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Henrique Macedo em CD solo

11/06/2008

 

Destaque na cena do Recife dos anos 80, cantor está de volta e com disco novo, letras bem construídas, melodias engenhosas e clima pop


JOSE TELES

“Eu estava há onze anos em São Paulo que é uma cidade que vai te devorando, você acaba virando operário. Ganhava bem, mas estava uma coisa vazia. Sempre passava férias no Recife e via aqui todo mundo fazendo as coisas, resolvi voltar”. É assim que o cantor e compositor Henrique Macedo explica seu retorno a Pernambuco. Amanhã ele faz sua reentrada oficial na música da cidade, na Livraria Cultura, a partir de 19h (entrada grátis). apresentando ao público seu primeiro disco individual, Por nada, em pocket show: “Canto oito músicas. No palco vão ser eu e um baixista, Eliano Macedo. Vai ter também duas canções inéditas, que não estão no CD”, adianta.

O disco foi gravado no Via Som, produzido por Henrique Macedo e Lulu Oliveira, com o repertório inteiro assinado em parceria com Paulo Marcondes: “Ele é um letrista genial. Conheci Paulo em 1983, eu estava começando, e uma dia ele me deu um bloco com um monte de letras, muita coisa boa. Neste disco tem parceria que fizemos em 1984, e algumas bem recentes”, explica Henrique Macedo, acrescentando que o pocket show servirá igualmente para ele fazer contato com um público que não conhece e que também não o conhece: “Passei muito tempo em São Paulo, mas não tive problemas para me entrosar novamente, talvez porque nunca me senti fora do Recife. Quando cheguei notei, obviamente, que muita coisa havia mudado, e daí? O que eu faço sou eu, o que fulaninho faz é ele. Não me preocupo com moda, estéticas. Em fazer samba porque todo mundo está fazendo samba, nem em estar dentro de um conceito mangue, pernambucano”, comenta.

Henrique Macedo faz parte da geração de Lenine, Zeh Rocha, Lula Queiroga, Geraldo Maia. Foi companheiro de Lenine no grupo Nós e Voz: “Normalmente se fala dos anos 80 descolado dos anos 90, mas muita gente que fazia música nos anos 80 continuou nos 90, feito Fred Zeroquatro, muito grupo de rock, que depois virou mangue. Não era fácil fazer música por aqui, ainda não entendo como eu e Geraldo Maia conseguimos gravar um LP naquela época”. Henrique Macedo refere-se a Cenas de ciúme, que ele dividiu com Geraldo Maia, em 1987. O disco conseguiu relativo sucesso, tocou razoavelmente no rádio. A dupla fez uma concorrida temporada no bar Espírito da Coisa, um dos mais movimentados dos anos 80: “Fizemos dois meses no bar Espírito da Coisa, com a casa sempre cheia. Fizemos apresentações no Ceará, Alagoas, trabalhamos o disco como foi possível, mas não deixou de ser um ato de bravura para a época”.

No Recife de hoje, Henrique Macedo diz que ainda estranha o fato de aqui ter tanta gente fazendo, gravando música e, por exemplo, não existir uma indústria voltada para este mercado: “Para prensar meu disco, precisei mandar para Salvador. Recife ainda tem estas deficiências”, critica.

Por nada é um disco cujo estilo é não se atrelar a nenhum estilo. Do samba ao fox-trot, Henrique Macedo encara qualquer ritmo. O que amarra o repertório são as letras bem construídas, melodias engenhosas e um clima pop, radiofônico. Ele até diz que o trabalho é um catálogo: “Mostra o que fizemos em várias fases, com um pouco de tudo. Espero que outros artistas ouçam este disco e que se interessem por alguma música que sirva para eles”.

(© JC Online)

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