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Maurício de Nassau e o seu duplo em metaficção

05-06-2008

 
 

Livro recria a pequena história da ocupação holandesa no Brasil

Augusto Pinheiro
Da equipe do DIARIO

   Sócia efetiva do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, a psiquiatra e escritora Maria Cristina Cavalcanti de Albuquerque despertou para o tema do livro Príncipe e Corsário (editora A Girafa), sobre as contradições e antíteses da personalidade de Maurício de Nassau, a partir de retratos do conde presentes no museu da instituição. "Ele ficava me olhando o tempo todo, falando comigo", diz a autora sobre o estalo para a obra. O livro será lançado hoje, às 20h, no Palácio do Campo das Princesas.

   Estruturada como romance histórico, ou "metaficção historiográfica", como a ela se refere a escritora, a obra é narrada pelo judeu português Gaspar Dias Ferreira, que foi secretário de Nassau no período em que o conde alemão governou Pernambuco, sob a bandeira holandesa, entre 1637 e 1644. Para se sentir apta a utilizar a voz de Gaspar no livro, Maria Cristina realizou ampla pesquisa no rico acervo do próprio instituto, que conta com documentos sobre o Brasil holandês, frutos de viagem que o pesquisador pernambucano José Hygino Duarte Pereira (1846-1901) fez aos Países Baixos em 1885. Entre os documentos analisados está a vasta correspondência de Gaspar, que era tido como velhaco, o "secretário canalha".

   "Foi difícil escrever, pois falo pela boca de um homem. Para fazer isso, o autor tem que sair de si e se encarar na figura de outro narrador. Na psicanálise, é o que chamamos de identificação projetiva", explica a autora. "Às vezes eu me pegava em casa falando como ele".

   O livro, como criou ficcionalmente a autora, surgiu porque Gaspar Dias estava insatisfeito com o trabalho do historiador Gaspar Barleus, "que escreveu sobre o período holandês no Brasil sem nunca ter estado no País". Ele registra ininterruptamente os anos em que conviveu com Nassau e decide publicar o livro, que vem a ser Príncipe e Corsário. Na história criada por Maria Cristina, ele sempre apanhava as anotações de outros personagens no lixo - para justificar a presença desses documentos no livro.

   O título do trabalho respondea uma das indagações da autora ao iniciar a pesquisa: Nassau teria sido príncipe ou corsário? A conclusão a que chegou é que ele representou ambos os papéis. "Ao mesmo tempo em que transformou Recife em uma próspera metrópole, ele estava a serviço do capital judeu holandês", explica a autora, que já lançou dois outros livros, O Magnificat: Memórias Diacrônicas de Dona Isabel Cavalcanti (1990) e Luz do Abismo (1996), ambos sobre a história de sua família, "a primeira do Brasil".

   Príncipe e Corsário, que levou sete anos para ser concluído, incluindo o período de pesquisa, é dividido em oito capítulos, traz vários personagens históricos, como Matias de Albuquerque, que liderou a resistência aos holandeses, e o intrigante frei Manoel Calado, cujo O Valeroso Lucideno e Triunfo da Liberdade foi uma das principais fontes de informação para a autora. Começa três dias após a morte de Nassau, em dezembro de 1675, mas acompanha a volta dele à Holanda e traz suas recordações sobre Pernambuco e o Brasil, com o qual ficou tão identificado que na Europa era conhecido como "o brasileiro". "A metaficção histórica é boa quando trata da 'pequena história', aquela dos detalhes, da testemunha ocular, que é muito diferente da história oficial, que serve para honrar os vencedores", diz.


   Romance é narrado pelo português Gaspar dias Ferreira, que foi secretário do conde alemão quando ele governou pernambuco

Serviço

Lançamento de Príncipe e Corsário
De Maria Cristina Cavalcanti Albuquerque
Editora Girafa, 312 págs., R$ 36,00
Quando: hoje, às 20h
Onde: Palácio do Campo das Princesas (pça. da República, s/nº, Santo Antônio)

Pernambuco.com)


Maurício de Nassau inspira mais um romance histórico

Maria Cristina Cavalcanti de Albuquerque lança, hoje, O Príncipe e o Corsário, cuja trama é fundamentada na correspondência do secretário do conde holandês

   A personalidade do Conde Maurício de Nassau continua a despertar bastante curiosidade. Depois que Telma Bittencourt de Vasconcelos, na sua biografia de Anna Paes, revelou detalhes do envolvimento do nobre com a dona do engenho que deu o nome a Casa Forte, agora é a vez da escritora Maria Cristina Cavalcanti de Albuquerque se debruçar na vida de Nassau.

   O seu romance O Príncipe e Corsário (Editora Girafa), que relata a ‘pequena história’ (ou seja: aquela que escorrega dos livros escolares) da sua passagem por Pernambuco, tem noite de autógrafos hoje, às 19h, no Palácio do Campo das Princesas.

   A trama é narrada durante o período de 1637 a 1644, quando o conde João Maurício de Nassau-Siegen, contratado pela Companhia das Índias Ocidentais, governou o território de Pernambuco, então sob o controle dos holandeses.

   Sua principal missão: romper o monopólio comercial espanhol do Atlântico, o que na prática implicava interceptar navios da Espanha e conquistar terras no novo continente. Mas Nassau vergou-se pelo imprevisto e apaixonou-se pelas terras brasileiras. Assim, procurou sempre fazer um governo de conciliação, defendendo a liberdade e os interessees dos conquistados.

   O personagem escolhido pela autora para ser o narrador do romance é o judeu-português Gaspar Dias Ferreira, primeiro-secretário do conde e também o seu homem de confiança. Fundamentada pela correspondência enviada à Europa desse grande articulador político, Maria Cristina recria a vida de um personagem de índole duvidosa, mas de uma ironia sagaz e que acaba rendendo um olhar diferenciado da vida no Brasil daquele século 17.

JC Online)

 

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