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Eddie mostra a diferença que faz a persistência

06/08/2004

 

Banda chega aos 15 anos com novo CD, excursão e acenos internacionais

Michelle de Assumpção
Da equipe do DIARIO

   Os olindenses da Eddie vão outra vez romper os limites do seu som. Não que a música da banda olindense esteja para sempre como patrimônio musical do Estado. Pelo contrário, mesmo sem tocar nas rádios como deveria, a música do Eddie está chegando antes mesmo que a imagem da banda apareça para os novos ouvintes e fãs. Seguindo a estratégia traçada desde o lançamento do segundo disco Original Olinda Style, a banda segue para uma tour pelo Sudeste, com shows no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Como já é de costume, antes seguir estrada, toca mais uma vez no Recife, amanhã, no Ancoradouro, num show que tem o propósito ainda de marcar os 15 anos de carreira do grupo. Na liderança, o guerreiro Fábio Trummer. Guitarrista e vocalista do grupo, sem sua presença a banda teria acabado com a saída de dois integrantes chaves: o baixista Roger Man (hoje líder da Bonsucesso Samba Clube) e o baterista Bernardo Choppinho. Fábio Trummer resistiu bravamente às críticas, encarou o desafio de montar outra banda e finalmente encontrou a sonoridade que a faria deslanchar local e nacionalmente.

   A maturidade da banda Eddie também pode ser sentida hoje pelo firme propósito que tem o grupo de fortalecer as bases no mercado local, mesmo com as propostas para show e lançamento de disco no exterior. Os convites de selos da França e Espanha apareceram após a última turnê da banda, ano passado, quando o disco começava a chegar nas lojas. Era uma estratégia do grupo, assim como agora também é estratégico voltar para sentir a repercussão deste lançamento, bem como fechar com os tais estrangeiros.

   "A Europa agora é que começa a aceitar a música pop brasileira, que eles não sabiam como classificar. O selo que quer nos contratar está fechando com uma distribuidora de música pop", diz Trummer, que vê facilidades neste processo pois sua banda, além de cantar em português, apresenta elementos da música regional. "Por conta disso transitamos nos dois mundos". No entanto, o Eddie não enche os olhos com a possibilidade de ter o disco lançadono exterior. O grupo sabe que firmar mercado não é coisa simples. Vão começar pelo Brasil.

   "Só vai acontecer algo de concreto quando conseguirmos implantar um modelo aqui", declara.O modelo a ser implantado é o mais realista possível: fazer shows, vender discos baratos e viver de música em sua própria cidade. Eddie está chegando lá, só falta mais um pouco de abertura do público para os novos sons. Conseqüentemente, do empresariado, produtores, programadores de rádios e festivais, etc...

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Em busca de uma identidade local

   Após quinze anos de estrada, a maior parte deles fazendo parte do circuito underground ou melhor, dos guetos urbanos de Olinda e Recife, a banda Eddie despontou com uma música contagiante, de personalidade, capaz de atrair ouvintes que, mesmo sabendo de sua existência, nunca tinham tido muita vontade de escutá-la. O que aconteceu? "Eu demorei para perceber que minha identidade era desse mundo, era o que eu dominava, caiu essa ficha", declara Trummer. O guitarrista conta que suas primeiras incursões musicais foram com as guitar bands, depois o reggae, o dub, ska. "Um músico indiano tem essa mesma identidade, que é global", diz.

   Daí, o Eddie acertou quando conseguiu acrescentar a esses elementos, a música que cresceu ouvindo, nas esquinas, nas rádios... O frevo e o samba, por exemplo. "Nosso pop faz a diferença por ter essa identidade local", diz Fabinho, que entrará em estúdio com a banda, após a turnê, para fazer a pré-produção do terceiro CD. O novo trabalho, que possivelmente vai se chamar Original Olinda Style Volume II, tem conceito bem parecido. Trará - como algumas músicas novas já sugerem - elementos da música de rua e do frevo, mais descordenada, sem os compassos originais.

   Para chegar à sonoridade ideal, a banda vai atrás de informações, pesquisa, troca discos e CDs, observas texturas, timbres, divisões rítmicas. Também absorve as influências diversas dos seus integrantes: Alexandre "Urêia" (percussão e voz, formado nos bois, maracatus e afoxés de Olinda e Recife), André (teclados e trompete, da escola da world music, do dub, ska e afrobeats), Kiko (bateria) e Rob (baixo), ambos remanescentes de bandas hardcore e reggae. "Estamos nos inclinando para alguns gêneros, como o frevo, que é a música popular de rua de Olinda, é a música de Pernambuco; por outro lado, o que faz a gente querer fazer música é perceber que o que existe de vanguarda neste caso, passa pela música daqui", diz Trummer, que agora acertou o passo, e quer mais é festejar. (M.A)

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Eddie inicia turnê para comemorar seus 15 anos

A despedida por um tempo do público pernambucano será com um show hoje no Ancoradouro. Mundo Livre S/A também anima a festa da banda olindense

RAFAEL GUERRA

   Começa hoje a turnê Eddie: 15 anos de estrada, com um grande show no Ancoradouro (local onde aconteceu o palco Pernambuco). Além da banda de Fábio Trummer se apresentam Mundo livre S/A, Erasto Vasconcelos e a DJ Lala K. O show é o primeiro de uma série de apresentações por todo Brasil que a Eddie vai fazer para comemorar uma década de meia de existência. E ao contrário do que alguns possam pensar, o grupo vive seu melhor momento. Adotaram a independência como forma de sobrevivência e aparecem hoje no cenário nacional como uma banda de vanguarda, madura e com um som bastante conciso, além de terem o ‘original estilo de Olinda’.

   A atual formação da Eddie, Fabinho Trummer (voz e guitarras), Rob (baixo), Kiko (bateria), Urêia (percussão) e André (trompete, teclado e sample), deu um frescor maior a banda, deixando Fabinho mais à vontade com sua música. O disco Original Olinda Style, que já está na quinta milhagem de vendas, já foi lançado no Sudeste, em setembro do ano passado. “Nesta turnê vamos ver como o público reage aos shows depois de já está conhecendo as músicas”, explica Fabinho.

   Depois do show de hoje, Eddie viaja para o Rio, primeira parada da excursão. Ao todo já estão marcados dez datas, mas segundo o produtor da banda, Leo Salazar, outras apresentações são negociadas. Serão dois meses longe do Recife, no qual a banda mostrará seu trabalho ao público do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre. O grupo subirá em palcos tradicionais como o Canecão, junto com a Nação Zumbi e mais quatro dias no Teatro Odisséia, ao lado de Otto, B Negão, Lobão e China. Ainda no Rio, Fabinho e sua trupe fazem um pocket show na Fnac. Em São Paulo, os shows acontecerão no Sesc Pompéia com Pio Lobato. Na Estação do Som, em Belo Horizonte, Eddie e Cordel do Fogo Encantado tocam juntos, e, em Porto Alegre, os gaúchos podem curtir o som original de Olinda no Opinião.

   O repertório do show será baseado no disco mais recente, que mistura dub, samba, frevo e reggae. É realmente um som que tem a cara da cidade de Olinda, mas sem soar saudosista. “O som que melhor representa a banda é este que estamos fazendo agora. E essa proposta já vem sendo desenvolvida há um bom tempo. As últimas duas músicas compostas para o Sonic Mambo (primeiro disco, lançado em 1998) já apontavam para esta direção”, explica Fábio Trummer. Hoje, os garotos tocam novas composições que entrarão no próximo disco, uma espécie de Original Samba Style Volume 2, além dos hits Pode Me Chamar, Falta de Sol e Quando a Maré Encher.

   Apesar de empolgados com a turnê pela Sul e Sudeste e estudando propostas para shows fora do Brasil, a prioridade da Eddie é o mercado pernambucano. “Sei que falta pouco para um novo modelo de música independente ser implantado aqui no Estado. Em pouco tempo acredito que as bandas daqui estarão vivendo bem de música sem a necessidade de sair do Recife. Acho que o nosso último disco ainda pode ser bem trabalhado aqui mesmo em Pernambuco”, afirmou o vocalista.

Show da Eddie, com abertura de Mundo Livre S/A, Erasto Vasconcelos e DJ Lala K. Hoje, às 22h. Ingressos: R$ 10. A venda nas lojas Bali. Local: Ancoradouro (Cais de Santa Rita)

(© JC Online)

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