Notícias
"A Máquina" emociona no Festival do Rio

Eduardo Nunes/AE

João e Gustavo Falcão, diretor e ator de "A Máquina"

Paulo Autran e o novato Gustavo Falcão brilham no filme de João Falcão

Luiz Carlos Merten

   Rio de Janeiro - Inaugurado na quinta-feira à noite com a exibição do documentário Vinicius de Morais, de Miguel Faria Jr., o Festival do Rio 2005 já decolou com a apresentação de vários títulos importantes dos mais de 430 que compõem a programação. Afinal, são 23 mostras e 31 pontos de exibição distribuídos pelo Rio de Janeiro. A sede, o local das exibições especiais, é o cine Odeon BR, na Cinelândia. Na noite de sexta-feira começou a mostra competitiva da Premiere Brasil, que apresenta só filmes nacionais, entre curtas e longas, documentários e ficções (divididos em formatos e categorias específicas).

   A abertura foi emocionante, com o filme A Máquina que João Falcão adaptou de sua peça, baseada no livro de Adriana Falcão. O próprio diretor diz que sua peça tinha uma estrutura boa para teatro e que foi preciso mudar no cinema. Para isso, ele voltou à fonte original do livro. Depois de 2 Filhos de Francisco, com seu elenco excepcional, parecia difícil, senão impossível, que surgisse outro filme com um elenco igualmente magnífico. Bem, aconteceu, e rapidamente. Ângelo Antônio é gênio como Francisco no filme de Breno Silveira, mas aguarde para ver Gustavo Falcão em A Máquina.

   Gustavo é sobrinho de João Falcão e estreante em cinema. De todos os atores da montagem original, que incluía Lázaro Ramos e Wagner Moura, era o único que ainda não havia estourado. Se no dia seguinte à estréia de A Máquina o Brasil inteiro não estiver proclamando que nasceu um grande ator, algo estará errado no País. Gustavo faz o jovem Antônio, que vive no presente aventuras sobre as quais reflete, quando velho, daqui a 50 anos. O outro Antônio é Paulo Autran, que também pode ser visto no palco, em São Paulo, na peça Adivinhe Quem Vem para Rezar?

   Elogiar Paulo Autran parece redundância, de tanto que ele é bom. Os grandes, de qualquer maneira, conseguem superar-se. Autran é tão genial quanto Gustavo Falcão - ou é o jovem que é tão genial quanto o veterano, se for preciso priorizar. E não são só os dois - Lázaro Ramos e Wagner Moura, que fazem pequenos papéis, são ótimos e Mariana Ximenes é um show à parte, aliando talento à beleza.

   A Máquina talvez não seja um filme fácil, pela riqueza e complexidade de sua estrutura, que joga com múltiplas linguagens, propondo aquilo que se define como metalinguagem. O tempo, a televisão, o amor, a vida e a morte, são vários os temas propostos pelo diretor na história de Antônio, que começa na pequena cidade de Nordestina, de onde ele sai para buscar o mundo que sua amada deseja. O velho Antônio conta sua história num hospício, pois parece coisa de doido, mas fecha-se um ciclo quando ele próprio comparece no encontro que marcou consigo mesmo. Passado, futuro, a linha do tempo não tem fronteiras na fabulação que João Falcão propõe em A Máquina. É outro belo filme da Premiere Brasil, que está mostrando no Rio o melhor do cinema brasileiro na atualidade.

(© estadao.com.br)


Acesa a romance

Rodrigo Fonseca

   Que coração resiste a histórias de amor daquelas que desafiam tempo, espaço, zanga de pai, carência de mãe e arrocho financeiro? Bom, pelo menos o dos espectadores que lotaram o Odeon, sexta à noite, na sessão de estréia de “A máquina” — marco zero da competição de ficção em longa-metragem da Première Brasil — não passou incólume aos esforços de Antônio para eternizar o bem-querer de sua amada Karina nesta fábula que o teatro consagrou. Só mesmo uma love story alegórica até dizer chega, pontuada por uma crítica (ainda que morde-e-assopra ) à indústria da televisão, para escaldar a morna platéia que desde a tarde vinha ocupando as poltronas do centro nervoso da mostra 100% brasilis do festival, recebendo com pouca empolgação o premiadíssimo documentário “Do luto à luta”, de Evaldo Mocarzel.

   Ainda há nove ficções pela frente na seleção competitiva antes que se celebre como ganhador este primeiro longa de Falcão, que, estranhamente, subiu sozinho ao palco, apesar do elenco e da autora do livro-que-virou-a-peça-que-inspirou-o-filme , sua mulher, Adriana Falcão, estarem presentes. Mas mesmo que não leve prêmio algum, esta produção divisora de águas na carreira do rei do “cinema-mortadela” Diler Trindade, novo barão no feudo dos produtores cinematográficos nativos, já canta uma vitória: a consagração de seu protagonista, Gustavo Falcão, intérprete do apaixonado Antônio. Na trama, que cozinha elementos do esquizofrênico “Doze macacos”, temperados a jorgefurtadices de roteiro, Antônio, que desde guri tem no tempo seu padrinho, avança 50 anos na história de sua vida em busca de um motivo que prenda Karina (uma Mariana Ximenes linda de causar taquicardia) ao esboço de cidade fantasma chamada Nordestina.

   me preparando para enfrentar aquele muro — disse Gustavo, referindo-se à multidão que fazia fila para cumprimentá-lo pela arrebatadora performance e à horda de fotógrafos faminta por um clique seu.

   Prevista para entrar em cartaz em janeiro, “A máquina” satisfez até seu exigente diretor de fotografia, Walter Carvalho.

   — Só tinha visto o filme na tela pequena, no laboratório. Mas, pelo que acabo de ver, 98% do que eu queria fazer está aí: um Nordeste cítrico, banhado por uma luz teatral, que muda durante todo o filme. Eram 120 refletores na filmagem. E um medo de assumir ou não que era tudo feito em estúdio. Mas valeu.

(© O Globo)

Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)


powered by FreeFind

© NordesteWeb.Com 1998-2005

O copyright pertence ao veículo citado ao final da notícia