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Arqueóloga quer museus a céu aberto no sertão

05-06-2008

Parque da Capivara, no Piauí

 

Pesquisadora busca apoio para transformar sítios arqueológicos do Nordeste em pontos de estudo e visitação

Beatriz Coelho Silva

   A arqueóloga Maria Beltrão quer espalhar museus de pré-história no sertão baiano, ao redor do Rio São Francisco, onde existem sítios com material datado de 11 mil a 270 mil anos (Período Pleistoceno). O primeiro foi aberto em 1995, em Central, na margem direita, e o próximo será inaugurado no mês que vem, em Angical, do outro lado do rio.

   Até 2006, virão os de São Desidério e Luiz Eduardo Magalhães, também na margem direita. No fim da semana, ela viaja para lá. Antes disso, nesta quarta-feira, recebe o título de Chevalier des Arts et des Lettres, maior comenda do Ministério da Cultura da França, pelo trabalho no Museu Nacional da Quinta da Boa Vista. Os museus serão unidades avançadas de pesquisas da instituição.

Recursos

   A descoberta desses sítios, nos anos 80, permitiu contar como era o Brasil milênios atrás. Numa área que vai da Chapada Diamantina à divisa com o Tocantins, foram achados ossos e desenhos rupestres de animais pré-históricos, além de artefatos fabricados pelos ancestrais do homem que viviam na região. Foi ainda possível restabelecer parte do cotidiano.

   No primeiro museu, o de Central, há painéis com reproduções desses animais e parte do material encontrado. Para o de Angical, ela recebeu R$ 60 mil do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) e da Agência Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A manutenção e os funcionários serão pagos pelos governos locais.

Arqueologia histórica

   "Contamos com o apoio das prefeituras, que são o esteio de qualquer pesquisa arqueológica. Há muitos anos defendo que cada município tenha um arqueólogo, pois só assim os sítios serão preservados", diz Maria Beltrão.

   Além de contar a pré-história, ela pretende também, nesses museus, incluir o que ela chama de arqueologia histórica, ou seja, recriar a vida das pessoas após a invenção da escrita ou, no caso do Brasil, depois da chegada dos portugueses.

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Caatinga terá seu primeiro banco de dados

O Banco de Dados para o Bioma Caatinga, com 40 gigabytes de informações, deve ser lançado no início de setembro

Herton Escobar

   São Paulo - Um grande banco público de dados será inaugurado nas próximas semanas reunindo todo o conhecimento científico e socioeconômico disponível sobre o bioma da caatinga, que cobre 70% da área do Nordeste. O objetivo principal do banco é servir como instrumento de políticas públicas para o desenvolvimento sustentável.

   "Antes de fazer qualquer coisa, precisamos ter conhecimento", diz a presidente do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Caatinga e secretária-executiva do Meio Ambiente de Pernambuco, Alexandrina Sobreira. "Tínhamos muita informação, mas todas elas desagregadas."

   Segundo ela, é a primeira vez que um projeto desse tipo trabalha com o bioma, e não com a região. "A caatinga é subconsiderada em muitas políticas públicas. É hora de chamarmos a atenção para o bioma com dados, não só pela sua beleza ou pobreza."

   O Banco de Dados para o Bioma Caatinga, com 40 gigabytes, deve ser lançado no início de setembro. Dois grupos iniciais estão sendo treinados para usar o serviço, que combina uma variedade de textos, mapas e tabelas com dados socioeconômicos, culturais, geográficos e ambientais - desde um cadastro de poços artesianos até um catálogo de espécies vegetais e animais.

   Só de mamíferos são 148, das quais 10 só existem na caatinga.

   Segundo o pesquisador José Maria Cardoso da Silva, a caatinga é um bioma cercado de mitos, que só agora estão sendo derrubados. "Pensava-se que era um ecossistema homogêneo, pobre em espécies e pouco alterado pelo homem. Mas não é nada disso", afirma Silva, vice-presidente da organização Conservação Internacional e co-editor de dois grandes livros sobre a caatinga.

   Estima-se que 400 mil hectares são desmatados anualmente no bioma.

   O banco de dados é resultado de uma parceria entre a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente de Pernambuco, o Ministério do Meio Ambiente e o conselho nacional da biosfera.

estadao.com.br)

 

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