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05-06-2008
Espetáculo dirigido por Moncho Rodriguez, que estreou com sucesso no Festival de Inverno de Garanhuns, é encenado em Triunfo e Olinda esta semana DIANA MOURA BARBOSA Todo mundo sabe como começa a vida, mas ninguém sabe o que existe quando ela acaba. É sobre as incertezas do que há de mais certo no mundo que versa Caetana, peça de Weydson Barros e Moncho Rodrigues, com Lívia Falcão e Fabiana Pirro no elenco. O espetáculo estreou com sucesso no último Festival de Inverno de Garanhuns e será visto em Triunfo, dentro da programação do Circuito do Frio, antes de ser mostrado em Olinda, no próximo sábado. Desde a abertura, a encenação já consegue ativar a curiosidade do público. No início, velas vão sendo acesas em cena, enquanto o cenário é percebido aos poucos. Daí em diante, o espetáculo só faz ressaltar esse clima de leveza sobre as trevas, usando de claridade e humor para falar sobre o indizível. Além de assinar o texto em parceria com Weydson, Moncho cuidou da concepção do cenário, figurino, adereços, bonecos e iluminação, sem contar a direção geral. Apenas a boa trilha sonora não ficou sob sua responsabilidade, realizada por Narciso Fernandes. Já à primeira vista, a partir dos elementos visuais em cena, o público percebe logo que Caetana bebe em fontes medievais, passeia pela farsa, apropria-se de elementos da comédia mambembe e se aproxima do universo do dramaturgo Ariano Suassuna, explorando a precariedade como um valor positivo, o medo como virtude, a angústia como humor e os titubeios como elementos capazes de desarticular o racionalismo. Benta, vivida por Lívia Falcão, excelente em cena, é uma rezadeira que atua em velórios, encomendando as almas dos mortos. Um dia, ela se depara com Caetana, a morte, que se considera uma espécie de companheira de trabalho de Benta. Acontece que a rezadeira não parece muito disposta a se render aos encantos da ‘amiga’. Principiam aí os desencontros entre ambas, num jogo de rimas, trocadilhos e vaivéns que conquistou a platéia do Festival de Inverno e arrebatou muitos aplausos. As inúmeras tentativas de Benta para driblar a morte podem ser comparadas tanto aos arrodeios matreiros de João Grilo (de O Auto da Compadecida) quanto a inúmeros personagens de histórias de cordel que se especializam em enganar o diabo, os santos e outros seres maravilhosos do gênero. RICA FONTE – O texto costura o tempo todo essa relação entre a arte popular e a erudita, indo buscar referências tanto em questionamentos filosóficos sobre a morte quanto em crenças populares. Muitas citações se misturam à narrativa, mas são agregadas com naturalidade e pertinência ao tema tratado. A arte de somar textos alheios à uma peça teatral diz respeito à incessante busca do equilíbrio. Se errar a mão para mais, o autor corre o risco de soar pedante, se errar para menos, pode atentar contra a inteligência da platéia. Nada disso acontece em Caetana. Diante da impossibilidade de ser original ou, mais apropriadamente, inédito ao tratar de um tema como a morte, Weydson e Moncho recorrem sem medo à longa tradição literária sobre o assunto. É assim que a mitologia grega e o mito de dom Sebastião (de quem nunca se confirmou a morte) entram no percurso de Benta, que além de contracenar com Caetana, dialoga também com muitos personagens dos quais ela encomendou almas. Eles surgem do mundo dos mortos para trazer mais questionamentos e dúvidas para a rezadeira, confrontando suas certezas sobre o mundo dos vivos também. Serviço Caetana – estréia sábado, no Mercado Eufrásio Barbosa, Olinda, às 20h, com entrada gratuita. O espetáculo será visto sempre em espaços públicos (© JC Online)
O silêncio de Deus
Ivana Moura
Ao completar 86 anos na semana passada, o
cineasta e dramaturgo sueco Ingmar Bergman rompeu o silêncio com uma
declaração surpreendente. Ele concedeu entrevista ao Dagens Nyheter, um dos
principais jornais da Suécia, declarando seu amor ao teatro e afirmando que
o cinema pertence ao território "da prostituição e da carnificina". O
lendário diretor de O Sétimo Selo confessou que para ele o teatro "é o
começo e o fim e, de fato, o tudo". Determinadas cenas pulsantes sim, senhor
cineasta. Uma dessas manifestações pode ser conferida amanhã à noite, às
21h, no Teatro do Parque, com o espetáculo Deus Danado, um texto do
dramaturgo potiguar João Denys escrito há pouco mais de dez anos. O texto de
Denys faz parte da chamada Tetralogia do Seridó, composta pelas peças A
Pedra do Navio, Flores D'América e Os Pés Feridos D'América. Espetáculo Deus Danado Quando: Amanhã, às 21h Onde: Teatro do Parque (Rua do Hospício, Boa Vista) Quanto: R$ 20,00 e R$ 10,00 (© JC Online)
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