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Filhos do mangue beat

27/08/2004

O vocalista Igor Gazatti (E): 'Minha geração cresceu ouvindo Nação Zumbi, Eddie e mundo livre'

Grupo Suvaca diPrata é a nova aposta de Pernambuco

João Bernardo Caldeira

   É de Pernambuco uma nova promessa da música nacional, o grupo Suvaca diPrata. Em seu primeiro disco, Corega check - lançado pelo selo independente Fábrica Discos -, a banda traz uma sonoridade puxada para a black music mas com pitadas de rock, samba e mangue beat, como se fizesse a ponte entre Chico Science, Jorge Ben Jor e Sly and the Family Stone. Em outubro, os cariocas poderão conferir as músicas do grupo em shows ainda sem data definida.

   O Suvaca diPrata é formado por Igor Gazatti (voz), Gilberto Bezerra (guitarra), Rodrigo Coelho (baixo e voz), Joaquim Leão (bateria), Fernando Almeida (teclado) e João Felipe (guitarra). Se hoje eles apreciam o suingue da música soul e do funk, no passado gostavam mesmo era de rock 'n roll, como demonstraram quando integrantes das bandas Jorge Cabeleira e Supersoniques.

   - Esses outros projetos foram perdendo velocidade e achamos que o Suvaca era mesmo a nossa história. A proposta é fazer algo balançado, com ênfase no baixo e bateria. Mas acho que esse disco ainda tem muita guitarra, já que estudamos durante anos na cartilha do rock - explica Igor, de 27 anos, que nasceu em São Paulo mas mora em Recife desde os 7.

   Quando surgiu, em agosto de 2001, o grupo fazia shows baseados em músicas de outros artistas, como Stevie Wonder, Tim Maia e Funkadelic. Cerca de um ano depois, eles passaram a compor suas próprias canções.

   - O cover foi um bom começo, mas uma banda que só toca música dos outros tem seu tempo de vida limitado - ensina o vocalista.

   Igor admite que as letras não eram elaboradas com afinco e eram, muitas vezes, feitas para se adequarem às levadas que surgiam nos ensaios. Apesar do pouco esmero, a importância de Jorge Ben Jor para o conjunto é evidente nos versos descontraídos e alegres.

   - O Jorge realmente tem total influência sobre nosso trabalho. Admiro a simplicidade de suas letras, que em geral sempre passam uma coisa muito positiva - diz.

   Já o nome da banda sintetiza outras referências dos pernambucanos:

   - A palavra funk se refere ao odor dos bailes negros, onde todo mundo dançava até feder. Abrasileirando, funk é suvaca. E a sandália de prata é um símbolo do samba. Daí veio Suvaca diPrata.

   Igor não vê influência direta do mangue beat (movimento nascido em Pernambuco nos anos 90 que abarcou nomes como Chico Science e mundo livre s/a) na sonoridade do grupo. Ele evita se associar ao movimento para não parecer um aproveitador - ''como aquelas bandas que botaram um tambor de maracatu só para aparecer'', diz -, mas reconhece o legado:

   - Minha geração cresceu ouvindo Nação Zumbi, Eddie e mundo livre. Dizem que só 100 pessoas assistiram aos shows do Velvet Underground, mas todas elas depois acabaram montando uma banda. Com a gente foi a mesma coisa. Tínhamos um exemplo a seguir.

   Para o futuro, os planos já estão traçados, afirma Igor, um publicitário nas horas vagas e de casamento marcado para novembro:

   - Queremos mostrar nosso trabalho para o máximo possível de pessoas e lançar um novo CD na metade do próximo ano. Prometo me esforçar mais nas letras! Já compomos cinco músicas novas, e elas mostram a nova cara que a nossa sonoridade vem tomando.  

JC Online)

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