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Diretor do consagrado Baile perfumado exibe o longa inédito na mostra
paralela Horizontes. O jardineiro fiel, de Fernando Meirelles está em
competição Depois de ter um longa muito bem posicionado no ultimo Festival de Cannes - Cinema, aspirinas, urubus, de Marcelo Gomes na Mostra Um Certo Olhar –, Pernambuco conquista outro espaço nobre numa vitrine mundial. Árido movie, de Lirio Ferreira (Baile perfumado), exibe na mostra paralela Horizontes, do 62º Festival de Veneza, que começa hoje na cidade italiana. Na Mostra Competitiva, O jardineiro fiel (The constant gardener), de Fernando Meirelles, seu primeiro filme depois do bem-sucedido Cidade de Deus, e sua aguardada entrada no mercado internacional. O filme de Meirelles não é uma produção hollywoodiana per se, mas algo próximo a um filme inglês. Tem no elenco Ralph Fiennes (O paciente inglês) e Rachel Weisz (Constantine) e adapta para o cinema o livro de mesmo título do escritor ingles John Le Carré. O jardineiro fiel estréia nesta sexta-feira nos Estados Unidos em mais de mil salas, e tem recebido críticas positivas de uma quase unanimidade. A história aborda os mandos e desmandos da indústria internacional farmacêutica e tem como protagonista um diplomata que descobre a utilização de cobaias humanas no terceiro mundo. Meirelles espera ter feito direito o dever de casa. Filmou na Inglaterra, no Quênia e na Alemanha. Seu amigo e diretor de fotografia, César Charlone (o mesmo de Cidade de Deus), volta a trabalhar com ele. O jardineiro fiel está acompanhado, na mesma competição oficial, de novos filmes de Abel Ferrara (Mary), Terry Gilliam (Os irmãos Grimm), Ang Lee (Brokeback mountain) e Park Chan-Wook, diretor de Old boy, que apresenta o terceiro da sua trilogia sobre vingança, Sympathy for lady vengeance. SOB O SOL NORDESTINO – O longa dirigido pelo pernambucano Lírio Ferreira, produzido pelo carioca Murilo Salles (Seja o que Deus quiser), e filmado, em grande parte, no interior de Pernambuco (em Arcoverde e arredores), passa na mostra paralela Horizontes, ao lado de filmes novos de nomes consagrados como Werner Herzog e Fernando Solanas. O filme tem no elenco Renata Sorrah, Paulo César Pereio, Magdale Alves, Selton Mello, José Dumont, Mariana Lima, José Mario Austregésilo e Rubem Rocha Filho. Mescla artistas do Sudeste com nomes pernambucanos, mix também percebido nos dois últimos longas de ficção feitos no Estado, Baile perfumado e Amarelo manga. Ontem, Lírio Ferreira preparava-se para embarcar quando falou, do Rio de Janeiro, com a reportagem do Jornal do Commercio. “Ando falando que um filme sobre água vai estrear na cidade das águas, Veneza, isso é muito bom”, disse. Ele informou que a cópia do filme ficou pronta na segunda-feira, quando a viu pela primeira vez. “Por questões de tempo, tivemos que rodar a primeira cópia em Nova Iorque”. Ainda ontem, Árido movie estava sendo legendado em italiano. “Espero que o público mergulhe nas águas desse filme”. Árido movie passa em Veneza dia 7 de setembro, em sessão para a imprensa, e, no dia seguinte, em sessão especial. A primeira projeção brasileira de Árido movie será no próximo Festival do Rio, já no início de outubro. O filme passa fora de competição. Perguntado se ele tem o interesse de tentar Brasília, em novembro, respondeu: “é uma idéia...”. Brasília 2005 poderá juntar dois longas de grande destaque para o cinema de Pernambuco: além do Árido movie, Cinema, aspirinas e urubus, de Marcelo Gomes, poderá estar na seleção da mostra competitiva. (© JC Online) Festival também vive crise de identidade Agência EstadoÉ o mais antigo festival do mundo e talvez o mais charmoso, não fosse por outro motivo, por se realizar na mais bela cidade do mundo. No entanto, Veneza chega à sua 62ª edição cheio de dúvidas. Para que lado vai? Para o lado do cinema de autor, que faz a cabeça dos intelectuais mas não empolga tanto o público? Ou para o mundanismo de Hollywood, que atrai divas, fãs, divisas – e também críticas da parte pensante do mundo do cinema? A julgar pela seleção da sua mostra principal – a que leva ao cobiçado Leão de Ouro – Veneza, na pessoa do seu presidente, o romano Marco Muller, tenta, mais uma vez, uma solução de compromisso. Sim, os astros e estrelas estarão no Lido. Mesmo porque há quatro produções americanas em competição: Good night, and good luck, de George Clooney, Mary, de Abel Ferrara, Brokeback mountain, de Ang Lee, e Romance & cigarettes, de John Turturro. A maior parte das estrelas vem dos filmes que se colocam lateralmente no festival, sob a rubrica “fora de concurso”. Filmes comerciais, que se aproveitam da presença maciça da mídia para fazer pré-estréias de repercussão em todo o mundo. Os grandes festivais, Cannes e Berlim, além de Veneza, se tornaram reféns dessa estratégia dos grandes estúdios. Este ano serão 18 filmes fora de concurso, incluindo o título de abertura, Seven swords, de Tsui Hark, uma produção de Hong Kong, o capa e espada que já conquistou público e parte da crítica mundial, incluindo o Cahiers du Cinéma. No total serão nove filmes dos Estados Unidos no Lido. São eles, em sua maior parte, que fornecerão as celebridades para desfilar na passarela vermelha que leva ao Palácio dos Festivais, ou encantar jornalistas deslumbrados nas coletivas de imprensa. E também, sabe como é, os patrocinadores (automóveis de luxo, celulares e cosméticos, basicamente) querem saber de estrelas dando autógrafos e não de filmes búlgaros. Pode-se apostar numa seleção promissora, pelo menos no papel, como se diz dos times de futebol. Sempre é bom ver mais um trabalho do grande Manoel de Oliveira, o velho mestre português. Ou mais um filme do polonês Zanussi ou do coreano Park Chan-wook. Precisaremos conferir também, agora com mais desconfiança, a quantas anda o cinema italiano, que tem três títulos em competição, número em aparência muito exagerado pela qualidade mostrada nas últimas edições. (© JC Online) Os brasileiros da maratona carioca Première do Festival do Rio terá novos filmes de Beto Brant e Eduardo Coutinho Exibidos com sucesso no Festival de Cannes, como atração da mostra Un Certain Regard, Cinema, aspirinas e urubus, de Marcelo Gomes, e Cidade Baixa, de Sérgio Machado, farão sua estréia brasileira na sessão Première Brasil do Festival do Rio (22 de setembro a 6 de outubro) e concorrerão a prêmios em dinheiro. A lista de títulos inéditos no circuito de festivais brasileiros divulgada pela organização do festival ainda inclui Achados e perdidos, de José Joffily; Crime delicado, de Beto Brant; A máquina, de João Falcão; Tapete vermelho, de Luiz Alberto M. Pereira; Vestido de noiva, de Jofre Rodrigues; e Vinho de rosas, de Elza Cataldo.Os outros dois concorrentes da categoria foram vistos em outras contendas nacionais e até ganharam prêmios: Carreiras, de Domingos Oliveira, chega ao Rio com os prêmios de melhor atriz (Priscilla Rozenbaum) conquistados no Festival Internacional de Brasília e no recém-encerrado Festival de Gramado; Cafundó, de Paulo Betti e Clóvis Bueno, saiu do evento gaúcho com os Kikitos de fotografia, ator (Lázaro Ramos), direção de arte e o Prêmio Especial do Júri. A raia de documentários será disputada pelos inéditos 500 almas, de Joel Pizzini; Deixa ir, de Roberta Marques; Do outro lado do rio, de Lucas Bambozzi; Missionários, de Cleison Vidal; Moacir arte bruta, de Walter Carvalho; Sou feia mas tô na moda, de Denise Garcia; Sol, caminhando contra o vento, de Tetê Moraes e Martha Alencar; e Tudo sobre rodas, de Sérgio Bloch. Aboio, de Marília Rocha, ganhou o prêmio de melhor filme do É Tudo Verdade e o de edição de som no Festival de Recife. Do luto à luta, de Evaldo Mocarzel, já ganhou troféus em Recife (sete, incluindo melhor documentário) e Gramado (Prêmio Especial do Júri). O Festival do Rio 2005 também exibirá três produções recentes fora de competição: Árido movie, de Lírio Ferreira, e os documentários Doutores da alegria, de Mara Mourão, que dividiu o Prêmio Especial do Júri e levou o prêmio de público em Gramado; e O fim e o princípio, de Eduardo Coutinho. (© JB Online) |
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