|
|
07/09/2004
Artista explica sucesso dizendo que suas pinturas são a cara de Natal Cleusa Maria Em 1988, no texto do catálogo da mostra do artista na Galeria Debret, em Paris, o poeta e então embaixador João Cabral de Melo Neto apresentava a arte do potiguar Vatenor Oliveira. ''A pintura de Vatenor nos chega como uma lufada de ar fresco. Por uns instantes esquecemos o emaranhado de teorias que fazem os pintores e os críticos sobre a pintura mais recente.'' Duas décadas depois, o artista continua fiel à sua fantasia pictórica e à falsa ingenuidade - outra vez nas palavras do poeta -, que predomina em todos os seus trabalhos: os cajueiros e seus cajus, da infância às margens do Rio Potengi. Eles estão presentes nos 100 trabalhos, entre pinturas acrílicas e serigrafias, que integram a retrospectiva que o pintor inaugura, quinta-feira, na Capitânia das Artes, em Natal. Aos 51 anos, Vatenor lembra que os cajueiros sempre foram o brinquedo, o balanço: - E são também o alimento necessário para se fazer um ser feliz - diz o artista. Nascido em Natal, Vatenor veio para o Rio em 1970 para se tornar fuzileiro naval. Quatro anos depois, resolveu trocar as armas pelos pincéis e, desde então, não deixou de pintar um só dia. No Rio, ele morou 26 anos e conviveu com a efervescência artística nas décadas de 70 e 80. Fez amigos como os pintores Aluísio Carvão e Abelardo Zaluar, o poeta João Cabral de Melo Neto, o desenhista Augusto Rodrigues, freqüentou as noitadas do Baixo Leblon e do Bar Lamas, até se mudar para Nova York, onde passou um ano e meio e participou de exposições coletivas e fez três individuais. Com 30 anos de carreira, Vatenor já realizou 24 mostras no Brasil e no exterior. E suas mais de 5 mil telas e serigrafias estão espalhadas pelo mundo inteiro. Ele voltou para Natal em 1996, onde mora perto das dunas de Jenipabu, numa casa cercada por 12 pés de caju. Os cajueiros, que no início da trajetória do pintor auto-didata surgiam entre florestas, na fase atual ganham o primeiro plano da tela e são o elemento da pintura em si mesma. Hoje, a cor tem mais transparência e sutileza. A pintura tornou-se mais elaborada, as linhas mais definidas, o discurso mais fértil. - É natural que o cajueiro de 1974, o de 1980 e o de 1990 tenham outro tipo de interpretação. O artista verdadeiro não muda. Ele cresce dentro do próprio trabalho, se aprofunda - observa Vatenor. Atualmente, seus trabalhos são apreciados sobretudo por turistas brasileiros. Os cajus estão espalhados pelo mundo inteiro, principalmente entre os seus admiradores na Itália, Alemanha, França e Portugal - custam entre R$ 400 e R$ 4 mil: - Tenho um sucesso maior do que imaginava. E ele se deve ao fato de minha obra ter a cara da região, uma vez que meu trabalho busca transmitir a atmosfera desta cidade luz, sol, sal, Natal. (© JB Online)
|
|
||||