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Lanny Gordin ressurge de um longo ostracismo

11/06/2008

Lanny Gordin, o guitarrista que fez sucesso junto com os baianos da Tropicália


Um dos melhores guitarristas da década de 70, o músico voltou aos palcos em show com Gal Costa em Londres e prepara disco cheio de convidados

JOSÉ TELES

Serginho Dias Baptista, dos Mutantes é, geralmente, considerado o melhor guitarrista do Brasil nos anos 70. Ele foi certamente o mais famoso. O melhor, no entanto, o próprio maestro do tropicalismo Rogério Duprat, na época, já desfazia qualquer dúvida: foi um garoto tímido, um pouco gago, alto, magro, de cabelos longos, de 20 anos, chamado Lanny Gordin.

Muitas vezes comparado a Jimi Hendrix, ele se tornara o guitarrista preferido de Gal Costa, Gilberto Gil, Ronnie Von, Caetano Veloso (é o responsável pelos solos de Irene nas gravações originais de Atrás do trio elétrico). Em 1971, o precoce Lanny Gordin fez todos os arranjos do celebrado álbum A todo vapor, de Gal Costa. Com 22, foi o único instrumentista a participar do lendário encontro, que reuniu, em 1971, João Gilberto, Caetano Veloso e Gal Costa num especial, de três horas, realizado pela extinta TV Tupi.

Filho de pai russo e mãe polonesa, Alexander Gordin nasceu em Xangai, em 1951. Quando tinha dois anos a família mudou-se para Israel. Aos seis anos, os pais vieram para o Brasil. O pai de Lanny era pianista e abriu, em São Paulo, uma casa noturna badalada, a Stardust: “Toquei no Stardust durante 15 anos, foi lá que conheci Tony Osanah, crooner dos Beatboys, que me apresentou aos tropicalistas”, recorda Lanny Gordin, em entrevista por telefone, de São Paulo, onde está morando.

Mas o ponto alto da carreira de Lanny Gordin não aconteceu com os tropicalistas. Curiosamente deu-se, em 1968, com o Brazilian Octopus, um grupo formado para animar desfiles de moda, promovidos pela Rhodia (empresa têxtil, que divulgou por algum tempo seus produtos com a música mais avançada da época). Não faz tempo, numa desta indefectíveis listas de melhores de todos os tempos feita pela revista inglesa Mojo, o único disco gravado pelo Brazilian Octopus foi incluindo entre os 100 melhores álbuns da história do psicodelismo. Além de Lanny, o grupo tinha Hermeto Pascoal, Cido Bianchi (ex-pianista do Jongo Trio e do Milton Banana Trio), o violonista Olmir Alemão Stocker (autor de O caderninho, hit da jovem guarda) e o jazzista Nilson da Matta.

Em meados dos anos 70, o nome de Lanny Gordin foi sumindo da imprensa, e ele dos estúdios e palcos. Seu último grupo foi o Lanny Trio, com o baixista Novelli e o baterista Jorginho, que fez apresentações, mas não chegou a lançar disco. As comparações mudaram. Se antes ele seria o nosso Jimi Hendrix, agora era comparado a Syd Barrett, ou seja, mais uma baixa da Era de Aquarius, na qual o veículo que mais se usava para viagens atendia pelo nome de ácido lisérgico.

À pergunta “Por onde você andou estes tempos todos, Lanny?”, o guitarrista não titubeia: “Afastado, tive problemas de cabeça. Fui internado três vezes”. Ele fala pausado, gagueja um pouco, mas quem o viu de volta aos palcos, garante que a guitarra continua azeitadíssima. Em 2001, graças a Luiz Calanca, do pioneiro selo independente Baratos & Afins, ele lançou dois discos de uma só vez, Lanny Gordin & Projeto Alfa Vols. 1 e 2. Foi acompanhado por Guilherme Held (guitarra), Fábio Sá (contrabaixo) e Zé Aurélio (percussão), mesmos músicos que estão o guitarrista em seu próximo projeto, um disco de duetos, idealizado pelo seu atual empresário, Gláuber Amaral.

Lanny Gordin, que tocou recentemente no Barbican em Londres com Gal Costa, mostra-se entusiasmado com o novo disco, que reúne pelo menos quatro gerações da MPB: Caetano, Gal, Gil, Jards Macalé, Adriana Calcanhoto, Edgar Scandurra, Wanessa da Mata, Rodrigo Amarante, Chico César, Zeca Baleiro, Fernanda Takai, Péricles Cavalcanti, Max de Castro e Arnaldo Antunes. Gláuber Amaral confirma que o disco tem lançamento previsto para outubro. Lanny está entusiasmado também com a retomada da carreira. Lembra que só tocou uma vez no Recife, com Gal Costa, no show A todo vapor, e que gostaria de fazer um festival como o Abril pro Rock. Dos velhos tempos, ele guarda a guitarra que o tornou famoso, uma Gianinni Sonic, mas o instrumento que usa hoje é uma Gibson 135, o estilo enérgico, veloz, mudou, explica Lanny: “Estou criando um novo estilo, mais atual, a caminho da música pura”.

(© JC Online)

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