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05-06-2008
Ricardo Teixeira inaugura no Instituto Cultural Bandepe uma exposição de pinturas, fotografias e instalações baseadas em textos do jornalista e poeta Não é de hoje que as artes influenciam umas as outras e se interpenetram, numa troca de informações e linguagens que é sempre enriquecedora para os dois elementos culturais em confronto. Um exemplo dessa simbiose está à disposição do público, a partir de amanhã, no Instituto Cultural Bandepe, na exposição Sem Outro Lado. A mostra reúne trabalhos do artista plástico Ricardo Teixeira, elaborados a partir de obras do poeta Orismar Rodrigues, numa junção que se dá em favor de sentimentos poéticos. Ricardo Teixeira lança mão de várias técnicas para investigar visualmente o universo lírico de Orismar. Na exposição, misturam-se fotografias, pinturas, desenhos, esculturas e instalações. Eles formam um conjunto homogêneo pela temática a que recorrem, transpondo para o campo plástico as imagens criadas na poesia. Muitas das obras de Teixeira se colocam como questionadoras da relação entre o homem e o mundo, o espaço e os objetos que o rodeiam. Para isso, em alguns momentos, o artista lança mão de elementos cotidianos para equacionar suas idéias. Uma dessas peças é um gaveteiro do tipo arquivo, muito usado em escritórios. Em diversos pontos da mostra, a geometria rígida e fria do arquivo é contrastada com as formas orgânicas de um corpo humano envolto em um tapete felpudo. Aparentemente, a dualidade entre as linhas exatas do móvel e o traçado orgânico faz referência ao embate das relações difíceis, à impossibilidade que certas coisas tem de se combinar, aos desencaixes amorosos ou de todo encontro de parte inconciliáveis da vida. Graficamente, o efeito também é interessante, embora algumas obras tenham momentos excessivamente esquemáticos e bem comportados para o grau de duelo que pretendem exprimir, principalmente em Sem Lágrimas. Muito bom é o díptico Incredulidade (acrílica, pó de biotita e carvão sobre tela), com pinturas que exploram a noção de distância e a ilusão de proximidade, num mundo em que tudo parece etéreo, perdido e fora do alcance. Outro trabalho que merece uma segunda olhada é Apelo, um objeto de grande apelo visual (sem trocadilhos), composto por uma caixa de madeira, tela de alumínio e facas de plástico e metal. Serviço Exposição Sem Outro Lado, abertura amanhã, às 19h30, na Galeria Superior do Instituto Cultural Bandepe – Av. Rio Branco, 23, Bairro do Recife. Fone: 3224.1110 (© JC Online)
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