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Conheça um pouco mais do design pernambucano |
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Pernambuco quer mostrar que é um bom negócio investir na criação
aplicada ao desenho de produtos e à programação visual, na primeira bienal
que realiza
CAROL ALMEIDA
Na primeira semana de novembro, todas as pontes da capital
pernambucana que dão acesso à ilha do Bairro do Recife terão arcos de
entrada. No topo dos arcos, o logotipo do maior evento já realizado no
Estado na área de design: o Pernambuco Design, primeira bienal que reunirá
um salão de exposição, mostras paralelas, seminário e uma feira de
negócios que pretende vender o design pernambucano para outros estados do
Nordeste. Tudo isso para convencer o público leigo e empresários de que,
na cesta básica do desenvolvimento econômico, o design está mais para
feijão do que para iogurte.
“A mensagem que precisamos passar agora é: design é fundamental para
sua vida, quer você queira, quer não”, explica Guilherme Cavalcanti,
diretor de negócios da Agência de Desenvolvimento de Pernambuco
(AD/Diper), que ao lado da Associação Profissional dos Designers de
Pernambuco (APD/PE), da Prefeitura da Cidade do Recife e do Sebrae,
patrocina o evento, orçado em R$ 700 mil. De onde se explica a mensagem
promocional da bienal: “Design, negócios, resultados”.
No entanto, para que o portifólio do Pernambuco Design funcione como
“negócios e resultados” que ele pretende promover, uma série de eventos
foram programados para chamar atenção do público em geral. Ou seja, as
exposições podem até mostrar o feijão, mas não vão esquecer, claro, da
lista de iogurtes do design brasileiro.
E é neste último segmento do mercado que estão as mostras já agendadas:
a do Gráfico Amador, que lembra os 50 anos do grupo pernambucano que
repensou a tipografia no Brasil, cartazes de Kiko Farkas para concertos da
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, uma exposição com capas de
discos produzidas no Brasil durante os anos 50, outra mostra tipográfica
chamada Letras Latinas, do Senac/SP, uma com o Prêmio Design Museu da Casa
Brasileira e uma última sobre a moda em Pernambuco. Com exceção desta
última, que será no Paço Alfândega, as demais estarão dispostas no
Terminal Marítimo de Passageiros.
“Essas exposições, bem como todas as atividades do Pernambuco Design,
estarão conectadas a outros eventos da cidade, como a Casa Cor e o Olinda
Arte em Toda Parte. Linhas de ônibus unindo o Bairro do Recife a estes
dois pontos estarão funcionando para o público”, antecipa Ricardo Notari
Peixinho, presidente da Associação Profissional dos Designers de
Pernambuco (APD/PE). A intenção, naturalmente, é criar um ambiente onde
tudo na cidade, durante o evento, lembre design. Seja nas exposições para
o público leigo, seja na feira de negócios e no seminário para os
designers e empresários, o Pernambuco Design quer fixar a mensagem de que
seu produto é essencial.
Sendo assim, das principais ações que estarão a partir de novembro, a
que terá um espaço maior será o 2º Salão Pernambuco Design (o primeiro foi
realizado em 1998). A mostra, que terá inscritos em 21 categorias,
premiará, com um troféu e um selo de qualidade, cada uma delas. Recebe não
apenas o designer melhor julgado, como o empresário que o contratou pelo
serviço. “É uma maneira de valorizarmos as empresas que apostam em um bom
produto de design”, explica Peixinho. No total, foram cerca de 400
trabalhos inscritos no salão deste ano, sendo 5% deles de designers
pernambucanos que trabalham fora do Estado.
MOSTRAS PARALELAS – Ao contrário do salão, que, além de mostrar
produtos em diversas áreas do design, mantém 100% dos trabalhos
selecionados de profissionais pernambucanos, as mostras paralelas têm a
intenção de dar uma panorâmica nacional do design gráfico. Para tanto, uma
das parcerias que o evento fez foi com o Instituto Tomie Ohtake, que
apresenta uma mostra com 50 cartazes, criados por Kiko Farkas para os
concertos da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Os cartazes
estavam, no ano passado, no saguão da Sala São Paulo.
Já a Associação dos Designers Gráficos do Brasil (ADG) traz para o
evento a exposição Capas de Discos no Brasil – Os primeiros anos: 1951 a
1958. As capas fazem parte da coleção particular do designer gráfico Egeu
Laus. Entre os criadores das capas estão Di Cavalcanti, Darcy Penteado,
Joselito, Miécio Caffe, Santa Rosa, Paez-Torres, Paulo Brèves e outros.
A terceira mostra já certa para o evento, também organizada pela ADG,
tem foco no movimento mais expressivo das artes gráficas em Pernambuco. O
Gráfico Amador, nome do grupo que em 1954 decidiu dar um novo molde à
edição de livros, terá um espaço reservado para mostrar 34 painéis, no
tamanho de 80cm por 120cm, reproduções de capas, páginas, ilustrações,
famílias tipográficas e fotos dos integrantes do movimento.
Ainda na família da tipografia, haverá uma mostra com tipos latinos,
buscando em ícones da América Latina, como Che Guevara, fontes de
identificação cultural. O espaço do Terminal Marítimo de Passageiros
receberá ainda uma mostra de fotos do Prêmio Design Museu da Casa
Brasileira.
Com essas exposições, e mais outras que ainda não foram confirmadas
(uma delas possivelmente trará peças em design de móveis), o Pernambuco
Design pretende ser o maior evento do Brasil que irá reunir profissionais,
empresários e público leigo em mesmo espaço. “Nossa intenção é criar um
evento que se torne até mesmo atrativo turístico para o Estado. Novembro
será o mês do design em Pernambuco”, prevê o otimista presidente da
APD/PE.