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02/08/2004
Em torno dos 400 anos da passagem dos
holandeses pelo Recife, poucos foram os eventos que ofereceram uma visão
crítica sobre o assunto, que levantasse mais de um ponto de vista. Quando
a Batalha dos Guararapes é celebrada, os holandeses são apontados como
vilões. Quando Nassau é homenageado, seus feitos culturais, urbanísticos e
econômicos se sobressaem e abafam prejuízos impostos ao povo brasileiro. A
conferência Recife Século XVII, com pesquisadores brasileiros e alemães,
procura levantar as contradições e as possíveis abordagens, mesmo que
convergentes, sobre o assunto. Os debates acontecem de hoje a sexta, das
9h ao meio-dia (com intervalo às 10h20), na Fundação Joaquim Nabuco de
Casa Forte. O encontro é promovido pelo Centro Cultural Brasil-Alemanha,
em parceria com a Fundaj e a UFPE.
Segundo os organizadores do simpósio, 80% dos documentos históricos
relacionados à época ainda não foram decifrados. Qualquer julgamento,
portanto, ainda pode ser visto como precipitado. O acesso aos debates é
gratuito,exceto para os que quiserem receber certificado, que pagam uma
taxa de R$ 15,00.
Cada dia é dedicado a um tema. Nesta segunda, o assunto é a Expansão
Européia no Atlântico Sul, com a pesquisadora Virgínia Almoêdo (UFPE)
discutindo O Brasil que os Holandeses Encontraram. Depois do intervalo, o
alemão Ineke Phaf-Rheinberger explica Como Ler a África e a América na
Obra de Caspar Barlaeus. Na terça, Ronald Raminelli, da Universidade
Federal Fluminense, é o primeiro a falar das relações entre nativos e
europeus no novo mundo, confrontando os testemunhos dos holandeses,
portugueses e franceses. Depois, Bartira Ferraz descreve o Governo Nassau
sob o ponto de vista indígena.
Na quarta, discute-se Os Mitos e a Realidade do Governo Nassau, com a
presença do alemão Gerhard Brunn, que fala sobre a formação de Nassau,
seguido pelos pernambucanos Rômulo Xavier e Sumaya Madi, que abordam
respectivamente os desconfortos da administração holandesa e o mito criado
em torno do governante. Na quinta, quando o ponto é a relação entre
sociedade, religião e cultura, Marcus Carvalho fala da escravidão no
período holandês e logo depois a artista plástica alemã Christine Meisner
faz uma intervenção abordando a presença da África. Depois do intervalo,
Alexandre Ribemboim e Paulo Siepierski tratam da religião. A paisagem
urbana é o tem do último dia, com palestras de Hans Haufe (Alemanha),
Tânia Kaufman e Daniel Breda.(J.C.)
Serviço
Conferência Recife Século XVII
Quando: De hoje a sexta, às 9h
Onde: Fundação Joaquim Nabuco de Casa Forte (Avenida 17 de Agosto, 2187)
(©
Pernambuco.com)
Exposição em São Paulo
acompanha trajetória de Maurício de Nassau
JANAÍNA ROCHA
Free-lance para a Folha de S.Paulo
A construção do perfil do conde alemão Maurício de Nassau,
que foi o governador do Brasil de 1637 a 1644 em Pernambuco, concretiza-se
por meio da mostra iconográfica "Eu, Maurício - Os Espelhos de Nassau", na
praça do Banco Real, na avenida Paulista.
A exposição tem abertura hoje somente para convidados e passa a
receber o público amanhã em um horário bastante flexível, das 10h às 22h,
durante todos os dias da semana. E, embora o local seja privado, a entrada é
gratuita.
A montagem manifesta o ponto de vista de três curadores: o da
antropóloga Maria Lucia Montes, o do arquiteto José Luiz Mota Menezes e o do
historiador Marcos Galindo. É a união dessas três perspectivas que perfila o
personagem Nassau, um homem do século 17, criado na Holanda, país que, na
época, era uma espécie de asilo universal dos livre pensadores, como René
Descartes.
Assim, por meio de 150 obras, entre elas, mapas, gravuras e
objetos, são apresentadas não só as ações de seu governo --como o projeto da
construção da Cidade Maurícia, atual Recife--, como também o momento de
estruturação do mundo moderno, com a afirmação dos valores burgueses e da
ética protestante.
"Uma exposição histórica, estritamente falando, seria chatíssima:
um documento atrás do outro. Por isso, a idéia dos espelhos, que são esse
conjunto de facetas desse personagem: o militar, o construtor, o
intelectual, o nobre, o místico, o homem das ciências, o descobridor", diz
Maria Lucia Montes. "Só se compreende o indivíduo quando se entende a
cultura da época dele. São essas referências, perceptíveis na exposição, que
vão construir a visão de mundo de Nassau. A mostra se faz, portanto, entre a
dialética de estar centrado num personagem, mas todo o tempo passando pelo
contexto, que explica esse homem."
Gravuras e mapas
A maior parte das gravuras originais, cerca de 40, todas alemãs e
holandesas, são de um colecionador particular, Giuseppe Baccaro, um italiano
que mora em Recife. Segundo Maria Lucia Montes, a curadoria descobriu em seu
acervo um conjunto de mapas que sintetiza a impressionante carreira militar
de Nassau.
Essa descoberta motivou a ampliação da parte militar na exposição,
que mostra uma armadura com elmo --feita em ferro, bronze e couro do século
17.
Outros destaques de "Eu, Maurício" são uma série de nove óleos
inéditos no Brasil (seis deles retratam o holandês) e gravuras de Rembrandt,
Van Dyke e Dürer. Há também a possibilidade de conferir os três manuscritos
originais que nomeiam Nassau como governador do Brasil.
A exposição conta, por fim, com uma ala multimídia, composta por
vídeos, reproduções, DVDs de obras da Alemanha e da Biblioteca Nacional do
Rio de Janeiro, entre elas, gravuras e pinturas que mostram desde uma aula
de anatomia no século 17 até a imagem de Recife pelo pintor Frans Post.
EU, MAURÍCIO - OS ESPELHOS DE NASSAU Onde: praça do banco Real (av.
Paulista, 1.374, Cerqueira César, s/ tel.). Quando: hoje, abertura para
convidados, às 19h30. A partir de amanhã: seg. a dom., das 10h às 22h.
Quanto: entrada franca.
(©
Folha Online)
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