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01/08/2004
ABC Musical se firma como
expressão além do social
Michelle de Assumpção
Da equipe do DIARIO
O projeto ABC Musical - um dos
maiores sonhos musicais do percussionista Naná Vasconcelos - deve virar um
DVD. A mais recente edição do programa, que aconteceu durante dois dias da
última semana, no teatro de Santa Cruz, em São Paulo, foi devidamente
registrada por quatro câmaras e áudio digitais. "Estou muito feliz, foi
lindo com as crianças lá, quero fazer agora no Brasil todo", diz Naná,
como quem pede um presente. E ele tem todo direito. Na próxima
terça-feira, o música está completando 60 anos de idade, na sua melhor
forma artística. O ABC Musical, que é a sua menina dos olhos, toma força a
cada edição. Além de social, o projeto é de uma rara beleza artística. No
palco, uma orquestra sinfônica, a criatividade percussiva de Naná, e um
coro de crianças que, ao longo de alguns dias - às vezes poucas horas -,
são preparadas por Naná para darem um show.
E se o presente não for muito caro - o que ele garante não ser - Naná
também gostaria de rodar as capitais do País com o projeto. Na próxima
quarta-feira,ele reforça a importância do ABC, ao gravar uma participação
especial para o programa de Jô Soares, junto com as crianças. "A idéia é
educacional, que as crianças conheçam o Brasil através do folclore. E é
tão simples o ABC Musical, pois em toda cidade há uma orquestra e há
escolas públicas, basta colocar Naná e o maestro Gil Jardim", defende
Naná. A idéia do projeto surgiu em 1993 quando, depois de ficar 10 anos
sem vir ao Brasil (com casa em Nova Iorque e viajando pelo Mundo), o
percussionista encontrou no País uma realidade de crianças na rua que não
conhecia antes de deixá-lo.
Enquanto não se confirmam os apoios ao ABC, Naná terá outros afazeres.
Até o final de agosto, assistirá ao lançamento do novo filme de Lúcia
Murat (Brava Gente Brasileira), Quase Dois Irmãos, cuja trilha foi
composta por ele e arranjada pelo flautista pernambucano César Michiles.
Depois, vai se dedicar à grande festa em comemoração ao seu aniversário.
Serão três dias de comemorações, no Sesc Pompéia, em setembro. Vários
artistas com quem Naná realizou parcerias importantes em sua carreira
estarão lá. Entre eles, Egberto Gismonti - com quem Naná gravou três CDs
na década de setenta - Milton Nascimento, Marisa Monte, Yamandú Costa,
Hermeto Pascoal, entre outros.
As viagens ao Exterior continuam. Em outubro, será o único não-africano
a participar de um grande evento na África do Sul em homenagem ao fim do
Apartheid. Também está fechando um show em Atenas, durante as Olimpíadas,
com a participação de um maracatu pernambucano. Sem esquecer que Naná tem
um CD pronto gravado no estúdio Fábrica, no Recife, e que precisa apenas
do acerto com um selo para ser lançado. Com tantas atividades, Naná só tem
a agradecer. "Voltei ao Brasil querendo ser útil, fui criança pobre, mas
na minha época existia música nas escolas", diz.
(©
Pernambuco.com)
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(arquivo NordesteWeb)
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