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09/08/2004
Yamandú e Armandinho travam um descontraído duelo de cordas no Teatro Rival Paulo
Celso Pereira Nem só de repentistas, rappers e versadores sobrevivem os duelos na música brasileira. De hoje até quarta-feira, duas feras das cordas transformarão o Teatro Rival BR, na Cinelândia, numa espécie de arena. De um lado do palco, a maior revelação do violão nos últimos anos, o gaúcho Yamandú Costa. Do outro, o veterano Armandinho, consagrado bandolinista e guitarrista baiano. Foi em 2001, participando de um show de Armandinho, que Yamandú tocou pela primeira vez no Rio. Mas a primeira vez que os dois se encontraram foi bem antes, em São Paulo, em 1999. - Eu estava gravando o álbum Retocando o choro, e o meu produtor, Solon Siminovich, há um ano vinha me falando do Yamandú, comparando-o ao Raphael Rabello. Um dia ele apareceu no estúdio, já com o violão na mão. Quando saí, fomos tocar e ele lembrou de Taiane, uma música do meu pai, que o Raphael gostava muito de tocar - lembra, emocionado, Armandinho. Daí em diante, o baiano começou a convidar Yamandú para seus shows e eles acabaram fazendo duas músicas em parceria: Bahia x Grêmio e À nossa. A curta temporada que começa hoje, às 19h30, no Rival, leva o nome Cordas - seguindo a linha adotada pela casa, que recentemente fez o show Vozes, com Cauby Peixoto duelando com Selma Reis. Yamandú desta vez deixa o papel de convidado e protagoniza o espetáculo ao lado de Armandinho. Para ele será também um momento de boas lembranças: - Quando conheci o Armandinho, eu já tocava algumas coisas que ele fazia com o Raphael Rabello e outras, que ele tocava solo. Este show vai ser um momento especial para nos reencontrarmos, tocar esses temas e nos acarinhar um pouco. Não sei o que vamos inventar na hora, até porque não nos encontramos ainda, mas posso garantir que será uma boa bagunça. Armandinho completa: - A gente não ensaia. Estamos programando dar uma passadinha no show, se der tempo. Mas temos um apanhado de coisas já testadas. Eu estou com uma música que preparei para esse encontro e quero ver se dá tempo de dar uma passada. Percebe-se que o que vai prevalecer é o improviso. Para Armandinho, será como um diálogo: - É como se fosse uma brincadeira: um não deixa o outro sem resposta. Eu diria que é o jazz brasileiro. Com poucos músicos em cena, e é o caso, sempre dá para fazer esse tipo de desafio. Depois dos shows no Rio, os dois músicos se apresentarão em Salvador, seguindo logo após para uma temporada na Rússia. (© JB Online)
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