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11/06/2008
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Miguel
Portela
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Luciano Maia
canta sua vida com lembranças da infância com um olhar no presente |
O escritor Luciano Maia lança
“Autobiografia Lírica”, na qual reúne, por meio de poemas, suas memórias
pela vida urbana e interiorana. O lançamento do livro acontece hoje às
19h30 no Centro Cultural Oboé
A lembrança aparece na incerteza do verbo, corroído pelo tempo. Pela
Editora Escrituras, de distribuição nacional, o poeta Luciano Maia
apresenta o seu mais recente livro: “Autobiografia Lírica”. A publicação,
por meio de versos, relata, canta e lembra seu tempo de meninice, jogando
luzes no presente.
A infância é um período marcante para o poeta. Ele viveu parte da
adolescência em dois interiores: no Vale do Jaguaribe, no Ceará, e no
interior do Estado de São Paulo. Aos 15 anos, veio de vez para Fortaleza.
A cidade o adotou. Hoje, ele se sente a vontade ao flanar por estas urbes
caóticas, principalmente, porque participa de alguns movimentos
intelectuais de Fortaleza.
Luciano é formado em Direito pela UFC, onde também fez mestrado no
Departamento de Letras. Ocupa, hoje, a cadeira de número 23 da Academia
Cearense de Letras, cujo patrono foi Juvenal Galeno. Sem deixar a
universidade, Luciano, atualmente, ensina na Unifor, as disciplinas
História da Arte e Curso de Monografia Jurídica. “A experiência
universitária para mim foi extremamente enriquecedora, pois nela eu pude
ter contato com várias realidades e garantir um enriquecimento de valores
culturais”, explica.
“Autobiografia Lírica” conta com a orelha escrita por Virgílio Maia,
prefácio de Francisco Carvalho e o posfácio de Napoleão Nunes Maia Filho.
Nele, o poeta tem a preocupação de não se limitar a memórias factuais. “Na
verdade, eu tento olhar para o meu passado por meio de uma visão de hoje.
São reminiscências e experiências que vêm me acompanhando ao longo da
vida”. Nos poemas, há uma visão campestre e bucólica de um interior no
qual ele não vive mais, mas sempre revisita, para encontrar os parentes e
amigos deixados no Vale do Jaguaribe, em Liomeiro do Norte.
Apesar da análise do passado partir de uma perspectiva contemporânea, ele
não deixa de carregar tons bucólicos, porém sem transparecer saudosismo.
“Em vez de ser saudosista, eu faço uma revisitação a minha infância”. Por
isso, ele canta: “Regressar àquele tempo/ é trabalho da memória/ mas
nunca, jamais implore a/ viagem sem contratempo:/ água, sol, poeira e
vento/ trataram de desfazer/ o que a você era crer/ fosse algo da
eternidade:/ não é a mesma verdade, tampouco é o mesmo o viver.”
E lembra mais. Aparece de tudo nessa imagem pretérita. Afinal, foram
quinze anos transcorridos em cidades de interior. Aparecem rios e riachos,
chapadas, córregos, veredas e o canário da terra. Tudo isso dentro da
saudade do homem que lembra “o tempo perdido”.
O curioso na obra de Luciano Maia é o uso recorrente dos sonetos. “Acho
que isso é influência das minhas primeiras leituras. Lia Padre Antônio
Tomaz e Jorge de Lima. Eles foram os dois maiores sonetistas que existiram
no Brasil”. Mesmo sendo um estilo não muito bem quisto pelos críticos
literário contemporâneos, Luciano Maia afirma gostar dos sonetos e diz
estar muito mais preocupado com o discurso de sua obra, ao invés da forma
poética. “Essa querela sobre se vale a pena ou não ainda se escrever
sonetos é completamente inútil. Como dizia Paulo Bomfim, o soneto é um
poema vestido com traje a rigor. Ele ainda sobrevive”.
Mas nem só de sonetos e do tempo passado compõem a “Autobiografia Lírica”
de Luciano Maia. Outros estilos de versos livres estão presentes. A grande
preocupação do poeta está em garantir o ritmo de suas estrofes, mas sempre
com uma métrica consistente. O tempo presente não escapa das críticas e
das reflexões líricas acerca da metrópole com todas as suas discrepâncias.
“Talvez ecoe o soluçar de um grito/ num recôndito tempo rebuçado/ e
repercuta ali o mais aflito/ dos prantos deste povo deserdado”.
Depois deste belo livro, no qual despendeu cerca de um ano para produzir,
Luciano Maia pretende publicar mais dois livros: um primeiro sobre a
língua portuguesa e o segundo resultado de sua dissertação de mestrado
sobre o poeta cearense Gerardo Melo Mourão, no qual Maia apresenta o
conceito de épico-contemporâneo. Além disso, nos próximos meses, saíra uma
nova edição de seu mais famoso livro “Jaguaribe - Memória das Águas”. O
livro terá os poemas musicados por Rodger Rogério, com direito a
encenações dirigidas por Augusto Pontes.
SERVIÇO: Lançamento do livro “Autobiografia Lírica”, de Luciano Maia.
Hoje às 19h30, no Centro Cultural Oboé (Rua Maria Tomásia, 531). O livro
será vendido no local por R$ 20,00.
(©
Diário do Nordeste)
| Miguel
Portela |
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| LUCIANO
MAIA: “Meu objetivo com este livro é de tentar perenizar a memória
de pessoas, de objetos, de bichos e todo o universo cultural da
pequena região” |
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LUCIANO MAIA
Memórias perenes
Águas correntes, palavras fluentes. Qual seria o destino da poesia caso não
existisse a natureza? Retratos rimados do rio Jaguaribe. Da nascente à foz,
de passagem pelas margens férteis, os versos do livro “Jaguaribe - memória
das águas”, de Luciano Maia, ganham nova edição (a sétima) com belíssimas
imagens do parceiro, já conhecido, Audifax Rios. A novidade, além das
ilustrações, é o apêndice com novos poemas, retratando o drama dos
habitantes de Nova Jaguaribara. No lançamento do livro, hoje, no Centro
Cultural Oboé, Luciano apresenta ainda uma homenagem a Pablo Neruda, em
“Neruda - Canto Memorial”
O cenário é o Ceará, com cerca de 90% do seu território entregue ao
semi-árido. Cortando as terras, um dos maiores reservatórios de água do
Estado, com mil e uma utilidades: a bacia do rio Jaguaribe, correspondente a
55% do território cearense. O olhar do poeta a transforma em arte, versos,
imagens verbais, sentimentos.
As sensações de contemplação da imensidão de água natural, além das relações
de dependência e de necessidade do povo com o rio que rega suas terras, são
retratadas por Luciano Maia, poeta nascido em Limoeiro do Norte, na Ilha de
Parapuã, região banhada pelas águas do Jaguaribe.
“Meu objetivo com este livro é de tentar perenizar a memória de pessoas, de
objetos, de bichos e todo o universo cultural da pequena região”, explica o
poeta. E vem conseguindo contar bem a história. “Jaguaribe - memória das
águas” já se encontra na sétima edição e conseguiu alcançar dimensão
internacional, com traduções para a Argentina, Estados Unidos e Romênia. Nos
próximos meses, o livro estará sendo apresentado como espetáculo teatral.
Mas os méritos não são em vão. O livro é muito bem construído. Dividido em
seis partes, Luciano Maia sugere um universo fluvial muito delicado,
inserindo a sensação de quem vive na região e vai até a situação dos
moradores que, por causa do açude Castanhão, tiveram as casas perdidas e
foram obrigados a transferir-se do local.
A primeira parte do livro, chamada de “Dedicatória”, traz poemas de oitava
rima - poemas curtos de um único estrofe, com oito versos cada, compostos
por rimas alternadas - nos quais agradece aos cantadores, aos retirantes,
aos bichos, às nuvens e aos rios-irmãos, aos outros rios, ao mar.
Já no “Canto dos elementos”, Luciano apresenta cinco sonetos, correspondendo
cada um aos cinco elementos da natureza: terra, água, mar, fogo, sol e
vento.
A partir de “Canto das nascentes”, há uma maior liberdade na construção dos
poemas. Aparentemente, eles não seguem nenhum estilo, mas, com um olhar mais
apurado, percebe-se que, a cada poema, as sílabas dos versos vão crescendo.
No primeiro, todos os versos possuem apenas uma sílaba. No segundo, duas.
Assim segue sucessivamente até chegar aos poemas de dez sílabas. Representa
assim, o percurso do rio, da pequena nascente, ao montante de água.
(©
Diário do Nordeste, 01.09.2005)
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