|
11/06/2008
|
 |
|
Margareth Menezes
(à direita) com Ivete Sangalo |
Após sete anos sem gravadora, a cantora faz shows
para seu segundo DVD, uma declaração de amor ao ritmo que ela ajudou a
popularizar duas décadas atrás
Paulo Lemos, SALVADOR
A cantora baiana Margareth Menezes encontrou um
jeito de retribuir ao samba-reggae tudo o que esse gênero lhe proporcionou
em 20 anos de carreira, como uma das vozes mais marcantes da música
brasileira. Maga, como é conhecida pelos fãs, apresenta o projeto Margareth
Menezes - Homenagem ao Samba-Reggae, uma declaração de amor do seu segundo
DVD ao ritmo híbrido que a cantora ajudou a popularizar, graças à mistura
que ela denomina afropop: samba africano com o suingue da Jamaica.
Será inevitável ouvir outra vez, em regravação, o sucesso Faraó, primeiro
samba-reggae gravado no Brasil. O DVD será gravado hoje e amanhã, na Concha
Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador, num show que terá a
participação de artistas como Carlinhos Brown, Saul Barbosa e Matheus
Aleluia. "No DVD tem também Ivete Sangalo, Seu Jorge, Falcão do Rappa e
Arnaldo Antunes", disse. Ela vai regravar sucessos como Tieta e Ellegibó e
homenagear blocos de carnaval de Salvador em dois popurris de sucessos de
três entidades. "A idéia é evitar folclorizar e perceber no som afropop a
possibilidade de elevar a estima dos afrodescendentes", explicou.
Sete anos sem gravar a fizeram sentir o gostinho agridoce de ter público
consolidado e ficar fora dos esquemas de divulgação. Agora, lições
aprendidas, ela vem cultivando relacionamento mais amistoso com a indústria
fonográfica. Ela só não abre mão da pesquisa sonora, pois acredita não ter
"problemas em misturar ritmos". E não quer passar à história "apenas" pela
comparação a Aretha Franklin, com sua voz grave que, mesmo tão marcante, não
lhe garantiu logo o estrelato.
A menina alegre do bairro pobre da Boa Viagem, na Cidade Baixa, treinava a
voz no coral da igrejinha onde a comunidade reverencia a imagem de Bom Jesus
dos Navegantes, no dia 1º de janeiro. Sapeca, logo se encantou pelo teatro e
o violão, dos quais jamais se separou, levando para o palco seus
conhecimentos de música e da arte de representar, cuja trajetória começou na
peça Ser ou não Ser Gente, no Teatro Vila Velha.
TROCA DE SEGREDOS
A noite veio juntar-se ao teatro e ao violão, quando Margareth passou a
apresentar-se em bares de Salvador e agitar a cena cultural da cidade como
produtora, participando da fundação do Circo Troca de Segredos, ponto de
encontro da juventude. Mas a Bahia fica pequena demais quando o talento
cresce. E Margareth, então, foi para São Paulo, apresentar-se na peça
Colagens e Bobagens e realizar seu primeiro show, Banho de Luz, vencedor do
Troféu Caymmi de melhor intérprete. O carnaval passou a ser a rota
inevitável da cantora que ajudou a mulher a ampliar mais uma fronteira no
mercado cultural, pois até o fenômeno Margareth, no pequeno bloco 20 Vê,
eram os homens que comandavam os trios elétricos.
Sempre em expansão, a música planetária é a sua vocação. Foi assim que Pepeu
Gomes a levou para o 7º Festival de Música do Caribe, gravar seu primeiro
disco, em 1989. O segundo disco, Um Canto para Subir, parecia estar
prenunciando seu sucesso, tendo como parceiros Gilberto Gil e Dominguinhos.
Em seguida lançou um CD nos EUA, encantando David Byrne e Talking Heads. Foi
então que ela abriu as portas do world music, com o lançamento de Ellegibô,
em 1991. Hoje, 12 turnês internacionais depois, ela volta ao ponto onde tudo
começou: o som original, simples e criativo do samba-reggae, gostoso de
dançar e fácil de entender e alcançar o maior público possível.
(©
Agência Estado)
Com relação a este tema, saiba mais
(arquivo NordesteWeb)
|
|