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Missa do Vaqueiro cumpre tradição e emociona fiéis

05-06-2008

Missa relembra assassinato de Raimundo Jacó, no Sertão do Estado

Mariana Dantas
Do JC OnLine

   SERRITA - A 34ª Missa do Vaqueiro cumpriu a tradição e reuniu, na manhã deste domingo (25), cerca de 500 vaqueiros. Montados nos seus cavalos, vestidos com o tradicional gibão, botas, colete e chapéu de couro, os vaqueiros emocionaram o público, oferecendo as indumentárias de trabalho para pedir proteção e louvar o amigo Raimundo Jacó, assassinado em 1954 nas caatingas do Sítio das Lages, distrito de Serrita, a  544 km do Recife.

   A missa acontece sempre no terceiro domingo do mês de julho, no mesmo local onde o vaqueiro foi assassinado, que hoje abriga o Parque Estadual João Câncio. "A cada missa a emoção é mais forte. Enquanto viver, não vou deixar de homenagear o homem do Sertão", afirmou Pedro Bandeira. Ele, junto com o padre João Câncio e o rei do baião Luiz Gonzaga, primo de Raimundo Jacó, é o criador de um dos um dos atos religiosos mais famosos do Sertão pernambucano.

   Com um público sempre crescente, a Missa do Vaqueiro atraiu aproximadamente 40 mil pessoas este ano. A programação foi iniciada na sexta-feira (23), com a apresentação de vários grupos de forró. "A programação profana gerou uma movimentação econômica de aproximadamente R$ 500 mil para município que possui 19 mil habitantes", disse o prefeito de Serrita, Carlos Cecílio.

* A repórter viajou a convite da Empetur

JC Online)


MISSA DO VAQUEIRO

   A Missa do Vaqueiro é um evento religioso, tradicional na cultura popular do sertão pernambucano.

   Esta celebração teve origem a partir do desaparecimento do vaqueiro Raimundo Jacó, um vaqueiro de muita coragem do Sertão nordestino, que foi assassinado traiçoeiramente nas caatingas do Sítio das Lages, distrito do município de Serrita, localizado no alto sertão do Araripe, localizado a 553 quilômetros do Recife.

   A primeira missa em sua memória foi idealizada pelo Rei do Baião, Luiz Gonzaga cantor e compositor pernambucano, e rezada pelo padre João Câncio dos Santos em 1971. Celebrada sempre no terceiro domingo do mês de julho, ao ar livre, num local onde foi construído um altar de pedra rústica em forma de ferradura. É neste dia que se reúnem vaqueiros de vários estados do Norte e Nordeste e se confraternizam diante da fé cristã.

   A ideologia cristã da missa é um ato de fé do homem sertanejo, que apesar de ser um povo sofrido, não perde jamais a esperança de dias melhores.

   Eles sobem até o altar e fazem suas oferendas com peças de sua indumentária de couro, arreios, e instrumentos usados no pastoreio do gado. Durante o ofertório eles improvisam versos de aboio sobre cada peça ofertada.

   Os vaqueiros são homens sertanejos, boiadeiros de perdidas caatingas. Chegam montados nos seus cavalos, vestidos de gibão, botas, coletes e chapéu de couro enfeitado, trazendo no semblante a bravura do homem sertanejo.

   Esta é uma homenagem feita não apenas ao grande vaqueiro Raimundo Jacó, mas a todos vaqueiros nordestinos corajosos que desafiam a imensidão, a seca, a fome e o perigo do grande Sertão nordestino.

   Na semana que antecede a celebração da missa, o município de Serrita vive um clima de festa folclórica, com vaquejada, banda de pífanos, zabumbeiros, sanfoneiros tocando forró pé-de-serra, baião, xote , xaxado, ciranda, coco, cantorias, repentistas, aboiadores, além da feirinha típica, onde são expostos objetos artesanais e decorativos, comidas tradicionais à base de milho e mandioca, rapadura, caldo de cana , beijus, entre outras.

   O objetivo principal da Missa do Vaqueiro é mostrar, através da figura do vaqueiro Raimundo Jacó, a bravura, a dedicação e a fé do homem sertanejo. Valorizando a cultura popular e o rico artesanato nordestino.

Fontes consultadas:
BARRETO, José Ricardo Paes; LAPENDA, Ana Lúcia ; SETE, Nilza Maria Nunes. A Missa do Vaqueiro: uma abordagem cultural. Recife: Apipucos, 1990. 98p.

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