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07/08/2004
Escritor disputa vaga na APL, trabalha novo livro e aguarda tradução de romance para o alemão MARCELO PEREIRA O escritor Raimundo Carrero arregaçou as mangas e caiu em campo para conquistar a cadeira de nº 3 da Academia Pernambucana de Letras. A busca pela imortalidade veio ocupar ainda mais a agenda do autor de Bernarda Soledade – A Tigre do Sertão, sua estréia literária, romance escrito há 30 anos e lançado em 1984. Carrero ainda divide o tempo com seus afazeres profissionais como jornalista (que exerce por questão de sobrevivência), com as oficinas literárias, a finalização de um livro sobre criação literária e se vê envolvido com a possibilidade se ver traduzido o romance Somos Pedras Que Se Consomem, vencedor do prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte. Carrero foi procurado por um grupo de acadêmicos, representado pelo também jornalista Mário Márcio de Almeida Santos, com a solicitação de que me candidatasse à cadeira nº 3, que tem entre os patronos o escritor Moacyr de Albuquerque. A vaga foi aberta com a morte do escritor Alves da Mota, de quem o postulante foi amigo. “Inscrevi-me, estou na campanha e espero ser eleito. Afinal o grupo é forte, contando, inclusive, com o apoio de Rostand Paraíso, que me autorizou a usar seu nome. Dá um trabalho enorme. Mas a academia me interessa. Vou à luta”, disse. O concorrente mais próximo é o desembargador Jones Figueiredo. Um dos quatro autores representantes de Pernambuco selecionados ao Prêmio Portugal Telecom de Literatura (os outros são Luzilá Gonçalves Ferreira, Ronaldo Correia de Brito e Fernando Monteiro), Carrero aguarda o anúncio dos finalistas, na próxima terça-feira. Enquanto isso, participou, ontem, da Feira de Livros de Brasília. E no fim do mês é um dos convidados de uma mesa-redonda do Rumos Itaú Cultural aqui no Recife, com o também pernambucano Marcelino Freire e o paulista Marçal Aquino. Carrero colhe frutos da sua incisiva atuação na Feira Literária Internacional de Parati. “A Flip representou um momento muito forte na minha vida intelectual. As coisas agora parecem que ganham uma direção diferente. (O apóstolo) São Paulo fala na estrada para Damasco, onde se converteu ao cristianismo. Parati, no plano da minha obra, está sendo minha estrada para Damasco”, diz o místico, à sua maneira, Carrero. Ainda em Parati, o editor Paulo Roberto Pires, da Ediouro, o procurou, interessado na publicação do livro de Carrero sobre a criação literária. “Já estou trabalhando, tendo por base as minhas apostilas. Escreverei textos sobre a criação em Flaubert, Ismail Kadaré, Autran Dourado, Juan Rulfo e Agustin Gomez-Arcos, além de outros, inclusive eu”. Pires programa uma visita ao Recife em outubro. “Até lá, trabalho já estará concluído. Quero estar com o livro pronto, considerando que tenho idéias interessantes sobre a arte de criar. Penso que me sairei bem”, confessa. Além de conversar com o próprio Carrero, o editor tem encontro marcado com Ariano Suassuna. O motivo: a Ediouro comprou a Editora Agir, que publica o Auto da Comparecida, e eles precisam negociar. Em Parati, Raimundo Carrero foi procurado também por Ray-Güde Mertin, agente literária que, entre outros títulos, defendeu tese de doutourado sobre A Pedra do Reino, e representa a mioria dos autores brasileiros na Alemanha, sempre com muito sucesso. “Ela me foi apresentada pelo meu editor Samuel León, da Iluminuras. Ele faz um trabalho excelente. Ela está interessada em Somos Pedras Que Se Consemem. Pretende uma tradução e publicação para breve. É claro que fiquei muito feliz”, disse, sem modéstia. Incansável, Carrero ainda escreve um novo romance. (© JC Online)
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