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05-06-2008
SHIN OLIVA SUZUKI "Eu quero ver/ quando Zumbi chegar/ o que vai acontecer", cantava um Jorge Ben ainda distante do Jor em meados dos anos 70. Revolução? Sim, mas a que a Nação Zumbi propôs já foi feita há dez anos. Comparado a Jorge Ben (Jor), seu projeto tem mais a ver com descompromisso e festa. Jorge du Peixe, Lúcio Maia, Dengue, Pupilo e Da Lua, mais da metade da Nação Zumbi, vêm explorando, sob o nome de Los Sebosos Postizos, a lavra das duas primeiras décadas de carreira de Ben Jor em shows já manjados no circuito recifense. Depois de Curitiba e Rio, SP terá amanhã e sábado duas apresentações do projeto. O descompromisso dos Sebosos Postizos é a leveza que geralmente caracteriza os projetos paralelos. "É simplesmente a idéia de levar para o palco o que você gosta de ouvir no dia-a-dia, a idéia de se divertir nas brechas da Nação Zumbi", afirma Du Peixe, vocalista nos dois grupos. "Era algo comum na banda ouvir Jorge Ben, e começamos a tirar os clássicos dele, sem pretensão de rearranjar ou tentar atualizar." Já o esquisito nome do projeto não surgiu influenciado por "África Brasil" ou "Samba Esquema Novo". Los Sebosos Postizos remete a um conjunto de referências: "Boogie, o Seboso", quadrinhos do argentino Roberto Fontanarrosa; o guitarrista avant-garde de Nova York Marc Ribot, que se aventurou no afrocuban-soul com o grupo Los Cubanos Postizos; e a gíria recifense "seboso", que significa "um cara sem escrúpulos, no extremo da marginalidade. Alma sebosa é um cara que não vale nada", explica Du Peixe. "Mas, no caso, não somos sebosos, somos postiços", brinca. Embora Jorge Ben Jor domine o repertório do show, ainda há
homenagens ao jamaican soul de Horace Andy e à sacana "Je T'Aime... Moi Non
Plus", do francês Serge Gainsbourg, que não deixa de remeter ao nome do
projeto. NOITES DO BEN - LOS SEBOSOS POSTIZOS. Onde: Sesc Pompéia -choperia (r. Clélia, 93, SP, tel. 0/xx/11/ 3871-7700). Quando: sexta e sábado, às 20h30. Quanto: de R$ 5 a R$ 15. (© Folha de S. Paulo) É a vez da MBB: música brasileira "do Ben" Ramiro Zwetsch Jorge Ben é saudado por toda a MPB - de Charlie Brown Jr. a Elza Soares, DJ Marky e Marisa Monte. O culto ganha força com o show de Los Sebozos Postizos, no Sesc, hoje e amanhã
São Paulo - Pouco importa se já são nove anos sem um disco de inéditas. Não interessa se ele não quer mais saber de tocar violão. O Jorge da fase "só Ben" parece ser a referência mais abrangente e penetrante de toda circunferência da música brasileira contemporânea. Só nos últimos cinco anos, ele foi gravado por Caetano Veloso, Só Pra Contrariar, Charlie Brown Jr., Elza Soares, Mundo Livre S/A, DJ Marky, Seu Jorge, Milton Nascimento, Marisa Monte, Racionais MCs e até pela nova banda de Paulo Ricardo, PR.5. Alguns foram agraciados com músicas inéditas, mas a maioria preferiu regravar faixas dos primeiros discos do compositor. Músicas do período ainda distante do acréscimo do "Jor" ao nome artístico, e também de sua cisma com as seis cordas acústicas. São dessa fase todas músicas do repertório da Noite do Ben - projeto do grupo Los Sebozos Postizos, formado por quatro integrantes da Nação Zumbi, que acontece nesta sexta e sábado na choperia do Sesc Pompéia. Vem de lá também a faixa Eu Vou Torcer, regravada agora por Fernanda Abreu em seu novo disco Na Paz. Se Ben ainda é reverenciado por sua batida única no violão - chamada de samba-soul ou samba rock -, Ben Jor só quer saber de tocar guitarra. Essa constatação ganhará força na semana que vem com a chegada de Reactivus Amor Est (Turba Philosophorum), o novo álbum do Jorge. Embora não tenha saído ainda, não passa pela cabeça de ninguém que o CD possa trazer o saudoso suingue de seu violão percussivo. Só para convencê-lo a tocar o instrumento no Acústico (em 2002), os diretores da MTV tiveram de gastar a saliva. "Quando ele gravou Malungo (música da Nação Zumbi) com a gente, falou que já estava de saco cheio dessa cobrança em relação ao violão. Disse que aquilo era novo para época e que não faz mais sentido atualmente. Até acho que ele está certo, embora ninguém toque violão como ele", observa Lúcio Maia, guitarrista da NZ e dos Los Sebozos Postizos. "Embora todo mundo grave Jorge Ben hoje em dia, a gente procura tocar pérolas tipo Homem Da Gravata Florida e Rosa, Mas Que Nada na Noite do Ben. São músicas que, talvez, nem ele mesmo tenha tocado ao vivo. E a gente deu uma envenenada nos arranjos." Além de cerca de vinte músicas do Ben, Los Sebozos também fazem versões para músicas de jamaicanos como Horace Andy. "O finalzinho é para esfriar. Rola algo em torno de 1h40 de Jorge Ben e depois damos uma refrescada com outras releituras", diz Lúcio. "Algumas pessoas vão à Noite do Ben esperando coisas da Nação Zumbi, mas a gente não toca e o público vai se acostumando". Noite do Ben com Los Sebozos Postizos. Sexta e sábado, às 20h30, na choperia do Sesc Pompéia (R. Clélia, 93. Tel. 3871-7700). R$ 15. (© estadao.com.br)
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