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18/08/2004
Ex-vocalista e guitarrista da banda Coração Tribal passou um longo
período de maturação até chegar ao resultado final de Atleta do Cotidiano,
seu primeiro disco solo Alex Mono começou a trabalhar em seu primeiro disco solo quando ainda se chamava Alex S. O CD Atleta do Cotidiano, atribuído a Alex Mono & Modaltransgress foi um trabalho que levou tempo sendo maturado: “Não havia porquê ter pressa. Tem gente que comenta que estou aí há dez anos, que deveria partir para outra. Se fiquei algum tempo fora do circuito de shows, continuei trabalhando. Fazendo trilhas, experimentando. Em nenhum momento perdi a vontade de fazer música”, defende-se. O nome artístico foi mudado por causa de um DJ de São Paulo homônimo: “Os amigos as vezes viam o nome dele em cartazes e achavam que era eu quem ia tocar. Aconteceu isto no último Skol Beats. Tem também que pode haver confusão em direitos autorais”. Embora seja um álbum inteiramente cerzido por samplers, muito molho tecnológico, Atleta do Cotidiano foi elucubrado quase que de forma artesanal: “Trabalhamos, eu, Gabriel e Igor, com um processo diferente. Os músicos vieram ao estúdio gravaram a parte deles. Depois trabalhamos em cima de samplers destas gravações”, diz Alex Mono. A quantidade de participações, tanto nas parcerias quanto nas canjas de estúdio é uma mostra de que a cena continua apenas forte. Estão no disco, entre vários outros, Eder O Rocha, Rogerman, e a Mombojó. “Isto não é problema para a apresentação das músicas ao vivo. Uma coisa é o disco, outra é o meu show, que é feito com uma banda base (Pierre, Gabriel, Christiano Lemgruber). O importante, segundo Alex Mono, é registrar esses encontros de músicos de uma cena. As canções, em grande parte, foram criadas apenas no violão. “Uma ou outra foi feita a partir de um ritmo que criei no computador. Pernambuco Tramway’s co. foi feita em cima de uma base rítmica”, exemplifica. Alex Mono está na estrada desde meados dos anos 90. Integrante da Coração Tribal, uma das bandas pernambucanas que descolou contrato com uma grande gravadora (a Virgin), mas que mesmo assim não decolou, Alex Mono garante que não lhe passou pela cabeça, depois do fim do grupo, mudar-se para o Rio ou São Paulo: “Pelo contrário. Considero sair um equívoco. A gente tem mais é que descobrir um meio de sobrevivência aqui mesmo. Acho até que o Recife atualmente é um lugar privilegiado, com uma reconhecida e importante produção musical”. Para ele há uma preocupação exagerada das pessoas com o sucesso, e menos em insistir no debate de fazer cultura: “Meu propósito principal é colaborar para criar esta possibilidade, de um mercado de trabalho para o músico pernambucano”, afirma, definindo-se não como um artista, mas como um ativista cultural. DISCO – Enquanto os novos grupos de Pernambuco afastam-se do regionalismo, cada vez mais de ouvidos atentos para os sons que vêm de fora, Alex Mono, sob as camadas de samplers, programações, faz um disco com forte sabor manguebeat. A faixa-título, por exemplo (parceria com Marcelo Santana e Massacre), tem uma levada que rescende aos anos 90 (com a devida atualização), com citações do Alto Zé do Pinho. Entenda-se, neste caso, manguebeat não como passadismo, mas como uma ligação com a cidade. Mais adiante, ele volta a points da turma em Olinda, ou à Festa da Lavadeira (música já havia sido lançada num CD-demo três anos atrás). O que este disco ratifica é que nos últimos dez ano o caldo musical pernambucano só fez engrossar e enriquecer-se. A variedade rítmica e timbrística deste álbum é prova desta afirmação. O CD está à venda nas lojas Symphony. (© JC Online) Tiné reverencia herança de Arcoverde
Segura o Cordão é o primeiro disco do músico pernambucano e foi feito
em parceria com o arranjador Caçapa Tiné faz sua estréia em carreira solo com Segura o Cordão, que tem como músicos de apoio ex-integrantes da banda Chão e Chinelo. O disco passeia por diversos estilos – como o coco, samba, baião, o chorinho – sem se encaixar exatamente em nenhum, fazendo agradável mistura que remete a diversos artistas de outras épocas e alguns contemporâneos. Segura o Cordão é praticamente uma parceria entre Tiné e o produtor e arranjador Caçapa. A partir das letras e melodias vocais criadas por Tiné, Caçapa se encarregou da instrumentação compondo as partes dos coros, cordas, sopros e percussão. Apesar de produzidos isoladamente, os arranjos são praticamente inseparáveis das composições. Ao meticuloso trabalho de criação do álbum soma-se as participações especiais que enriquecem cada música com algum detalhe sutil. Logo na primeira faixa, Mané Bacurau, há a sempre bem tocada e criativa rabeca de Siba. Na longa segunda faixa, Vento Corredor, o líder do Sa Grama, Sérgio Campello, toca flauta em sol e flauta baixo, dando uma delicadeza armorial à canção que é baseada, como todas as outras do disco, na tradição musical do Sertão (vide a sempre presente viola de 10 cordas). E durante todo o álbum as participações vão pontuando 41 minutos de música. Tem as ‘comadres’ Isaar e Karina Buhr, Maciel Salú, Alexandre Urêa (Eddie), Moema Macêdo (Sá Grama), entre outros. VÍNCULO – Dentre todos os convidados, o destaque vai para o pessoal do Samba de Coco Raízes de Arcoverde, homenageados em duas canções, Lula Calixto e Festa no Coco. Nesta segunda, o Coco Raízes participa com vozes e percussão, além de assinar o arranjo da faixa. Tiné é natural de Arcoverde, mas foi criado no Recife. Ele mostra que conseguiu manter o vínculo afetivo com a cidade natal e absorveu a musicalidade dos herdeiros de Lula Calixto. Tiné e sua trupe trataram com bastante autoridade as diversas linguagens populares nordestinas abordadas no disco. Segura o Cordão, também é o nome da última música do álbum, única publicada no encarte. De autoria de Tiné e Neilton Jr. reflete bem o espírito do disco. “Com a mão no instrumento/ Lamento do dia/ Verso em poesia/ Cravado no Chão/ Como plantação/ De marcha e galope/ Sambando num trote/ Colhendo a nação”. Segura o cordão foi produzido entre setembro de 2003 e fevereiro de 2004, através do Funcultura, Sistema de Incentivo à cultura do Estado de Pernambuco. As gravações ocorreram no estúdio Agência do Áudio, no Recife, e masterizado no Classic Master em São Paulo. (© JC Online) Novo vôo dos astronautas
Um disco em tons cinza, que celebra, coisa rara, a urbe com seus
problemas, concreto e ruído de automóveis. Assim é o álbum Electro-Cidadão Os Astronautas lançam o segundo CD, Electro-Cidadão (Monstro Discos), sexta, 22h, no Armazém 14 (com canjas de Lula Queiroga, e integrantes da Mombojó, Vamos! Os Cachorros, Sick Sins, Carfax e mais os DJs /Bruno Pedrosa, Felipe Falcãoe Léo D & Wiliam P). Será, ao mesmo tempo, a despedida do Recife. Dia 2, a banda muda-se de mala e case para São Paulo. André Frank, vocalista e guitarrista do grupo não tem ilusões sobre o mercado local: “Não é nem que eu ache. Tenho certeza de que a cidade não dá condições de sobrevivência às bandas. Enquanto em São Paulo está não apenas o foco da maior mídia do País, como é bem mais fácil viajar de lá para outros Estados”, comenta, Ele diz que a banda procurará manter em São Paulo o mesmo nível de profissionalismo que a distinguiu no Recife. “Estamos indo para ficar mesmo. Vamos alugar uma casa para instalar nosso estúdio, e fundar um selo, o Astro Discos”, diz André Frank. Ele ressalta que os integrantes do grupo (Rodrigues, guitarra, e Dudu Sat, baixo) não se iludem sobre as facilidades da metrópole. “Sei que vamos ralar. Mas faz parte. A gente tem conversado com o pessoal da Nação Zumbi, Cordel do Fogo Encantado, Mombojó, grupos daqui que já têm estabilidade por lá, além de termos feito importantes contatos nos últimos meses”. Com a proeza de vender sete mil cópias do disco de estréia (independente), Os Astronautas foram à luta, caíram na estrada. Passaram tanto tempo sem tocar no Recife que o vocalista diz que acabaram meio deslocados da cena musical local: “Só não fizemos o Norte e o Centro-Oeste. Tocamos em todos os Estados do Sul, em Goiás, Minas, e pelo interior do Nordeste’, enumera. O grupo está sendo distribuído pela Monstro Discos, selo goiano, especializado em rock independente, e que promove o festival Goiânia Noise, um evento que já entrou para o calendário do rock nacional e para o qual Os Astronautas estão escalados mais uma vez. “Além do festival, estamos com uma série de shows agendados. Só em São Paulo iremos fazer três. Tocamos também em Curitiba, Florianópolis, Rio”, diz Frank. DISCO – Com Electro-Cidadão, Os Astronautas voltam a realizar um trabalho conceitual. A temática espacial dominava o trabalho anterior (tema que também levaram aos palcos, com direito a máscaras antigazes, e macacões de astronautas). Neste novo CD, assumem-se como urbanóides. André Frank passa por longe do politicamente correto, apontando que o Electro-Cidadão é um disco ligado a temas urbanos: “É para quem gosta de barulho de carro, de concreto. Mais pesado do que o primeiro, com muito mais vozes. Aliás, tem mais tudo do que o outro. É um disco cinzento”, diz, resumindo a coloração do álbum. Cidade cinza é o óbvio tema de abertura do CD, um rock recheado de guitarras e ruídos urbanos e eletrônicos. Os títulos das canções dizem muito do conteúdo do álbum: Máquina (um quase-rock industrial, com uma batida programada repetida. O tema resvala para o lugar-comum, mas o pique do grupo salva a faixa). Tecnologia, é um rock marcado por um riff pesado de guitarra, com excesso intencional de ruídos eletrônicos de estúdio no final da música. Comunicação em bossa moderna, ameaça ser mais um samba de ocasião, com acordes de violão e um ritmo quebrado, mas descamba logo num roquão funkeado. Sentimentos é meio disco music, meio Kraftwerk, e meio rock and roll, faixa apropriada para as pistas. Embora tenham se utilizado dos, cada vez mais, acessíveis e ricos recursos de estúdio, Os Astronautas fazem basicamente rock and roll, cerzido por guitarras (em timbres variados, e muito bem utilizados), vocais seguros (André Frank canta bem, um item essencial, e quase sempre relegado a segundo plano na nas bandas nacionais) melodias assoviáveis, e letras, que se não são obras-primas, pelo menos são funcionais. O rock não pede mais do que isso. (© JC Online) Ciano expõe influência pop em estréia solo
MARCOS TOLEDO O jeito tímido de Ciano Alves por si só já justifica o porquê de – com 26 anos de carreira – 18 deles como compositor – apenas agora estréia seu primeiro álbum solo. Conhecido como flautista do renomado Quinteto Violado, desde 1979, o músico traz a público seu Chança (independente), disco no qual empunha também o violão e, além de confirmar sua natural influência regional, investe em uma sonoridades que vão do jazz ao pop. Chança, para o Dicionário Aurélio, é sinônimo de “dito zombeteiro, troça, graçola”. Para Luciano Alves, 45 anos, também tem a ver com troça, mas em outro sentido. “Para mim, veio a idéia da troça (agremiação) e do Carnaval, aquela coisa de Olinda”, lembra. E, em muitos aspectos, seu CD se assemelha mesmo à alegria do Carnaval olindense. Do caboclinho que evoca na faixa de abertura, Mata, passando pelo maracatu de Garapa e o jazz fusion de Cachorro mago, envenenado pelas guitarras de Rubens que lembram com o mangue, até o frevo-de-bloco Colombina, meu amor. A Rubens, somam-se outros convidados como seus companheiros do Quinteto e da família Alves, Dudu (piano), Toinho (contrabaixo) e Roberto (voz em Piscar de olho e Colombina, e percussão), além do também baixista Jean Elton, do baterista Misael e do cavaquinista Gatinho. MULTIINSTRUMENTISTA – Ciano exibe seu virtuosismo em sopros diversos (flautas de caboclinho e transversa, alcarina – um tipo de argila –, picolo, pífanos e apitos), violões e efeitos eletrônicos (pedais e delay), formato que compartilha com o percussionista Cinval, com quem gravou recentemente. Composições do inicio dos anos 90 dividem espaço com novos temas. Mata, Garapa, Vagalume e Cabaçal, por exemplo, foram composta especialmente para o esse disco. Ao todo, são oito faixas, sete compostas por Ciano, quatro destes em parcerias com Roberto Alves, Climério e Cláudio Mota. “Um trabalho assim, instrumental, quando você bota muitas músicas cansa um pouco”, explica. Provisoriamente, Ciano prensou apenas algumas dezenas de cópias do trabalho para divulgação. Porém, tendo em vista o interesse despertado pelo público mais próximo, já sente que precisa de uma tiragem maior para distribuir comercialmente. Para breve, planeja um show com participação de Cinval e dos convidados do CD. (© JC Online)
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