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05-06-2008
Instituto de Cultura foca as ações na multiculturalidade e investe em novas parcerias para não depender exclusivamente do repasse do Governo federal CAROL ALMEIDA Discutir e promover a produção cultural tendo como fundamento a política da diversidade. Assim escrito fica fácil resumir a linha de ação do Instituto de Cultura (IC) da Fundação Joaquim Nabuco, sintonizada com a idéia de multiculturalismo, palavra tão usada hoje por entidades governamentais em seus programas. A proposta, no entanto, está em fase de desenvolvimento embrionário no Instituto de Cultura, tema hoje da matéria que encerra a série sobre os 55 anos da Fundaj. O aniversário é comemorado nesta quarta-feira (ver arte ao lado). Pelo verbo ‘discutir’ subentende-se que a Fundaj começa agora a se perguntar qual é exatamente seu papel dentro daquilo que Isabela Cribari, diretora do IC, chama de “integração cultural”. “Não dá mais pra vender o Nordeste enquanto bloco cultural único. Em nome da regionalização, a gente pode criar um isolamento e o nosso norte é justamente a integração”, define a dirigente. É preciso explicar essa política de intenções para entender de que maneira o IC pretende moldar os próximos projetos e por que é, dos quatro institutos da Fundaj, o que recebe mais atenção do público e mais interesse para trabalhos com recursos recebidos de convênios e parcerias. O mais comentado de todos os novos projetos é aquele que prevê a implantação de um Centro Regional de Tecnologia Audiovisual (CTAV). O projeto, apresentado com pouco menos de um mês depois que Fernando Lyra assumiu a presidência da Fundaj, surgiu como uma idéia de implantar no Recife um local que dispusesse de equipamentos para produtos audiovisuais do Estado, bem como das regiões vizinhas. No entanto, depois de realizadas algumas reuniões com produtores e cineastas no Nordeste, percebeu-se que, na verdade, o CTAV deveria funcionar também como um centro de formação. “Enquanto estrutura do MEC, muito nos interessa servir como pólo de treinamento. Mas não se sabe ainda se realmente será esse o formato que o MinC quer pro CTAV daqui”, explica Cribari. A diretora deixa claro, contudo, que já foi confirmada pelo o secretário de Audiovisual do Ministério da Cultura, Orlando Senna, a vinda do centro para o Recife. Assim como os demais projetos da Fundaj na área, o formato do CTAV faz parte da discussão sobre políticas culturais. E é possivelmente pela promoção de debates que o Instituto de Cultura recebe agora mais subsídios conveniados, que não dependem exclusivamente do Governo Federal. No ano passado, além de manter alianças com a Petrobras, Itaú Cultural, Sesc São Paulo, a Fundaj ampliou o contato com o Governo do Estado e a Prefeitura do Recife, a TV Escola e o Centro Cultural Dragão do Mar. Com a Chesf, nova parceira, firmou convênio para reformar o fisicamente desgastado Cinema da Fundação. As obras deviam começar no início do ano, mas recursos no processo licitatório para o projeto da reforma atrasaram o cronograma. No entanto, como são precisos 90 dias para modificar toda a sala, e como provavelmente o Cinema da Fundação não vai querer suspender o festival Expectativa/Retrospectiva de fim de ano, as mudanças só começaram em 2005. Dentro da proposta de debates plurais do Instituto de Cultura, a Fundaj sedia em novembro o Seminário Produção Cultural e Propriedade Intelectual, que reunirá profissionais do Nordeste. Este encontro não deixa de ser um desdobramento do Seminário Nordeste do Fórum Cultural Mundial, ocorrido em novembro do de 2003 e moveu produtores culturais de toda a região. (© JC Online) Livro discute cotidianos e ritos dos negros no Brasil Como parte das comemorações de aniversário da Fundaj, será lançado hoje o livro-ensaio O Cotidiano e seus Ritos, do antropólogo baiano Thales de Azevedo. Contemporâneo de Gilberto Freyre, Azevedo estudou os hábitos e costumes do brasileiro, em particular dos negros, tal como Freyre.A diferença é que sua obra, ao contrário do trabalho freyriano, aponta o preconceito étnico do brasileiro, apesar da mestiçagem. Azevedo ficou conhecido nos anos 70 pela forte crítica que fazia à suposta democracia racial brasileira. O Cotidiano e seus Ritos, que faz parte dessa perspectiva crítica, será lançado às 19h, na galeria Vicente do Rego Monteiro, em Casa Forte. (© JC Online)
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