|
|
22/08/2005
Encontro em Limoeiro do Norte (CE) reúne mestres populares de oito
Estados brasileiros e de mais seis países para shows e troca de vivências
CAROL ALMEIDA No Brasil, há quem faça e há quem pense cultura popular. Geralmente, esses dois grupos não são achados no mesmo lugar. Afinal de contas, a prática do fazer e do pensar costumam ter lá seus ranços ideológicos. Quando se fala em cultura popular então, nem se fala. Mas, a partir de hoje, um evento que começa no interior do Ceará pretende harmonizar os artistas e os acadêmicos do Brasil e do mundo. A primeira edição do Encontro Mestres do Mundo começa suas atividades nesta terça-feira, reunindo os citados mestres daquilo que se convencionou chamar de cultura popular, expressão por si só cheia de paradoxos. Em termos mais puristas, o termo costuma dar nome a um sistema simbólico, que funciona alheio a uma chamada cultura letrada, e costuma ser representado nas artes do palco e nas artes do cotidiano. Tendo os conceitos postos à mesa, importante é citar que um evento de tal porte, imerso no meio do Ceará, vem principalmente para consolidar uma economia local e dar mais fôlego criativo às cidades da região que vivem do artesanato, mas que pouco dialogam com outras culturas. Ao todo, o encontro reúne 70 artistas de oito Estados brasileiros, atrações de mais seis países e apresentação de 50 espetáculos em quatro palcos montados na cidade-sede do evento, Limoeiro do Norte. Entre os destaques da programação estão danças carnavalescas de países africanos, o teatro-dança da Índia, o folclore mexicano, cantoria popular da Argentina e o Teatro Nô do Japão. De Pernambuco, vão Lia de Itamaracá, que abre a festa hoje, Mestre Biu Alexandre, do Cavalo Marinho de Condado, e Antonio Carlos Nóbrega, que fecha o evento na noite de domingo. Antecipando diariamente os shows dos grupos acima citados e de tantos outros mais da própria região, estarão professores e pesquisadores de todo o País, debatendo em salas onde, certamente, estarão também os artistas temas de suas abordagens. “É um enriquecimento muito grande colocar professores e artistas juntos. Lembro que isso aconteceu uma vez, em 2000, num encontro sobre música em Belo Horizonte, e o resultado foi bem bacana. É importante falar para as pessoas que fazem as coisas”, acredita o etnomusicólogo da Universidade Federal de Pernambuco, Carlos Sandroni, que foi convidado para participar do encontro. Segundo Pedro Domingues, coordenador de ação cultural da secretaria de cultura do Ceará, o objetivo do encontro “não é a capacitação de pessoas, nem a exibição de shows, mas sim a transmissão de um saber. A legitimação dos estudiosos desse saber popular como um saber formal é importante então para o evento”, explica. Domingues nega que o evento tenha a função de promover a cultura popular da região do Vale do Jaguaribe, mas sabe que ele servirá como “catalizador do potencial cultural da região” Em outras palavras, ajudará a mostrarem o que é seu e observarem o que se faz lá fora. Ainda quanto à junção entre academia e artistas, o coordenador do evento, Oswald Barrozo, justifica: “Queríamos realizar um grande diálogo com todos os atores envolvidos nesse mundo. E isso vai de quem faz cultura popular até quem pensa.” O Encontro Mestres do Mundo segue até o próximo domingo tendo como centro de atividades a cidade de Limoeiro do Norte. Os municípios vizinhos de Jaguarana e São João do Jaguaribe também recebem shows e feiras de arte popular. Para quem estiver de passagem pela região, todas as apresentações e debates são gratuitos. (© JC Online)
|
|
||||||||||