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André Madureira é o homenageado do ano na Mostra Brasileira de Dança

05/07/2006

O Ballet Stagium já esteve presente na Mostra Brasileira de Dança


Com o intuito de valorizar os artistas locais, a cada ano, a Mostra Brasileira de Dança faz uma homenagem. Nesta edição, a figura da dança pernambucana celebrada é o fundador e diretor do Balé Popular do Recife, André Madureira, conhecido pela divulgação da dança brasílica, categoria de releitura das danças populares. Por isso, além da apresentação na próxima segunda no Teatro do Parque, o seu grupo mostrará um número de dança a cada noite durante toda a programação.

Criada em 2003 pelos produtores Paulo de Castro e Shiro (homenageado in memorian no ano passado), devido uma polêmica gerada pela indefinição do mês de realização do Festival Nacional de Dança do Recife, promovido pela Prefeitura do Recife, a Mostra Brasileira de Dança perdurou e se tornou o evento alternativo a iniciativa municipal. O evento cresceu e as polêmicas continuarão, principalmente em torno de sua proposta, que privilegia as companhias do Estado, incluindo grupos de escolas, sem curadoria estruturada.

A edição passada da mostra foi alvo de críticas de alguns profissionais de dança. De acordo com a produção do evento, a mostra tentou ajustar sua organização de acordo com as sugestões dadas pela classe artística durante a avaliação do evento, mas não abriu mão da proposta inicial: acolher a produção heterogênea do Estado no mesmo caldeirão. “A mostra é o único momento que a dança pernambucana tem de se encontrar. A gente gosta de juntar todo mundo no mesmo balaio. Tem uma parte da dança que não concorda com a mostra, mas é uma parte tão ínfima que a gente não leva em conta”, diz o produtor Paulo de Castro, responsável pelo evento ao lado de Íris Macedo.

Mesmo sem reconhecer claramente a importância das críticas feitas ao evento, Paulo de Castro afirma que este ano tentaram fazer uma seleção mais rígida, com o intuito de melhorar a qualidade das coreografias apresentadas. “Dificultar a entrada na mostra, incentiva quem não entrou a melhorar”, explica. Outra iniciativa gerada pela polêmica foi a realização de uma apresentação de abertura exclusiva e gratuita para os participantes do evento, que no ano passado não conseguiram ver alguns espetáculos. A 4ª Mostra Brasileira de Dança tem o financiamento do Funcultura, patrocínio da Chesf e Prefeitura do Recife. (F.N.)

(© JC Online)



Mostra de Dança dá passo adiante

Quarta edição do evento tem início amanhã com Ballet Stagium homenageando Chico Buarque e inova ao trazer espetáculos completos

FLORA NOBERTO

Com músicas de Chico Buarque de Hollanda (incluindo parcerias com Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Edu Lobo e Francis Hime), tem início amanhã a 4ª Mostra Brasileira de Dança. A trilha sonora que por si só é um atrativo, se torna ainda mais interessante por ser do espetáculo Stagium dança Chico Buarque, nova montagem da companhia paulista, pioneira na utilização de temas brasileiros na dança contemporânea. O espetáculo é apresentado, às 19h, no Teatro de Santa Isabel.

Além do Stagium, a mostra inova este ano ao trazer mais três espetáculos completos de companhias estrangeiras contemporâneas: Cia. de Dança de Aveiro (Portugal), Companhia de Dança e Teatro Sarao (Equador) e Companhia de Dança da Amazônia, esta formada pelo Ballet Jaime Amaral (PA), Marlene’s Ballet (Suriname) e Grupo de Dança Contemporânea Annick Maucouvert (Guiana Francesa). Ao contrário da Stagium, que já veio outras vezes para Pernambuco, as companhias internacionais vêm pela primeira vez ao Estado. Os espetáculos serão uma surpresa até para os produtores, que as convidaram depois que receberam indicações de pessoas da área de dança.

Mas o foco mesmo da mostra, que acontece de amanhã até 24 de julho, são as companhias pernambucanas profissionais e amadoras que se apresentam no Teatro do Parque a partir da próxima segunda-feira, ao lado de atrações de outros estados brasileiros e internacionais. Nesta edição, os grupos mais novos ficaram concentrados em um único dia no palco do Teatro de Santa Isabel. Ao todo, são mais de 60 atrações de dez estados diferentes, que representam a dança de salão, dança do ventre, clássica, moderna, contemporânea, popular e afro. (Confira a programação completa ao lado).

No entanto, para abrigar tanta gente a mostra, que não tem caráter competitivo, se restringe a mostrar coreografias isoladas, ou seja trechos de espetáculos. De acordo com um dos produtores, Paulo de Castro, para diminuir o cansaço do público, este ano a mostra conta com quase o dobro de dias do evento de 2005. A cada dia, a maratona apresenta de cinco a nove grupos com diferentes níveis técnicos e propostas estéticas. Cada coreografia tem de 7 a 15 minutos. Segundo Paulo de Castro, a mostra terá de 50 a 75 minutos de duração por dia, e um intervalo de 10 minutos entre um bloco de apresentações e outro.

A extensa programação ainda prevê performances no hall dos teatros antes do início dos espetáculos. Apesar de trazer coreografias pernambucanas que já foram apresentadas antes, a nova iniciativa do evento é sinal de amadurecimento, pois para o público que não costuma ver espetáculos de dança, elas devem ser uma experiência impactante. As performances contemporâneas normalmente interagem com o espaço e a platéia, provocando inquietação e reflexão. No quesito de novidades, ainda haverá uma exibição de dois videodança, que apresentam coreografias criadas especificamente para produtos audiovisuais.

Outro ponto positivo da mostra é a continuidade da realização de oficinas com os profissionais de dança que se apresentam no evento. São oitos oficinas destinadas à classe artística e quatro exclusivas para comunidades periféricas que têm tradição em grupos de dança afro ou popular.

 

(© JC Online)

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