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Homem nordestino, tema inesgotável

05-06-2008

 

O pioneiro Instituto de Pesquisas Sociais, que orgininou a Fundaj, é o tema da terceira reportagem da série sobre os 55 anos da instituição

Infográfico
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CAROL ALMEIDA

   Há quem diga que, hoje, a Fundação Joaquim Nabuco se sustenta com uma base de quatro pilares, sendo eles os respectivos institutos que funcionam na casa. Mas, se é para fazer jus à gênese dessa arquitetura, é bom lembrar que todos os tijolos que serviram à construção da Fundaj partiram e ainda partem de um só instituto: o Inpso, ou Instituto de Pesquisas Sociais. A história da própria fundação é a história da criação do Inpso, célula-mãe daquilo que Gilberto Freyre entendeu como um “centro de renovação intelectual e social do País”, ou seja, foco de pesquisas relevantes ao desenvolvimento e entendimento do brasileiro e, particularmente, do nordestino. É, portanto, com esse centro de pesquisas, bem como com o Instituto de Formação (ver matéria ao lado) que a série do Jornal do Commercio sobre os 55 anos da Fundaj, que se encerra amanhã.

   Trabalhando atualmente com 20 doutores, 19 mestres e 10 profissionais com especialização, o Inpso é praticamente um grande departamento universitário interdisciplinar, reunindo pesquisas com abordagens sociológicas, antropológicas, históricas, econômicas, entre outras ciências. Atualmente sob a direção do professor Jorge Siqueira, o instituto assumiu algumas das diretrizes da nova gestão da fundação como sendo prioridades maiores das pesquisas.

   Entre elas, está a preocupação de ampliar o campo de atuação do instituto para geografias que passem a fronteira de Pernambuco, tanto é assim que, recentemente, o instituto aceitou a encomenda de uma pesquisa para construir um desenvolvimento sustentável na Angola. Como segunda meta prioritária, Siqueira afirma que quer investir mais em pesquisas sobre cidadania e sobre os conselhos municipais do Recife.

   Assim como o Instituto de Documentação da Fundaj, que já aprovou um projeto de digitalização de seu acervo, o Inpso precisa dialogar mais com a sociedade que serve como seu objeto de estudo. “Nosso projeto é criar um banco de dados para que todas essas pesquisas fiquem disponíveis ao público”, diz Siqueira. Atualmente, os mecanismos para divulgação dessas pesquisas são quase todos internos demais ao meio acadêmico: existe uma revista, chamada Caderno de Estudos Sociais, dois seminários regionais realizados anualmente e uma revista eletrônica, a Observa Nordeste.

   Siqueira explica ainda que, quando chegou à Fundaj, em fevereiro do ano passado, a auto-estima dos pesquisadores estava abalada pela falta de recursos que o Inpso tinha: “Os próprios pesquisadores, com seus projetos, é que iam atrás de recursos. Isso desestimulava todos. Nossa primeira preocupação sempre foi, assim, alocar mais recursos”, sintetiza o diretor.

   Este ano, o Inpso teve R$ 100 mil de recursos da união, aprovado pelo MEC, somente para reformas nas suas instalações. Para os projetos e programas de pesquisas o montante foi de R$ 248 mil. Não se soma a esse bolo os recursos captados por meio de convênios com outros órgãos governamentais ou não.

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Uma atuação voltada para a sociedade

   O nome do departamento é Instituto de Formação e Desenvolvimento Profissional, mas sua diretora, Miriam Pires prefere a simplicidade e amplitude da palavra escola. Segundo ela, por escola se entende um espaço de aprendizagem que, no entanto, “não é nem um centro de treinamento, nem uma universidade. O que a gente pensa em fazer aqui é um campo experimental de exercício de algumas experiências de políticas públicas”, resume. É, portanto, como o objetivo de discutir essas políticas públicas, mas não necessariamente de aplicá-las, que o Instituto de Formação funciona.

   Atualmente, o Instituto de Formação, criado em 1998, mantém programas de cooperações técnico-científicas, projetos de fomento à cidadania e criação de bancos de dados.

   Pode-se dizer que, na atual gestão, existem dois projetos de porte maior dentro desse instituto. O primeiro, batizado de Nação Criança, é relativo a uma pesquisa inédita com a radiografia da população de meninos de rua do Recife, que catalogou o perfil dessas crianças a partir de informações tanto sociais quanto de formação escolar.

   O segundo reúne grupos de exclusão social que, por algum motivo, se sentem excluídos ou sofrem preconceito. Este último projeto reúne entidades governamentais e não-governamentais em seminários e reuniões que funcionam sob o título de Pólo de Eqüidade.

   Para Miriam Pires, a atuação desses projetos ainda está longe de ser uma prática ideal. “A Fundaj ainda é muito acanhada. E como ela é uma instituição do setor público, necessariamente é preciso responder à população de alguma forma. Nosso objetivo é poder funcionar dialogando com a sociedade”, opina a diretora.

   O curso de mestrado profissional de Gestão em Políticas Públicas, criado na gestão anterior à atual presidência de Fernando Lyra, faz parte desse processo de diálogo e, como explica Miriam, não tem como fim formar acadêmicos, mas sim profissionais que já atuem em alguma área de políticas públicas, e que precisem de uma fundamentação teórica para seus respectivos trabalhos. Dos professores que ensinam no mestrado, 70% são pesquisadores da própria Fundaj e os demais são universitários convidados.

JC Online)


Fundação Joaquim Nabuco comemora aniversário de 55 anos

Do JC OnLine

   A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) comemora 55 anos de existência nesta quarta-feira (21) e preparou uma programação especial para a ocasião. A instituição foi fundada pelo antropologo Gilberto Freyre, em 1949, visando ajudar os trabalhadores rurais do Norte e Nordeste. Hoje, é um dos principais centros culturais do Estado.

   A programação de festa começa com café da manhã, às 8h e só encerra à noite com a solenidade de formatura da primeira turma do Mestrado Profissional em Ciências Políticas Públicas e o lançamento do livro O Cotidiano e seus Ritos, do antropólogo baiano Thales de Azevedo.

Confira a programação completa
8h - Café da manhã dos servidores - Hall do Edifício Paulo Guerra, no Campus Gilberto Freyre
9h - Homenagem e entrega de plancas aos funcionários. Encerramento com a exibição de uma vídeo sobre a Fundação - Sala Calouste Gulbenkian
10h - Inauguração das salas dos aposentados e dos profissionais terceirizados da Fundação e um espaço de lazer ao lado do restaurante Solar do Carrapicho
10h30 - Apresentação do grupo Magê Molê - Jardim da Fundaj, em frente ao Memorial Joaquim Nabuco
11h - Solenidade de doação da Coleção Fotográfica do Porto de Suape, feita pela Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco
20h - Solenidade de formatura da primeira turma do Mestrado Profissional em Ciências Políticas Públicas e o lançamento do livro O Cotidiano e seus Ritos, de Thales de Azevedo

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Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)


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