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Autores aquecem as férias de julho em Garanhuns 

O escritor Raimundo Carrero - na foto com Ariano Suassuna - participa do 1o. Flig


Festival de Literatura, Oficinas da Palavra e Círculo de Leituras do FIG levam escritores ao Agreste

Três eventos literários movimentam Garanhuns nas férias de julho. De 14 a 16, a cidade sedia o 1º Festival de Literatura de Garanhuns, no Centro Cultural Alfredo Leite Cavalcanti. As inscrições ainda estão abertas. Em seguida, terão início as oficinas Artes da Palavra (inscrições já encerradas) e o Círculo de Leituras (esta última, aberta ao público), dentro da programação do Festival de Inverno de Garanhuns.

O Festival de Literatura de Garanhuns (Flig) é uma realização da Prefeitura em parceria com a Academia de Letras de Garanhuns, Academia Pernambucana de Letras, União Brasileira de Escritores/Secção Pernambuco, Academia de Letras e Artes do Nordeste e Conselho Estadual de Cultura. A programação é bastante variada e inclui palestras, debates, oficinas, recitais, editoração e lançamento de publicações literárias, feira de livros, exposição e venda de produtos artesanais e apresentações artísticas. Essas são as atividades que marcarão o FLIG, reunindo escritores renomados, como: Raimundo Carrero, Luzilá Gonçalves, Marcus Accioly, entre outros.

A previsão dos organizadores é de que a Flig reúna 200 escritores, bem como um número expressivo de jornalistas, professores e estudantes.

A Editora LivroRápido, co-patrocinadora do 1º Festival de Literatura de Garanhuns (FILG), mostrará durante o festival o que há de mais avançado tecnologicamente na indústria editorial – a impressão a laser de baixo custo, através da qual a LivroRápido já imprimiu mais de 600 títulos em seus quatro anos de existência. Segundo o livreiro e editor Tarcísio Pereira, “o avanço tecnológico barateou bastante a produção livreira, a ponto de atrair centenas de escritores pernambucanos e de outros estados, que agora têm melhores chances de tirar os originais da gaveta para vê-los publicados”.

Na abertura da Flig, haverá apresentação da dupla de cantadores Oliveira de Panelas e Lourinaldo Viturino, que recentemente realizaram turnê em Paris, recital de Jurandir Tenório e apresentações da cantora Dalva Diniz e de Maurilinho Matos.

O FIG oferecerá três oficinas Artes da Palavra: A leitura de poesia e sua encenação a partir da improvisação teatral, com Sérgio Alves (SP), A arte da leitura no espaço da biblioteca (Socorro Barros), e Contos brasileiros – Leitura e produção de narrativas, com Mayra Pinto (SP).

O Círculo de Leituras será realizado no Hotel Tavares Correia, de 24 a 28 de julho, das 10h30 às 12h. Os escritores convidados conversarão sobre suas experiências literárias, lerão trechos de livros e debaterão com os presentes. A mediação é do professor Anco Márcio Tenório Vieira. Na segunda-feira, Ronaldo Correia de Brito e Luce Pereira discorrem sobre o gêneros conto e crônica. Na terça, Jodeval Duarte e Luzilá Gonçalves se dedicam ao romance histórico, Na quarta, o escritor Raimundo Carrero, que comemora 30 anos de literatura, conta os segredos do romance de ficção. A quinta-feira será dedicada à poesia, com a participação de Marcelo Pereira e Cida Pedrosa. Na sexta-feira, os editores Homero Fonseca e Tarcísio Pereira falam de seus projetos literários e a relação entre o escritor e a divulgação de seu trabalho.

(© JC Online)


 


Resposta literária do imortal Milton Lins

O escritor e tradutor lança a coletânea Vinte histórias de magia real e de humor fictício em que dá uma resposta à polêmica que a Academia Pernambucana de Letras só abria espaço para médico-escritores

A nova coletânea de contos de Milton Lins, Vinte histórias de magia real e de humor fictício, tem pelo menos um texto onde a ironia é personagem principal. Situado num futuro distante, Segundo centenário da Academia Pernambucana de Letras traz a “Casa de Carneiro Vilela” preparando-se para dobrar mais um século de existência. “Seria a primeira vez em dois séculos de existência que os quarenta acadêmicos apareceriam numa mesma foto. Às 16 horas estavam todos sobre a pequena arquibancada metálica fornecida pela Metro Goldwin Mayer dentro do toldo resfriado disposto no jardim. No céu, armava-se uma tempestade tropical dessas que, desde 2965, passaram a nos fustigar nos meses de janeiro e fevereiro”, descreve o conto.

No horário em que a foto seria retirada, um raio acerta a arquibancada matando na hora todos os 39 acadêmicos presentes. Isso mesmo, 39, porque um deles, Alonso Viana, ficou preso num vôo que o traria dos Estados Unidos direto para as comemorações do bicentenário. Cabe ao atrasado-sortudo a tarefa de reconstruia a Academia. A ironia da história é a profissão de Viana – médico.

Nos últimos anos, a Academia Pernambucana de Letras foi alvo de inúmeros comentários que suas cadeiras estariam sendo ocupadas por médico-escritores, que na vida davam mais vazão à medicina do que ao labor literário. Imortal da APL e cardiologista, Milton Lins foi fustigado pela polêmica e resolveu dar a sua resposta em forma de conto.

“Acho isso uma tremenda bobagem. A história da literatura brasileira, isso para não falar na mundial, está repleta de grandes escritores que exerceram a medicina, sem que isso acarretasse uma diminuição da qualidade da sua obra. Eu já li esse conto para os acadêmicos durante uma sessão e todos eles acharam bem engraçado, por isso decidi publicá-lo”, esclareceu Lins, que autografa Vinte histórias de magia real hoje, na sede da APL.

O nome de Milton Lins costuma ser lembrado pelo seu trabalho como tradutor. Foi inclusive seu livro Rimbaud em metro e rima – em que verteu para o português o infant terrible das letras francesas - que o levou a conquistar um lugar na imortalidade literária. Trabalhador compulsivo, Milton já se debruçou diante de obras de nomes como Charles Baudelaire, Jean Racine, André Chénier, Stéphane Mallarmé e até dedicou uma volume inteiro ao bardo William Shakespeare. Seu último trabalho nessa área foi Pequenas traduções de grandes poetas, que traz um apanhado de diversos clássicos da poesia moderna.

Mesmo tendo se estabelecido como tradutor, Milton costuma também se dedicar à literatura. Vinte histórias de magia real e de humor fictício é um apanhado de textos, alguns inéditos (como o citado Segundo centenário da Academia Pernambucana de Letras), que trazem como ponto em comum o apego do autor ao realismo mágico.

“Na minha opinião, o realismo mágico, esse desejo de sempre buscar fatos inusitados na história, é a principal marca da minha literatura”, atesta Lins, fazendo lembrar as palavras de Borges de que toda literatura, no final das contas, seria maravilhosa.

Lançamento do livro Vinte histórias de magia real: Hoje, às 19h30, na Academia Pernambucana de Letras (Avenida Rui Barbosa, 1596)

(© JC Online)

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