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Viagem poética entre duas cidades irmãs

05-06-2008

Busto do poeta Carlos Pena Filho, um dos favoritos de D'Morais

   Em 2002, o poeta pernambucano Marcos D'Morais passou uma temporada de três meses no Porto, em Portugal, onde realizou pesquisa para seu mestrado em literatura na UFPE, sobre a relação entre a poesia e a música no período medieval. Inebriado com a atmosfera da cidade portuguesa, os cafés, os amigos, a poesia dos novos poetas, a leitura de Florbela Espanca e Fernando Pessoa, Marcos começou a criar versos. Foi o ponto de partida para o livro Recife Porto, que será lançado hoje, às 19h, no Gabinete Português de Leitura.

  "Antes de ir, eu já tinha uma simpatia pela cidade. Como tinha bolsa, a possibilidade de pesquisar para a minha pós-graduação e um amigo que morava lá, não pensei duas vezes", conta Marcos, que já lançou dois outros livros de poesia - Um Poema Musicado (1994) e Expoente (1987).

   Os versos escritos no Porto, como A Vazante, sobre o transbordamento da poesia, e A Devassa, que revela o sexo obsessivo, serviram de pontapé inicial para a produção do livro, que levou dois anos para ficar pronto. "Trabalho muito os versos, aquele processo de decantar mesmo. Mas uma hora o poeta tem que abandonar os poemas senão não acaba nunca", diz o autor.

   As semelhanças entre o Recife e o Porto, cidades-cenários da viagem poética de Marcos, inspiraram o autor. Para ele, as geografias são parecidas. "Além disso, há as igrejas, os azulejos, pois a colonização portuguesa no Recife foi muito marcante. Ambas cidades também são muito líricas, ligadas à veia poética", explica o escritor.

   Mas, para além de paisagens e cenários, sejam literais ou metafóricos, o poeta também escancara a angústia, o amor, a tristeza, a dor e faz reflexões em metatextos, sobre o poema em si. "Todo poeta trata da questão existencial, da vontade de morrer", opina.

   Seus dois poetas favoritos, o pernambucano Carlos Pena Filho e a portuguesa Florbela Espanca, são influências confessas. A musa ganha inclusive uma dedicatória, em O Amor Mora num Soneto ("A tua palavra é a casa/Com música e vinho/Que aquece o estrangeiro"). "Gosto da beleza dos versos de Florbela, a precisão e a clareza, ela tem uma construção muito sólida". Ele também usa a forma por excelência da poeta portuguesa: o soneto. "Apesar de toda a tradição, pois já foi utilizado por poetas dos mais diversos estilos e épocas, o soneto é encantador, pode ser renovado e original", coloca.

   Mas ele também dispõe dos versos livres, que considera uma "forma" mais difícil, mas com estudada disposição visual e, muitas vezes, com lógica métrica.. Recife Porto, que tem prefácio do professor Sébastien Joachin, da UFPE, orelha assinada pelo poeta Alberto da Cunha Melo e traz elogios dos críticos João Alexandre Barbosa e Aloísio de Lemos, tem 78 páginas e custa R$ 15,00. No lançamento, hoje, haverá a apresentação do trio Sonoris Fábrica, que mistura sons eruditos e populares. (Augusto Pinheiro)

Serviço

Lançamento de Recife Porto
De Marcos D'Morais
Quando: hoje, às 19h
Onde: Gabinete Português de Leitura
(R. Imperador Pedro 2º, 290, Santo Antônio)

Pernambuco.com)

 

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