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ex-vaqueiro baiano Eugênio Avelino, o Xangai |
Henrique Nunes
O canto e a poesia do sertão brabo, mas também do agreste mais ameno,
de cidadelas onde Judas encontrou as botas. Carregando no sotaque, nas
entranhas e nos sentimentos do homem nordestino, o “cantador”, violeiro e
compositor Xangai, como é conhecido o ex-vaqueiro baiano Eugênio Avelino, se
tornou uma legenda da música da região, unanimidade praticamente nacional.
Mas, sob seus mugangos e alegrias, também descortinou outras amplitudes do
seu talento. Quem desejar tirar isto a limpo, pode dar um estirão até o
Restaurante Caravalle, na Vila União, sábado próximo, e apreciar este
canário do reino da música nordestina. Entre seus clássicos, músicas de três
álbuns relançados pela gravadora Kuarup
Intérprete de incelenças e toadas nordestinas, como a folclórica “ABC do
Preguiçoso”, a célebre “Matança”, de Jatobá, e as genialidades do
conterrâneo, primo e compadre Elomar Figueira Mello, Xangai é um artista com
outros talentos na manga, fundamentados em toda a sua nordestinidade.
Mais do que isto, é um “cabra” valoroso, daqueles que gente entendida em
gente, como o nosso Falcão, costuma levantar a bola, com todo o respeito.
Com Elomar, Geraldo Azevedo e Vital Farias, Xangai protagonizou, no
intervalo entre 1984 e 1988, a esperança de um país que voltava a se
conhecer por dentro, nos dois volumes de “Cantoria”, peças-chave para a sua
consagração, ao lado do solo “Mutirão da Vida”, seu álbum mais conhecido
entre os registros pela Kuarup, deste período. Mas, antes destas maravilhas,
ele já mostrava a desingenuidade cabocla da sua música, marcada pelo toque
pessoal da sua voz e do seu violão, além de singelas orquestrações.
Seu primeiro disco, “Acontecivento”, lançado há 30 anos pela CBS, gravadora
que hoje atende por Sony/BMG, não foi trabalhado do jeito que ele queria.
Veio então a decisão pela “música independente”. Cinco anos depois, “Quê que
tu tem, canário” trazia umas “belezuras” de ave quando canta na sua mata
nativa.
Por exemplo, aquela generosa “Matança” que ensinou a mais de uma geração de
brasileiros o sentido da ecologia. “Cipó caboclo tá subindo na virola/chegou
a hora do pinheiro balançar/sentir o cheiro do mato da imburana/descansar,
morrer de sono na sombra da barriguda”, começa a letra que espalha sua
clorofila poética, enumerando uma série de árvores mortas em nome do
progresso. É o começo desta sua trilogia da independência, formada ainda por
“Eugênio Avelino”, de 1990, e “Dos Labutos”, de 1991. Independência,
inclusive deste canário nordestino a que Xangai se vê habitualmente
associado.
Todos os álbuns foram remasterizados e trazem as informações originais dos
vinis, inclusive as letras e aquele lindo painel de bichos da floresta, da
contracapa de “Qué qui tu tem canário”, que adornou as paredes de tantos
bares por esse Brasil. Nela, também constam depoimentos de Elomar e de
Capinam, acerca do “malungo” de barbas e profecias: “Você tem a origem na
bigorna de velhos ferreiros (férrea disciplina) e perante as tinhosas
tentações jamais será fausto (o de Goethe)”, alavancava o primeiro. “Xangai
(... trovador de invejável talento) atravessa um soletrado como um encourado
vaqueiro atravessa ligeiro, quase ave, o mato fechado e espinhoso em busca
de uma rês. E sai sem danos”, captava o outro. Mesmo que este bom vaqueiro
da música nordestina pareça desgarrar-se por outras veredas, ele sempre se
revela fiel à sua marca sertaneja.
(©
Diário do Nordeste)
Geraldo Azevedo inicia Festival de Inverno em
CG
ROSÂNGELA ARAÚJO
Cantando
para uma multidão, que lotou a Praça da Bandeira ontem à noite, o cantor
pernambucano Geraldo Azevedo, uma das maiores expressões da Música Popular
Brasileira, abriu o 31º Festival de Inverno de Campina Grande. O show, como
já era de se esperar, foi um espetáculo à parte. Sucessos como “Dia Branco”,
“Bicho de Sete Cabeças”, “Táxi Lunar”, “Princípio do Prazer”, “Você se
Lembra” e “Chorando e Cantando” fizeram o público delirar e espantar o frio
da noite campinense.
O momento de romantismo foi aproveitado especialmente pelos casais de
namorados que foram assistir ao show. Fugindo ao tradicionalismo, a direção
do Festival decidiu abrir o evento em ambiente aberto e não no Teatro
Municipal Severino Cabral, como aconteceu em todas as edições anteriores. A
idéia foi mais do que bem aceita pela população, que agradeceu a
oportunidade de prestigiar o talento de Geraldo Azevedo.
Cada espaço da Praça da Bandeira foi disputado pelos fãs do cantor, que
queriam, não só ouvir suas melodias, mas não deixaram escapar nenhum detalhe
da apresentação do artista. Desde que iniciou a carreira na década de 70,
Geraldo Azevedo vem acumulando fãs em todo o Brasil, sendo consagrado como
um dos mais importantes cantores da MPB. A resposta à sua carreira de
sucesso foi dada ontem durante o show com a participação constante da
platéia cantando suas músicas.
A apresentação de Geraldo Azevedo abriu o evento de forma não oficial. A
abertura oficial do festival acontecerá no Teatro Municipal hoje à noite.
Com o tema nordestinidade brasileira, a 31ª edição do evento pretende trazer
à discussão, através da arte, toda a nordestinidade do povo brasileiro. Além
de Geraldo Azevedo, artistas como Antônio Nóbrega, Zé Laurentino, Astier
Basílio, Jessiê Quirino e as expressores culturais Nação Zumbi, Balet
Maracatu Leão Dourado, Balet Folclórico da Bahia, entre outras
representatividades nordestinas e brasileiras, estão na programação do
evento. A cantora Elba Ramalho encerrará o evento com um show no dia 23,
também na Praça da Bandeira.
(©
Jornal da Paraíba, 14.07.2006) |
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