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O estrangeiro

05-06-2008

Caetano Veloso, na foto reverenciando Sandy

 

Áudio
» Caetano Veloso - It's alright, ma (I'm only bleeding)
» Caetano Veloso - Come as you are

   Foreign Sounds é um disco que Caetano Veloso pensava em fazer desde o exílio londrino (de 1969 a 72), mas que só resolveu realizá-lo este ano (chegou às lojas em abril passado). O show Foreign Sounds recebeu elogios rasgados do The New York Times, onde o álbum foi, relativamente, bem vendido.

   No Brasil figurou entre entre os cinco de maior vendagem, apesar do repertório ser composto, em sua maioria, por standards de canções americanas, temperados com hits da era do rock, e uma anti-canção do DNA (grupo integrado por Arto Lindsay). Depois de rodar o Brasil, o show Foreign Sounds aporta finalmente no Recife, uma das poucas grandes capitais do País onde ainda não tinha sido mostrado. Caetano Veloso e orquestra apresentam-se na Classic Hall, às 22h. Por telefone, do Rio, o artista concedeu entrevista ao JC.

JOSÉ TELES

JORNAL DO COMMERCIO – Quando Foreign Sounds foi lançado, você comentou que esperava que o CD suscitasse algum interesse enviesado, não muito mais que isso. No entanto, o disco e show foram elogiados nos EUA, e no Brasil está sendo bem vendido. Isto lhe causou surpresa?

CAETANO VELOSO – Fiquei muito pouco surpreso, porque não houve um acontecimento de sucesso. O show em Nova Iorque teve um bom público, mas foi visto por um povo que gosta de mim. A crítica também foi elogiosa porque levamos um show bem feito, bem iluminado, com uma boa orquestra. O New York Times não tinha porque falar mal. Sou um artista de que eles gostam, os elogios enfim foram mais para mim.

 

JC – Como tem sido a reação da platéia no Brasil. Afinal o repertório é formado por canções em inglês, que muita gente não conhece, e nem entende as letras.

CV – O público assiste calado, e vai sendo conquistado, pela beleza das canções, dos arranjos, de um show bem montado. Mas claro que sei que muitos não conhecem as músicas, não entendem as letras, como eu também não entendo canções em inglês assim que as ouço. Porém já nos apresentamos no Brasil inteiro, e ninguém até agora pediu para que eu cantasse Sozinho, a música de Lisbela, ou Leãozinho.

 

JC – Há pessoas reclamando do preço dos ingressos. Você tem idéia de quanto custam?

CV – Não tenho muito idéia do preço dos ingressos não. Em Brasília soube que houve protestos por causa disto. Mas lá se podia pagar meia-entrada, havia descontos para quem levasse um agasalho, então a reclamação não tinha tanta procedência. Seja como for, os shows até agora vêm acontecendo de casa cheia.

 

JC – O show é aberto com Não tem tradução, de Noel Rosa. A música é um espécie de comentário sobre o repertório?

CV – É um comentário irônico. A música de Noel, da década de 30, é um comentário crítico desta invasão da cultura americana no Brasil. Além de duas canções americanas que não entraram no disco, canto outras em português que têm a ver com o tema do show, Brasil Pandeiro, de Assis Valente, e duas músicas minhas, Estrangeiro e Diferentemente, que comenta a política americana e que termina com a frase ‘Diferentemente de Osama e Condoleezza Rice, eu não acredito em Deus”.

 

JC – Mudando um pouco de assunto, você que sempre fez e cantou sambas, como está vendo esta revalorização do samba carioca que está acontecendo agora?

CV – Considero uma coisa muito boa. Tudo é muito bom, Tereza Cristina, todo aquele movimento que está havendo na Lapa. O disco novo de Dona Ivona Lara. Aliás, é uma coisa que falo durante o show, meu desejo de gravar um disco de sambas. Mas sambas feitos por mim, experimentais.

 

JC – Este disco, quando começará a ser gravado?

CV – Não sei. Fiz apenas um samba até agora. Este que falei, Diferentemente.

 

JC – Quando lançou Foreign Sounds você disse que o fez porque poderia fazer qualquer coisa. O que seria esta “qualquer coisa”?

CV – Sou um velho, e ao velho se pode permitir qualquer coisa. Quer dizer, sou um velho com muito histórico. Ou seja, se eu fizer uma coisa ruim, as pessoas vão comentar que eu já fiz muita coisa boa e agora estou fazendo isto. Se fizer uma coisa convencional, lembrarão que eu já fui iconoclasta. Se fizer algo experimental, aí dirão que eu continuo o mesmo. Claro que não quis dizer que tenho o direito de fazer qualquer coisa. O comentário, na realidade, é um auto-desprezo.

 

JC – Nos anos 60, Mick Jagger declarou que não conseguia se imaginar cantando rock, num palco, com 40 anos. E você, como vê isso. Já pensou alguma vez em deixar os palcos?

CV – É, ele já fez 60 e continua. Pensar, eu penso, mas nunca disse esta bobagem que Mick Jagger falou. Eu gosto muito de fazer show, de cantar, é o melhor da carreira, não me agrada o resto.

Foreign Sounds, com Caetano Veloso e Orquestra, hoje, na Classic Hall, 21h. Mesas (para quatro pessoas): setor prêmio: R$400, Setor Vip: R$300, 2º e 3º pisos: R$240, 4º e 5º pisos: R$240 e R$200. Camarote (para dez pessoas): 1º piso: R$800 2º piso: R$700 3º piso: R$600

JC Online)


Caetano também canta o Brasil

Repertório do show A Foreign Sound, no palco do Classic Hall, inclui canções brasileiras

Michelle de Assumpção
Da equipe do DIARIO

   No show A Foreign Sound, que Caetano Veloso mostra hoje à noite, em única apresentação no Classic Hall, o repertório não se fará apenas de músicas estrangeiras, ou alienígenas, como o artista já classificou o set. Canções brasileiras que passaram pelo filtro do tropicalismo e da bossa nova, foram selecionadas para o repertório do show. O artista, acompanhado de orquestra de 21 figuras e banda dirigidas por Jacques Morelenbaum, evoca a expressão "jeitinho" para definir o show, um meio de dizer que as canções brasileiras entraram para incrementar o conceito do espetáculo. Nele, estão os standards americanos e canções antigas suas e de outros compositores brasileiros, que de alguma forma evocam à língua estrangeira.

   Caetano abre o show com o bem-humorado protesto de Noel Rosa Não tem tradução, de 1933. "E essa história de alô, boy, alô, Johnny/ só pode ser conversa de telefone", diz a música. Segundo Caetano, é o mesmo que ele fez no show Fina Estampa, há dez anos, quando mesclou canções hispano-americanas comoutras de, por exemplo, Orlando Silva e a primeira canção composta por João Gilberto, Você esteve com meu bem?. Segundo conta, ia ao germe da bossa nova, que era o filtro pelo qual via tudo aquilo.

   CONTRAPONTO - Em Foreign Sound, ele repete a fórmula, dialogando com a tropicalista Baby, com seus versos Baby, I love you, com a baba Diana, do canadense Paul Anka. Numa forma de relacionar o poder de sedução acachapante que as músicas americanas do disco têm com as músicas brasileiras, ele vai de Brasil Pandeiro, Mamãe eu Quero. É preciso entender seus motivos...

   O roteiro segue assim torto para alguns, totalmente coerente para outros. Em todas as cidades por onde o circuito tem passado, as pessoas não saem indiferentes. Antes do Recife, o show, que estreou em São Paulo, passou pelo Rio, Nova York (onde segundo Caetano a crítica pela primeira vez não se rendeu totalmente ao seu talento, apesar das palmas longas e calorosas no Carneggie Hall), São Paulo, Salvador, Curitiba, Porto Alegre e Belo Horizonte. Quem já ouviu o disco, sabe das versões que Caetano imprimiu a canções como Come as You Are, de Kurt Cobain, mais para o samba; e também It's All Right, de Bob Dylan. Adeus Batucada, de Synval Silva, gravada por Carmen Miranda, também está no roteiro. Bem como sua obra prima, O estrangeiro.

Serviço

Caetano Veloso
Quando: hoje, a partir das 21h
Onde: Classic Hall
Quanto: Mesas entre R$ 200,00 e R$ 400,00. Já os camarotes para dez pessoas vão de R$ 600,00 a R$ 800,00. Informações: 3427.7500.

Pernambuco.com)

 

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