Festa dos 15 anos
do grupo contou com participação da Mundo Livre e uma platéia de 1.500
pessoas
Michelle de Assumpção
Da equipe do DIARIO
Uma celebração à cena musical contemporânea, urbana e de
identidade pernambucana. Foi este o sentimento que imperou entre
artistas e parte do público (sobretudo a geração mais velha que assistiu
ao começo de tudo), presente no Ancoradouro, sábado passado, no show de
15 anos da banda Eddie. Top de linha da vanguarda musical pernambucana,
a banda Mundo Livre abriu para os moscas. "Que honra, que lindo!",
pontuava o líder Fábio Trummer, dono da noite e da festa. Sim, à esta
altura da partida, não fosse ele, o time havia sido desfeito. Quando, há
pouco mais de dois anos, montou a banda nova para retomar o Eddie,
Trummer encontrou os parceiros que com ele formariam o Original Olinda
Style. O vocalista que sempre exaltou à Cidade Patrimônio, finalmente
fez uso da música mais tradicional de sua cidade natal para criar um
novo som. Frevo, samba de batucada, samba jazz, música com cara de rua,
levinha, muito groove, percussão apimentada, peso quase não há. Música
para diversão, para dançar fácil e sair cantando.
Virou clichê, mas foi justamente neste
achado do uso das informações de um som universal (sobretudo o rock,
primeira linguagem da banda) com a música brasileira (samba) e regional
(frevo, baião, etc) que o Eddie caiu no gosto da rapaziada. Antes de
partir para uma nova turnê por diversos palcos do Rio de Janeiro, São
Paulo e Minas Gerais, a banda tocou em casa e vai levar na bagagem o
coro de cerca de mil e quinhentas pessoas cantando todas as suas
músicas. "Que maravilha!", Fabinho Trummer comandava o Eddie: "cinema
panorâmica, matinê, zuerê do lugar". A música elétrica e acústica
invadindo os corações.
Feliz da vida, Fred 04, o vocalista da
banda Mundo Livre S/A, que este ano também faz aniversário, sendo que de
20 anos, comentava que antes de ir para o local do show assistiu à
passagem de som ao vivo do show do Paralamas do Sucesso numa emissora
local. A banda também faria show no Recife na mesma noite e, por um
momento, ZeroQuatro chegou a pensar que muita gente deixaria de ir ao
evento da música paralelabrasileira (sim, Eddie, Mundo Livre, até hoje
não são parte do circuitão da mídia poderosa das rádios, nem tampouco da
TV). "Hoje foi a confirmação de que nem a Rede Globo sustenta essa cena,
fiquei emocionado", diz o compositor, que fez seu show baseado nos
maiores sucessos dos quatro CDs da banda. Também não faltou coro para o
Mundo Livre.
"sucessão de sucessos" do M.L. S/A
começou com o protesto contra a Ordem dos Músicos. Quem Precisa de
Ordem, cantava 04, para emendar com Mistério do Samba e deixar todo
mundo saudoso com Recife Cidade Estuário, Musa da Ilha Grande, O Futuro
é uma Câmara de Gás. A música de Fred rompe as barreiras do tempo, e a
banda aprimora técnica, emoção, timbres. Faz um show redondo,
competente, na moral, ora mais pesado, ora mais benjoriano, ou mesmo
misturando as duas coisas, com pitadas de free jazz, (Free) world music,
e muita informação. Fred, que também é jornalista, usa cada vez mais sua
música e seu poder no palco como forma de manifestar e formar opiniões.
O percussionista e compositor Erasto
Vasconcelos havia aberto a noite, com o show Jornal das Palmeiras, no
qual fala de coisas, pessoas, lugares, bichos e natureza. Encantou o
público com sua inteligência lúdica. Já, já ele chega, depois de mais de
40 anos de carreira, com o primeiro CD, que está sendo produzido por
Fábio Trummer. Este terminou a noite rodeado dos bons e velhos amigos de
sempre. Roger Man (parceiro dos primórdios do Eddie e hoje dono da
Bonsucesso Samba Clube), Fred Eremita (Kaia na Real, olhem os coqueiros
da praia...), Tiago (Variant TL), Karina Burh (Comadre Florzinha), entre
outros que deram canja no show. Todos diziam "eu sou Eddie, eu também
sou Eddie", numa adesão de fato emocionante e esperançosa. É preciso
acreditar no que se faz, e aprimorar sempre. Boa viagem e vida longa aos
moscas!
(©
Pernambuco.com)