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Festival faz Recife viver a literatura

11/06/2008

Alice Ruiz é um dos destaques do Festival


O 4º Festival Recifense de Literatura será realizado entre os dias 16 e 27 de agosto em diversos pontos da cidade com vários homenageados


Foi divulgada ontem a programação do 4º Festival Recifense de Literatura – A letra e a voz, que acontece entre os dias 16 e 27 de agosto em diversos pontos da cidade. O evento, que tem como homenageados Manuel Bandeira, a editora Elita Ferreira (falecida este ano) e os irmãos Raul e Edgard Moraes, resolveu pagar tributo de última hora ao crítico João Alexandre Barbosa, falecido quinta passada.

O festival A letra e a voz este ano cresceu seu raio de atuação e chega repleto de novidades. Um delas é o projeto de leitura de ficção, que irá ocorrer entre os dias 21 e 25, no auditório da Livraria Cultura, a partir das 19h. É bom ressaltar que a leitura de prosa, apesar de ser comum na Europa e nos Estados Unidos, não é habitual no Brasil. Para esse projeto, foram convidados nomes como Homero Fonseca, Luce Pereira, Joana Rozowykwiat, Ronaldo Correia de Brito e Francisco Dantas.

A poesia, é claro, não foi esquecida. Também no auditório da Livraria Cultura, entre os dias 21 e 25, sempre às 20h, participantes como os jornalistas Xico Sá, Marcelo Pereira, Marco Pólo e Marcelo Mário de Melo e as escritoras Lucila Nogueira, Deborah Brennand e Alice Ruiz farão recital. A grande novidade do festival este ano também passa pelo “falar poético”: é a primeira edição do Recitata, abreviação de Recife em Cantata.

A partir do dia 19, poetas do Recife participarão de uma espécie de torneio com o objetivo de divulgar a poesia através de recitais, com textos autorais, em língua portuguesa. Eles serão julgados pelo próprio público e receberão prêmio em dinheiro. A primeira etapa eliminatória acontecerá no Mercado da Boa Vista, nos dias 19 e 26 de agosto, a partir das 10h. Participarão da competição cerca de 60 pessoas. As comissões julgadoras, formadas por cinco membros, serão escolhidas através de sorteio entre o público presente. A finalíssima acontece durante o último dia do festival, na Festa do Livro, a partir das 15h. O primeiro lugar leva R$ 1 mil.

Um outro homenageado do Festival este ano é a Praça do Sebo, no centro do Recife, reduto dos colecionadores ávidos por encontrar exemplares raros, que está comemorando 25 anos. O 4º Festival Recifense de Literatura traz a festa para sua programação, numa parceria com os sebistas do local. Nos dias 25 e 26, shows e recitais vão marcar essas “bodas de prata”, na Rua da Roda, onde está localizada a Praça.

Além dos painéis, seminários e das festas, o festival A letra e a voz realiza oficinas ligadas ao fazer e pensar literário por escolas municipais da Região Metropolitana e pelas bibliotecas populares de Afogados e de Casa Amarela. Além das aulas, os inscritos poderão conhecer pessoalmente alguns escritores recifenses que lerão trechos de seus livros e serão entrevistados pelos estudantes. Todos os eventos do festival são gratuitos.

(© JC Online)


Grandes nomes e temas compõem menu do evento

O crescimento da programação do Festival a letra e a voz também espelha a preocupação da Fundação de Cultura do Recife em trazer grandes nomes da literatura para discutirem com o público. Em 2006, quando são lembrados os 50 anos do romance Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, o clássico rosiano será discutido pelo escritor sergipano Francisco Dantas. O autor é hoje um dos nomes mais premiados do cenário literário brasileiro e sua obra procura renovar o olhar sobre o Sertão, essa região que sempre dá pano para as mangas para o pensar artístico.

Quem também chega ao Recife é Alice Ruiz, viúva de Paulo Leminski e um dos maiores nomes da literatura independente brasileira. Atualmente, Alice ministra oficinas de haicai em vários Estados e possui parceria musical com nomes como Itamar Assumpção, Arnaldo Antunes, Zélia Duncan, Chico César e José Miguel Wisnik. Outro autor bastante ativo na cena literária brasileira é o do paulista Cláudio Daniel, que além de publicar seu trabalho como poeta, atua como articulador em diversas publicações pelo País.

As temáticas, que serão discutidas nas mesas do festival, também aparecem diversificadas. Serão discutidos autores como Mia Couto, João Cabral de Melo Neto, além de questões envolvendo os problemas do livro hoje no Brasil.

POESIA PELAS RUAS – O Festival a letra e a voz inicia suas ações em grande estilo, com o projeto Um bonde chamado poesia. No dia 16, das 8h às 17h, a Frevioca irá percorrer cinco bairros do Recife num grande recital itinerante como homenagem ao Dia do Poeta Recifense.

O percurso começa na Biblioteca de Casa Amarela, passando pelo mercado desse bairro e depois pelo Mercado de Afogados e Estação do Metrô. O bonde segue em direção à Biblioteca de Afogados, mercados da Boa Vista e de São José, passando pelo circuito das estátuas dos poetas Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto, na Rua da Aurora (Centro do Recife). O fim do passeio é na Praça da Independência, em frente à estátua de Carlos Pena Filho.

A frevioca conta, durante o trajeto, com 4 grupos de 2 a 4 poetas que irão recitar versos de sua própria autoria. O veículo realiza paradas estratégicas durante todo o percurso - momentos em que qualquer pessoa pode subir no bonde e recitar a sua poesia. No dia 16, a abertura oficial do festival acontece no Teatro do Parque, com concerto da Orquestra Sinfônica do Recife.

(© JC Online)

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