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11/06/2008
Cantor mostra músicas do seu quarto disco – que vai lançar até o fim do ano – em show na Livraria Cultura, hoje à tarde MARCOS TOLEDO A cada dois anos, o cantor Gonzaga Leal vai colecionando uma obra marcada pelo requinte na escolha de repertório, arranjos e execução musical. Atualmente, o intérprete conclui as gravações de seu quarto álbum, com o qual, mais uma vez, faz reverência a alguns dos principais compositores brasileiros de várias épocas. Hoje, às 17h, no auditório da Livraria Cultura (Paço Alfândega, Bairro do Recife), o artista antecipa algumas canções de seu mais novo rebento, cujo lançamento está previsto para dezembro deste ano. O CD ...E o nosso mínimo é prazer demonstra uma franca influência do projeto Receita de samba, que o também produtor realizou em 2005. Temporão, o cantor estreou em disco em 2000, com O olhar brasileiro de Gonzaga Leal, trabalho no qual interpretou temas de Sueli Costa & Paulo César Pinheiro, Heitor Villa-Lobos & Dora Vasconcelos, Carlos Gomes, Paulinho da Viola, Capiba, Chico Buarque e Moacir Santos & Vinicius de Moraes, entre outros. Dois anos depois, gravou Minha adoração: um tributo a Nelson Ferreira, e, em 2004, Gonzaga Leal cantando Capiba ...E sentirás meu cuidado, obras dedicadas a dois dos principais autores conterrâneos. Em se tratando de produções independentes, os discos tiveram um desempenho no mercado no mínimo bom: juntos, venderam quase 15 mil cópias, com especial performance do CD sobre Capiba, que teve nove mil cópias prensadas. “Vendeu mais fora (do Estado) do que aqui”, comemora e lamenta, ao mesmo tempo, o produtor. Tal atuação proporcionou ao artista recursos para realizar, por conta própria, seu quarto empreendimento. ...E o nosso mínimo é prazer tem o título extraído de um verso da canção Música de frente (Fábio Tagliaferri & Manu Lafer), presente no álbum. “Venho de dois discos temáticos, muito sisudos, próximos ao erudito”, classifica o cantor. “Resolvi reunir um repertório com coisas que sempre gostei de cantar – maxixes, sambas-canções... –, que tem uma linguagem brejeira, agreste.” Indubitavelmente, o Receita de samba, que produziu no ano passado, serviu de laboratório para a definição das 14 músicas (duas gravadas em São Paulo) que compõem o novo CD. “(O projeto) veio aquecer um repertório que já vinha pensando para esse disco. Foi muito determinante”, reconhece. A canção Leonor (Itamar Assumpção), por exemplo, que integra o álbum, foi uma das mais executadas por Gonzaga Leal em 2005 no Receita de samba, que teve como co-anfitriões os cantores Dalva Torres e Geraldo Maia, e como convidados artistas como Junio Barreto, Alaíde Costa, Maria Medalha, Carlos Sandroni, Zeh Rocha e Rui Ribeiro, e o conjunto Choro Brasil, entre vários outros. BEM ACOMPANHADO – A diva da MPB Alaíde Costa, por sinal, é uma entre os vários artistas convidados (outro trunfo das obras de Gonzaga). Sob a direção musical do músico Cláudio Moura (SaGrama), ...E o nosso mínimo é prazer tem participações especiais de Ná Ozetti, Isaar de França, Lula Queiroga, Siba, Mônica Feijó e SaGrama, configurando-se como o trabalho com o qual o autor mais se integra à geração da chamada fase de renovação da música pernambucana. No acompanhamento, o intérprete também está muito bem amparado, com o apoio de instrumentistas como o percussionista Raimundo Costa, a violonista Savine Egan, o guitarrista Luciano Magno, o acordeonista Cezinha, o violonista Bozó e o saxofonista Spok, apenas para citar alguns. O mesmo ocorre nas composições, que trazem temas de Tom Zé & Zé Miguel Wisnick (Cego com cego), Junio Barreto (Se vê que vai cair deita de vez), Edu Lobo & Chico Buarque (A permuta dos santos) e Lula Queiroga (A telefonista na floresta predial). “Esse disco está com mais peso, mais corpo. Tem guitarra com distorção e bateria”, diferencia Gonzaga. Em tempo: ...E o nosso mínimo é prazer é dedicado ao maestro Clóvis Pereira, que o incentivou no início da carreira. “Foi a primeira pessoa que me deu o aval para poder cantar, na TV Jornal do Commercio”. Pocket show com o cantor Gonzaga Leal – hoje, às 17h, na Livraria Cultura (Paço Alfândega, Bairro do Recife. Fone: 2102-4033). Ingresso: 1 kg de alimento não perecível
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