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09/08/2004
Karina Buhr, Ortinho e Fábio Trummer foram convidados peor Franklin Júnior para compor as faixas que vão embalar o seu filme, Orange de Itamaracá JOSÉ TELES A partir dos premiados O Baile Perfumado, de Lírio Ferreira e Paulo Caldas, e Enjaulado, de Kléber Mendonça, trilha sonora feita no Recife para filme pernambucano é algo que vem se tornando rotineiro. Mas nem por isso menos instigante, como confirmam Karina Buhr (Comadre Florzinha), Fábio Trummer (Eddie) e Ortinho. A trinca foi convidada para compor a trilha de Orange Itamaracá, do conterrâneo Franklin Júnior. “A gente chegou no estúdio sem nada pronto, mas as músicas foram logo surgindo. Alguém dá uma idéia, outro aproveita, e dá mais um toque. Vamos anotando, e a coisa vai tomando forma”, comenta Karina Buhr. Ela, Fábio Trummer e Ortinho se encontraram sexta-feira, no Estúdio do Poço, para a última sessão de gravação da trilha, que contou com participação especial de vários músicos, entre eles, Marcelo Massacre (MM Dub), João Cello, Berna, Kiko (Eddie). O filme, que está em fase de montagem, narra a história de um ex-presidiário, que, liberto, passou a morar no forte Orange, em Itamaracá, e enfrentou uma verdadeira batalha para continuar vivendo no ali. Curioso, é que a trilha está sendo composta sem que nenhum dos músicos tenha tido acesso a trechos do filme: “Franklin sugeriu três temas: praia, cidade, prisão. A gente foi desenvolvendo a partir daí. Para praia, por exemplo, criamos uma música meio ciranda, meio marcial. Para o tema cadeia tem um reggae, em que usamos a voz de Marcelo Massacre, enquanto ele apresenta o programa de rádio Alto Falante”. Esta música é tocada pela Punk Reggae Park, banda formada para uma festa, e que virou projeto paralelo de Fábio Trummer, Karina Buhr e mais outros músicos. “Nem tudo foi feito especificamente para o filme. No tema cidade, por exemplo, vamos usar Recife, faixa do CD novo de Erasto Vasconcelos. Tem outra da Eddie, das antigas, nem foi gravada em disco”, adianta Fábio Trummer. Sem ver o filme, mas lendo o roteiro, os músicos entenderam que o personagem principal não é nenhum herói (foi preso por matar a mulher) e Ortinho saiu-se, para o tema cadeia, com um rock de beat acelerado, Pano de Alma, recente parceria dele com Arnaldo Antunes. A canção estará tanto na trilha, quanto no próximo disco de Ortinho pela Elo Music (selo pelo qual a música de Orange Itamaracá provavelmente será lançada) A última das seis sessões não foi exatamente a derradeira: “Temos duas composições para cada tema, e trechos que poderão ser usado como música incidental. Mas depois que a gente ver o filme, as músicas poderão sofrer modificações. Ser estendidas, ou simplificadas”, diz Karina, e Fábio complementa: “O que estamos fazendo aqui é um arquivo de sons, depois que vermos o filme é que vamos entender o clima, e saber melhor como encaixar as músicas”. O trabalho do trio no cinema (todos já possuíam alguma experiência anterior na área) não acaba com Orange de Itamaracá. A trinca foi convidada por Paulo Caldas para compor a trilha de Deserto Feliz, seu próximo filme. (© JC Online)
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