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07/09/2004
Semana de Artes Visuais do Recife promoveu 40 intervenções artísticas
em espaços urbanos da cidade e a troca de experiências estéticas De segunda a sexta-feira da semana passada, os recifenses que visitaram o centro da cidade puderam conferir a mutação de paisagens urbanas de ruas, avenidas, pontes e até do Rio Capibaribe. As alterações foram produzidas por 40 artistas ou grupos de arte que participaram da Semana de Artes Visuais do Recife (SPA das Artes), em trabalhos que se intercalaram ao cotidiano e quebraram a rotina das pessoas. Essa foi a primeira vez que o SPA decidiu investir mais diretamente no financiamento de obras de arte. Em vez de dedicar a maior parte da programação a mesas-redondas chamadas Papo de Artistas, como aconteceu nas duas edições anteriores do evento (2002 e 2003), os organizadores do SPA preferiram oferecer 40 bolsas de R$ 1 mil para que os artistas criassem intervenções urbanas. A mudança veio como uma conseqüência natural da evolução do SPA. “A versão atual é fruto das manifestações espontâneas do ano passado, quando os próprios artistas começaram a criar intervenções”, explica o artista plástico Maurício Castro, um dos organizadores da Semana, que é promovida pela Prefeitura da Cidade do Recife (PCR) com apoio da Fundação Joaquim Nabuco. Para o diretor de Artes Plásticas da Secretaria de Cultura da PCR, o também artista plástico Rinaldo, o grande mérito da Semana de Artes Visuais 2004 foi ganhar as ruas. “Houve uma interação com os transeuntes, o SPA se inseriu nos afazeres da cidade. Essa nova roupagem, com a inserção da arte contemporânea no cotidiano das pessoas, funcionou bem”, ressaltou Rinaldo. Para o diretor, o fato de o SPA ter gerado uma certa confusão numa parcela do público, que não percebeu todas as atividades como obras de arte, também está previsto em eventos do gênero. “Isso é natural. Com a realização dessas obras em espaços abertos, artistas e público vão amadurecendo o olhar para a arte contemporânea,” destacou Rinaldo. O artista plástico José Paulo, que também divide a coordenação do evento, o SPA deve ter sempre um formato flexível, para que possa atender a cada ano às diferentes demandas dos artistas e do público. “Esse ano, o SPA das Artes teve suas características próprias. Não foi igual ao de 2203, que também foi diferente do de 2002. O mais importante, entretanto, é que o evento já está consolidado no cenário das artes plásticas nacionais. O SPA hoje já é uma referência para mostras de arte e tem despertado a atenção e o interesse de artistas e críticos de todo o País”, comenta José Paulo. Este ano, o evento recebeu 181 inscrições, selecionando 40 artistas de vários Estados. Apesar de retirar o Papo de Artista da pauta, a Semana de Artes Visuais do Recife não deixou de promover a interação entre os profissionais locais de outras cidades. “Houve uma troca de experiência estética intensa entre os artistas que participaram do evento”, relatou João Paulo. O sucesso do modelo do SPA 2004 foi atestado pela produtora carioca Julia Czekö, que veio ao Recife para realizar um documentário sobre a produção plástica local para a Fundação Nacional de Arte (Funarte). “Nós aprendemos bastante com o SPA. Esse formato certamente vai estimular a criação de novos eventos promovidos pela Funarte”, destaca Julia. (© JC Online)
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