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Identidade musical em movimento

18/08/2004

Original Olinda Style

Banda pernambucana Eddie comemora 15 anos de estrada no Teatro Odisséia

João Bernardo Caldeira

   A banda pernambucana Eddie - nascida antes do movimento mangue beat - está completando 15 anos de existência. Para comemorar a data, o quinteto faz quatro shows no Rio, no Teatro Odisséia, na Lapa, sempre às quartas-feiras, a partir de hoje. A cada noite, um convidado especial vai subir ao palco para cantar músicas de sua autoria. A estréia será com Otto. Em seguida vêm BNegão, Lobão e China.

   Único remanescente da formação original da Eddie, o vocalista Fábio Trummer, 33 anos, nascido em Olinda, conta que desde o fim dos anos 80, em Recife, freqüentavam as mesmas festas e shows as galeras que fundariam Nação Zumbi, Mundo Livre S/A e Eddie, entre outros. Quando a maré encher, sucesso na voz da Nação, é um exemplo de intercâmbio entre os músicos: foi feita por Fábio e integrantes da Eddie.

   Fábio conta que chegou a tocar guitarra no grupo Bom Tom Rádio, que tinha Chico Science no vocal:

   - Como éramos músicos autorais, com o passar do tempo foi natural que cada um seguisse seu próprio caminho. Mas até hoje mantemos uma conexão permanente com as demais bandas pernambucanas.

   Em sua longa estrada musical, a Eddie lançou dois discos apenas: Sonic mambo (1998, Roadrunner) e Original Olinda style (2002, independente). A sonoridade rock'n'roll do trabalho de estréia, que domina a maior parte da história da banda, foi abandonada recentemente.

   - Quando começou a ser falado pela mídia, o movimento mangue beat foi reduzido a um rótulo, e nós não nos encaixávamos nele porque não usávamos, de forma evidente, elementos da música regional. A nossa escola era o rock - lembra Fábio.

   Este é um dos fatores que podem explicar por que o grupo Eddie não se projetou nacionalmente. Além disso, as dificuldades usuais, como a distância geográfica do eixo Rio-São Paulo e o mercado fonográfico restrito, contribuíram ainda mais para o distanciamento.

   Fábio reconhece que na época em que a Nação gravou seus primeiros trabalhos ''a sonoridade da Eddie ainda não estava tão amadurecida''.

   Curiosamente, o ótimo segundo disco do grupo abandona o lado visceral das guitarras para incorporar elementos brasileiros. É como se a Eddie tivesse abraçado a influência mangue beat tardiamente.

   - Eu sabia reconhecer cada vertente do rock, mas um dia caiu a ficha de que uma pessoa de Manchester não teria interesse em conhecer uma banda pernambucana que soasse inglesa. A nossa identidade tinha que ser brasileira - diz o vocalista.

   Em outubro, o grupo começa a trabalhar o terceiro álbum, a ser lançado em janeiro, colocando mais lenha na fogueira de sua carreira.

Eddie. Hoje, às 20h30, no Teatro Odisséia (Av. Mem de Sá, 66, Lapa). R$ 15.

JB Online)

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