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Toque de classe no frio de Garanhuns 

Benjamin Sung, violino e viola, norte-americano de origem oriental e doutor pela Universidade de Indiana (EUA) também participa

Igreja de Santo Antônio abre as portas mais uma vez para receber o melhor da música erudita. São 60 obras de 45 compositores, 30 músicos do Recife, 24 cantores e quatro solistas

PAULO SÉRGIO SCARPA

A música erudita ganhou mais espaço, este ano, no 16º Festival de Inverno de Garanhuns, que tem início amanhã. Serão 60 obras de 45 compositores e uma estréia em Pernambuco: Fratres, obra de 1989 do compositor estoniano Arvo Pärt (1935). Com 30 músicos do Recife, 24 cantores e quatro solistas - dois recifenses e dois da Eslováquia.

Uma maratona com entrada franca entre os dias 21 e 29, sempre às 21 horas, na Igreja de Santo Antônio, que será aberta com o Réquiem, obra do final da vida de Mozart para quatro solistas, coro e orquestra, dentro das comemorações pelos 250 anos do nascimento do compositor austríaco. O festival terá, também, um coral infanto-juvenil, formado especialmente para o evento, com 50 crianças e adolescentes de Garanhuns.

“Um fato a ser comemorado já que a música erudita foi aceita há apenas três anos no festival”, lembra a pianista Ana Lúcia Altino, organizadora da programação do 3º Virtuosi na Serra e do Virtuosi, o Festival de Música Internacional de Pernambuco, que ocorre há oito anos no Recife. Ela recebeu R$ 62 mil da Fundarpe para organizar as apresentações e R$ 15 mil do BNB para a formação do coro infanto-juvenil, selecionado e ensaiado pelas professoras Anaíde da Paz e Elurdiane da Cunha nos últimos 30 dias. “O coral pode ser o início de uma nova atividade musical a ser desenvolvida pela Prefeitura de Garanhuns, se assim for o caso”, explica o maestro Rafael Garcia.

A programação erudita terá ainda aulas práticas com os professores Benjamin Sung, violino e viola, norte-americano de origem oriental e doutor pela Universidade de Indiana (EUA), Rucker Bezerra, violino, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e da Orquestra Sinfônica da Paraíba, o romeno Catalin Rotaru, contrabaixo e violoncelo, professor da Universidade do Arizona (EUA). As aulas serão dadas aos integrantes da Orquestra Jovem de Pernambuco, formada por jovens entre 16 e 22 anos, selecionados pelo maestro Rafael Garcia, pelo Projeto A fábrica de música, de 2005. Até um piano, da marca Neufeld, foi providenciado para o concerto.

A inclusão de obras do brasileiro Heckel Tavares (1896-1969) foi a maneira que Ana Lúcia Altino encontrou para homenagear os 100 anos de nascimento do poeta pernambucano Manoel Bandeira. “As três canções infantis para serem cantadas nas escolas, com letra de Bandeira, foram encontradas no baú de uma tia, Edimar Altino, com dedicatória, de 1929, a meu avô Edgar Altino, ex-presidente da Sociedade de Cultura Musical do Recife”, conta. As obras serão apresentadas em primeira audição em Pernambuco.

O álbum tem seis canções para crianças, que falam de um Brasil ufanista, de futuro e de paz. Como em O Brasil é bom: “O Brasil é bom/o Brasil é mais que bom/é mesmo o Brasil/é tudo que há de bom/na terra venham todos ao Brasil/que é muito bom/venham todos ao Brasil/Ah, meu Deus, que país este meu Brasil”. Ou em Princesa dona Izabel: “Mamãe disse que a senhora perdeu o seu lindo trono/mas tem um mais lindo agora/No céu está esse trono/que agora a senhora tem/Além de ser mais bonito/ninguém o tira de ninguém”.

Os destaques deste ano ficarão com as apresentações dos cantores internacionais Gabriela Hübnerová, meio-soprano e Ondrej Saling, da Ópera Nacional de Brastilava, acompanhados pelo pianista Jan Salay. E a apresentação dos pernambucanos Nadja de Souza, soprano, e Marcelo Ferreira, barítono, destaques no último Concurso Bidu Sayão de Canto, organizado pelo governo da Amazônia, em Manaus. Ao lado dos cantores internacionais interpretarão o Réquiem, de Mozart.

O festival apresentará também dois conjuntos de sopros, dos mais respeitados do País. O Quinteto Brassil, com dois “s” mesmo, formado por trompetes, trompa, trombone, tuba e percussão, e o Quinteto Latino-americano de sopros da Paraíba, com flauta, oboé, clarinete, fagote e trompa. E o Trivium, grupo de jovens que tocam violino, piano e flauta doce.

Para quem gosta de ópera ou duetos, o festival preparou uma seleção de árias famosas de Verdi, Rossini, Mozart.

(© JC Online)

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