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01/08/2004
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Feijão à venda na feira de Caruaru |
Processo começou na
semana passada e local será registrado como patrimônio imaterial da
cultura
Jailson da Paz
Da equipe do DIARIO
Se existe um lugar em que é possível
comprar quase tudo que existe no mundo, certamente, não são os modernos
shoppings centers ou grandes magazines. A afirmação pode parecer uma
heresia para as gerações das grandes cidades, porém não é no imaginário
popular de muitos pernambucanos. Afinal, cresceram ouvindo na voz de Luiz
Gonzaga que "De tudo que há no mundo tem na Feira de Caruaru". Verdade ou
folclore, a crença expressa nos versos do poeta Onildo Almeida espalhou-se
pelos quatros cantos do País. Ganhou o exterior. E resultará em um feito
único: a Feira de Caruaru será o primeiro lugar - lugar entendido como
ponto onde há inúmeros bens culturais - do País a ser registrado como
patrimônio imaterial da cultura brasileira. O processo, equivalente ao de
tombamento, começou a ser feito na semana passada pelo Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
"Sempre que pensamos em um lugar a ser registrado, a feira surgia como
referencial", destacou Ana Gita de Oliveira, gerente nacional de
Identificação do Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan. Nas
últimas terça e quarta-feiras, ela esteve no Recife para comandar o
treinamento da equipe responsável pelo levantamento dos dados da feira. Os
técnicos - antropólogos, historiadores, cientistas sociais - farão a
primeira visita a Caruaru no próximo sábado. "A preocupação é trabalhar
além das obras de pedra e cal. É mergulhar em bens de natureza processual
e dinâmica", justificou. A feira cabe como uma luva nesse sentido. Ao
longo dos próximos meses, os profissionais farão um inventário do que se
produz, expõe e vende naquele ponto da cidade. A meta é registrar desde os
bonecos de barro aos cordelistas, passando por artigos de couro, rendas,
bordados e emboladores. A meta é registrar desde os bonecos de barro aos
cordelistas, passando por artigos de couro, rendas, bordados e
emboladores.
Com o registro, argumentou o superintendente regional do Iphan,
Frederico Almeida, não se quer interferir na dinâmica da feira. A proposta
é garantir que os bensculturais continuem a existir. "Nada será imposto.
Escutaremos, negociaremos e, em cima de critérios e de forma conjunta,
prentemos elaborar um plano de salvaguarda", completou Ana Gita. Muito há
por ser feito até se chegar ao plano. Os dados serão coletados até
dezembro, devendo-se em 2005 se aprofundar as informações. Somente com
isso é que se fará o registro. A estimativa é concluir o processo no
começo de 2006. Caso seja necessário, o Iphan tombará imóveis. O
tombamento no Brasil existe desde 1937, enquanto o registro vem sendo
executado há dois anos.
De lá para cá, o Iphan fez dois registros de patrimônio imaterial. O
ofício das paneleiras do bairro de Goiabeira, em Vitória (Espírito Santo),
registrado no Livro dos saberes e modo de fazer. O outro foi a arte
gráfica Kusiwa dos índios Wajãpi, no Amapá, especificado no Livro das
formas de expressão. Existem mais dois livros: o de lugares, onde a feira
se encaixará, e o de celebrações, no qual poderá ser incluído a Festa do
Círio de Nazaré, em Belém (Pará). Paralelamente ao processo de Caruaru, o
Iphan começará o das comunidades Quilombolas em Pernambuco. Ao se
registrar tais patrimônios, reconhece Ana Gita, ajuda-se a preservar não
apenas o valor imaterial. "Os bens culturais ganham visibilidades e se
produz auto-estima nas pessoas e grupos envolvidos com a manifestação
cultural".
(Antropólogos, historiadores e cientistas sociais
farão a visita à cidade no próximo sábado para iniciar inventário do que
existe na feira)
(©
Pernambuco.com)
Comércio deu origem à cidade
A escolha da feira não foi por acaso.
Do ponto de vista das ciências, o processo de registro encontra respaldo.
Afinal, a história da cidade e da feira, hoje com mais de 15 mil bancos
cadastrados, se confunde. Conta-se que Caruaru surgiu a partir da feira de
gado, no século XVIII. Organizada em terras da Fazenda Cururu, de José
Rodrigues de Jesus, o ponto de negócio tornou-se obrigatório para quem
pretendia cruzar do Sertão ao Litoral.
"Revendo a história das sociedades, é evidente a importância dos núcleos
comerciais - feiras em sua maioria. Não apenas como propulsores da economia,
mas também de difusão de valores, modos de pensar e fazer", analisou o
diretor de Documentação da Fundação Cultural, Walmiré Dimeron Porto. Na
Capital do Agreste, a história foi assim. "Quem vai à feira percebe a
riqueza do lugar. Encontramos agricultores, cantadores, artesãos e doutores.
O registro vai ajudar a imortalizá-la", disse Socorro Maciel, presidente da
fundação, frequentadora da feira desde criança. "Ganhava boizinhos de barro
do Mestre Vitalino", recordou. A feira, além de artesanato, coloca à
disposição dos compradores frutas, verduras, brinquedos, roupas. Os seus
melhores dias são a quarta-feira e o sábado, mas abre durante toda a semana.
"É tanta coisa, que faz gosto a gente vê", afirmou o feirante José Moreno
dos Santos, 70 anos e há quase 30 tirando sustento do local. Agricultor nos
primeiros anos de vida, Moreno negocia rendas e bordados. A poucos metros de
sua barraca, Leonice Maria da Silva, 32, vende bolsas de couro. "Algumas
peças a gente compra, mas algumas a gente faz", contou, revelando que a
feira além de ser responsável pela manutenção da família funcionou como
espécie de Cupido. "Foi aqui que conheci o meu marido". Leonice é casada com
José Clênio Ferreira de Lima, 32 anos e desde os 13 trabalhando no local. Os
passos de Lenira Moura da Silva e Maria José da Silva são praticamente os
mesmas de Moreno e Lenira. "Nesse lugar, a gente ganha dinheiro, ri, chora,
faz amigos. Não poderia contar minha vidasem falar da feira", argumento
Lenira.
(©
Pernambuco.com)
Muralha do Recife será preservada
como patrimônio
Construída no período da ocupação holandesa no
século 17, a muralha será preservada como patrimônio arqueológico
Brasília -
Uma muralha construída no bairro do Recife Antigo,
no período da ocupação holandesa, no século 17, será preservada como
patrimônio arqueológico para visitação pública. A iniciativa integra o
projeto "Muralhas do Recife", que vem sendo implementado pela Universidade
Federal de Pernambuco (UFPE), em convênio com a prefeitura da capital
pernambucana.
A idéia é construir um museu no local, para colocar em
exposição os achados arqueológicos encontrados durantes as escavações. O
projeto, que vai demandar investimentos de R$ 55 mil da prefeitura e da
universidade, tem previsão de conclusão da primeira e tapa das obras para
novembro deste ano.
Em 2001, uma parte das muralhas que cercavam e protegiam o
bairro do Recife, no século 17 , foi encontrada durante implantação do
programa Luz e Tecnologia, que tinha como objetivo embutir a fiação da rede
de iluminação pública e privada, para retirar postes e reduzir a poluição
visual no bairro. ( Agência Brasil)
(©
estadao.com.br)
Com relação a este tema, saiba mais
(arquivo NordesteWeb)
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