmar", disse o produtor. “Cuidado vocês, com a qualidade da música que vocês vão tocar”, replicou um dos VJs. Deve ter sido por causa desse alerta que a cantora mostrou tantos covers no FIG.

A repórter viajou a convite da organização do evento

JC Online)


Garoa não esfria ânimos na despedida

Festival de Inverno de Garanhuns terminou na madrugada do último domingo consagrado pelo público

   GARANHUNS - No sábado, última noite do 14º Festival de Inverno de Garanhuns, o cantor e compositor carioca Lulu Santos chacoalhou os esqueletos de 60 mil pessoas na Esplanada Guadalajara com seus hits dançantes. Baseado no show MTV ao Vivo, cujos CD e DVD saem até o final do mês, ele cantou 23 músicas (incluindo o bis) em cerca de uma hora e meia. Nem mesmo a chuva fina que insistia em cair esfriou o ânimo da galera.

   Entre gritos e aplausos, o público curtiu sucessos absolutos do cantor, como Toda Forma de Amor, Um Certo Alguém, Tempos Modernos, Descobridor dos Sete Mares e Como uma Onda. "Essa cidade é maravilhosa. Vocês são incríveis", soltou o cantor, antes de abrir o show. Nem precisava do elogio para cair nas graças da platéia. Os fãs mostraram que sabem na ponta da língua as letras dos sucessos de Lulu.

   Condição, do álbum Lulu, de 1986, responsável por seu primeiro disco de platina, iniciou a festança. Do último CD, Bugalu (2003), que reviveu a parceria com o produtor Memê e a fase dançante do cantor, após o introspectivo Programa (2002), Lulu disparou o hit Já É!. Dancin' Days fez todo mundo "soltar as feras". Só composto de sucessos -repetindo a revisão de sua carreira que fez no Acústico MTV, de 2000 -, o espetáculo empolgou ainda com O Último Romântico, Assim Caminha a Humanidade e Sábado à Noite, entre outras. Lulu estava muito à vontade e elogiou a diversidade do festival. No cenário, havia um telão com imagens computadorizadas. Para o bis, o cantor escolheu Tempos Modernos, de seu primeiro CD, homônimo, de 1982, uma prova da longevidade não apenas de sua carreira, mas de suas canções. No próximo dia 23, às 20h30, os fãs poderão conferir o MTV ao Vivo - Lulu Santos na emissora musical.

   Em Garanhuns, a abertura do show de Lulu ficou por conta dos cantores Alexandre Marroquim e Rosana Simpson. O primeiro cantou sucessos de Chico Buarque e Caetano Veloso, entre outros, além de composições próprias. Já Rosana, que já lançou um CD, Música de Barzinho, entoou hits de cantores como Lenine e Rita Lee emúsicas de sua autoria.
 

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ACONTECIMENTOS

Júlio Cavani
Da equipe do DIARIO

   Um bêbado levanta a garrafa de cachaça e grita: "Mas tem que me entender/ Tem que seduzir". A multidão que se dirigia para a praça Guadalajara percorrendo as calçadas da cidade dava uma idéia do que seria o show de Alcione na sexta-feira do Festival de Inverno de Garanhuns. Ela bateu o recorde de público do evento, atraindo, segundo a Fundarpe, mais de 65 mil pessoas. No repertório, a marrom cantou samba, forró, jazz e até frevo: "Sou para louca subir num trio elétrico no Galo da Madrugada", falou ao público. Na hora do bis, a diva não queria sair do palco: "Me larga, Garanhuns!", repetiu quatro vezes. A edição de 2004 do FIG terminou neste domingo de madrugada, quando o Palco Forró foi o último a silenciar-se depois de uma semana como o maior fenômeno de público do evento. Desde o dia 9 de julho, 600 mil pessoas passaram pela cidade durante os dez dias da programação, a maioria deles debaixo de uma leve e constante chuva. A menor temperatura registrada foi de 12 graus.

   ALTERNATIVOS - Nas ruas de Garanhuns acontecia uma programação cultural paralela ao festival, muitas vezes com atrações melhores que as oficiais. Na Avenida Santo Antônio, o violeiro peruano José Collantes vendia seus CDs enquanto cantava música romântica. A troça carnavalesca Boi da Macuca elegeu como point uma cachaçaria próxima ao parque Pau Pombo, promovendo festas e saindo de lá para desfilar pela cidade no sábado. Ontem, um incansável restaurante ainda promoveu uma Festa da Ressaca.

   BIZARRO - Na quinta-feira, véspera de feriado, em plena chuva, a roqueira baiana Pitty bateu o recorde de público do Palco Pop no Parque Euclides Dourado em uma noite dedicada às cantoras mulheres. "Qualquer hora eu vou levar um capote aqui. Vai ser massa", brincou, enquanto se equilibrava na lama acumulada no palco. "Pitty vai dar um pití", brincou um técnico de palco. Além do próprio repertório, a menina cantou covers de Chico Buarque, Ramones, Pink Floyd e Nirvana. Uma roda de pogo na platéia mostrava que os punks não a abandonaram depois do sucesso, pelo menos não os de Garanhuns. Em coletiva de imprensa antes do show, falando que a paciência é uma de suas virtudes (ela demorou dez anos para fazer sucesso), Pitty disse que um dia da programação para bandas com vocal feminino confirma a existência de preconceito na música. "Não me incômodo e acho até legal, mas vejo isso como um sinal de que as coisas ainda precisam mudar, pois estão desequilibradas. Não deveria haver nenhum tipo de diferenciação."

   MALABARES - No meio do show de Pitty, um grupo de malabaristas e engolidores de fogo aqueceu a platéia jogando tochas para o alto. Mesmo depois do elogio da cantora, eles acabaram sendo censurados pela Polícia Militar, contradizendo a valorização que o festival dá às artes do circo. Na sexta, por outro lado, um cara metido a equilibrista subiu nas estruturas de ferro que dão suporte à iluminação da pista de dança de música eletrônica, acabando com a festa. Os malabares também marcaram presença no show da Cavaleiros do Forró, abrindo a apresentação da banda.

   BATE-ESTACA - No Palco Pop, a boa programação de música eletrônica, que passou a acontecer ao ar livre, sem tenda, não decolou desta vez, sendo menos prestigiada que o forró, seu concorrente na grade. Na terça, em alguns momentos, o público era de menos de dez pessoas, contando com o DJ, mas o som continuava rolando até as 4h. Contraditoriamente, na sexta, a multidão que invadiu o Euclides Dourado depois do show de Alcione foi desperdiçada, ficando ociosa porque o som foi desligado no mesmo horário.

   CÊNICAS - Com sessões sempre bastante disputadas pelo público, as peças de teatro e os espetáculos de dança comprovaram que os dois segmentos precisam de ainda mais investimentos na programação dos próximos anos. Deus Danado, Caetana, Muito Barulho por Quase Nada e o balé Stagium foram os destaques de uma programação de sucesso.

   CINEMA - Durante a sessão de Um Tiro no Escuro, que abriu a mostra de cinema internacional, um menino de rua assistia ao filme sem agasalhos enquanto se preparava para começar a trabalhar catandolatas. Ele não ficou até o final da sessão, em parte porque não conseguia ler as legendas. Na exibição de O Prisioneiro da Grade de Ferro, documentário sobre o Carandiru feito pelos detentos, um grupo de policiais assistia a tudo com atenção. "A gente prende, mas nem sempre fica conhecendo quem são esses homens", comentou um deles. Apesar de alguns atrasos, da iluminação atrapalhando e da falta de avisos sobre o conteúdo impróprio dos filmes proibidos para menores, a programação estava excelente, de fazer inveja a qualquer festival do Brasil. Muita gente da platéia nunca tinha ido ao cinema, pois a única sala de exibição de Garanhuns é pornô.

   DISPOSIÇÃO - Apesar dos esforços do pessoal da música eletrônica, a rave do festival foi o Palco Forró, único sucesso absoluto do evento, que ficava cheio de gente até o amanhecer em todos os dias da programação. Madrugada adentro, as pessoas não queriam parar de dançar no único espaço protegido contra as chuvas. Muitos passavam o tempo ali enquanto esperavam o início da circulação dos ônibus.

   MOBILIZAÇÃO - Os transeuntes do Centro Comercial de Garanhuns eram o principal público do palco hip hop, que acontecia no fim da tarde e chamava atenção principalmente por causa das rodas de break dance. Quem passou por lá ganhou de presente improvisações dos integrantes do Faces do Subúrbio, que também tocaram no Palco Pop.

   CAUBÓIS - Com muita pirotecnia no palco, a banda Cavaleiros do Forró é tão estilizada que diz fazer quatro tipos de forró: o desmantelado, o "tradicional", o romântico e o"vaquejada". Em plena segunda-feira, eles atraíram para a Praça Guadalajara mais gente do que Simone e Ney Matogrosso.

   COMUNGAI - Nem a missa era pontual no Festival de Inverno. Quem chegava na hora certa ou um pouquinho mais cedo para os comoventes concertos do projeto Música na Igreja acabava tendo que assistir a um pedaço das cerimônias, que terminavam um pouco mais tarde do que o previsto, provocando oportunos atrasos de 20 minutos. Nas ruas e nos shows, um homem circulava fantasiado de padre, tocando triângulo e fazendo brincadeiras em meio ao público. Um folião.

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Desafio de compor uma programação original

Michelle de Assumpção
Da equipe do DIARIO

   O Festival de Inverno de Garanhuns é cada vez mais uma festa para toda a família. Apesar dos palcos segmentados, de música pop, instrumental, popular e consagrada da MPB, o FIG é um evento que começou a atrair grupos cada vez maiores, que além da programação cultural vêm para curtir o clima da cidade, seus parques e sua gastronomia. Um problema detectado ano passado, este ano ficou ainda mais evidente: o festival cresceu, mas a estrutura da cidade continua a mesma. Garanhuns não tem leitos que comporte nem mesmo todos os convidados do festival: artistas, imprensa e organização. A cidade parece viver em torno de seu único grande evento. Passa o ano esperando por ele e, apesar da boa vontade de todos os moradores em receber bem o turista, falta ainda investimento para que nos outros meses do ano seja autosuficiente e não fique tanto na dependência do Governo estadual.

   A organização do FIG está sempre fazendo mudanças estruturais para melhor conciliar suas atrações e melhorar o nível das mesmas. A criatividade não parece ser a mais utilizada neste ponto, quer dizer, o festival ainda não é um evento que traz atrações diferentes, que investe em números ainda não vistos pelo povo da cidade grande. Muitos vão a Garanhuns pela fama que o festival atraiu ao longo dos seus quatorze anos. Poucas são as atrações que, por si mesmas, são capazes de atrair público das cidades apenas para vê-las. Ney Matogrosso e Pedro Luís e a Parede parecem ter surtido este efeito. Talvez Alcione, Simone, Otto e Lulu Santos, também.

   No entanto, como também acontece em outros festivais de música pela cidade, falta investimento para atrações que venham com novas propostas. Não exatamente músicos que estejam na crista da onda, ou que tenham o poder de arrastar multidões, mas aqueles que mesmo fora da mídia tenham um trabalho novo, original, que valha a pena ser visto. Os organizadores usam o argumento, totalmente aceitável, do orçamento apertado para justificar a não vinda de artistas dessa categoria. Falta de dinheiro, porém, não é desculpa para falta de criatividade. E Garanhuns, mesmo sendo ainda a cidade mais agradável do inverno pernambucano, não pode reduzir seu festival a um evento para multidões.

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