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Design para ver e vender

24/09/2004

 


 
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Conheça um pouco mais do design pernambucano

Pernambuco quer mostrar que é um bom negócio investir na criação aplicada ao desenho de produtos e à programação visual, na primeira bienal que realiza

CAROL ALMEIDA

   Na primeira semana de novembro, todas as pontes da capital pernambucana que dão acesso à ilha do Bairro do Recife terão arcos de entrada. No topo dos arcos, o logotipo do maior evento já realizado no Estado na área de design: o Pernambuco Design, primeira bienal que reunirá um salão de exposição, mostras paralelas, seminário e uma feira de negócios que pretende vender o design pernambucano para outros estados do Nordeste. Tudo isso para convencer o público leigo e empresários de que, na cesta básica do desenvolvimento econômico, o design está mais para feijão do que para iogurte.

   “A mensagem que precisamos passar agora é: design é fundamental para sua vida, quer você queira, quer não”, explica Guilherme Cavalcanti, diretor de negócios da Agência de Desenvolvimento de Pernambuco (AD/Diper), que ao lado da Associação Profissional dos Designers de Pernambuco (APD/PE), da Prefeitura da Cidade do Recife e do Sebrae, patrocina o evento, orçado em R$ 700 mil. De onde se explica a mensagem promocional da bienal: “Design, negócios, resultados”.

   No entanto, para que o portifólio do Pernambuco Design funcione como “negócios e resultados” que ele pretende promover, uma série de eventos foram programados para chamar atenção do público em geral. Ou seja, as exposições podem até mostrar o feijão, mas não vão esquecer, claro, da lista de iogurtes do design brasileiro.

   E é neste último segmento do mercado que estão as mostras já agendadas: a do Gráfico Amador, que lembra os 50 anos do grupo pernambucano que repensou a tipografia no Brasil, cartazes de Kiko Farkas para concertos da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, uma exposição com capas de discos produzidas no Brasil durante os anos 50, outra mostra tipográfica chamada Letras Latinas, do Senac/SP, uma com o Prêmio Design Museu da Casa Brasileira e uma última sobre a moda em Pernambuco. Com exceção desta última, que será no Paço Alfândega, as demais estarão dispostas no Terminal Marítimo de Passageiros.

   “Essas exposições, bem como todas as atividades do Pernambuco Design, estarão conectadas a outros eventos da cidade, como a Casa Cor e o Olinda Arte em Toda Parte. Linhas de ônibus unindo o Bairro do Recife a estes dois pontos estarão funcionando para o público”, antecipa Ricardo Notari Peixinho, presidente da Associação Profissional dos Designers de Pernambuco (APD/PE). A intenção, naturalmente, é criar um ambiente onde tudo na cidade, durante o evento, lembre design. Seja nas exposições para o público leigo, seja na feira de negócios e no seminário para os designers e empresários, o Pernambuco Design quer fixar a mensagem de que seu produto é essencial.

   Sendo assim, das principais ações que estarão a partir de novembro, a que terá um espaço maior será o 2º Salão Pernambuco Design (o primeiro foi realizado em 1998). A mostra, que terá inscritos em 21 categorias, premiará, com um troféu e um selo de qualidade, cada uma delas. Recebe não apenas o designer melhor julgado, como o empresário que o contratou pelo serviço. “É uma maneira de valorizarmos as empresas que apostam em um bom produto de design”, explica Peixinho. No total, foram cerca de 400 trabalhos inscritos no salão deste ano, sendo 5% deles de designers pernambucanos que trabalham fora do Estado.

   MOSTRAS PARALELAS – Ao contrário do salão, que, além de mostrar produtos em diversas áreas do design, mantém 100% dos trabalhos selecionados de profissionais pernambucanos, as mostras paralelas têm a intenção de dar uma panorâmica nacional do design gráfico. Para tanto, uma das parcerias que o evento fez foi com o Instituto Tomie Ohtake, que apresenta uma mostra com 50 cartazes, criados por Kiko Farkas para os concertos da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Os cartazes estavam, no ano passado, no saguão da Sala São Paulo.

   Já a Associação dos Designers Gráficos do Brasil (ADG) traz para o evento a exposição Capas de Discos no Brasil – Os primeiros anos: 1951 a 1958. As capas fazem parte da coleção particular do designer gráfico Egeu Laus. Entre os criadores das capas estão Di Cavalcanti, Darcy Penteado, Joselito, Miécio Caffe, Santa Rosa, Paez-Torres, Paulo Brèves e outros.

   A terceira mostra já certa para o evento, também organizada pela ADG, tem foco no movimento mais expressivo das artes gráficas em Pernambuco. O Gráfico Amador, nome do grupo que em 1954 decidiu dar um novo molde à edição de livros, terá um espaço reservado para mostrar 34 painéis, no tamanho de 80cm por 120cm, reproduções de capas, páginas, ilustrações, famílias tipográficas e fotos dos integrantes do movimento.

   Ainda na família da tipografia, haverá uma mostra com tipos latinos, buscando em ícones da América Latina, como Che Guevara, fontes de identificação cultural. O espaço do Terminal Marítimo de Passageiros receberá ainda uma mostra de fotos do Prêmio Design Museu da Casa Brasileira.

   Com essas exposições, e mais outras que ainda não foram confirmadas (uma delas possivelmente trará peças em design de móveis), o Pernambuco Design pretende ser o maior evento do Brasil que irá reunir profissionais, empresários e público leigo em mesmo espaço. “Nossa intenção é criar um evento que se torne até mesmo atrativo turístico para o Estado. Novembro será o mês do design em Pernambuco”, prevê o otimista presidente da APD/PE.

JC Online)


Preservar memória do design é um dos objetivos do projeto

   Além de promover o mercado de design no Estado, uma das intenções do Pernambuco Design é criar uma memória da história do próprio design. Para tanto, a parceria com os professores do curso de graduação da Universidade Federal de Pernambuco renderá uma mostra acadêmica, em que alunos poderão apresentar seus trabalhos, e uma segunda exposição cronológica com o desenvolvimento da profissão em Pernambuco. Nesta última, a idéia é mostrar como eram concebidos os projetos em todas suas etapas, antes e depois de adventos tecnológicos como o micro-computador.

JC Online)  

Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)


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