|
|
11/06/2008
Festa marcou a entrega do Prêmio Nacional Jorge Amado de Literatura e Arte ao compositor de "Dora" e "Morena de Itapuã" Paulo Lemos SÃO PAULO - Na noite de quinta, foi entregue o Prêmio Nacional Jorge Amado de Literatura e Arte ao cantor e compositor Dorival Caymmi. Ninguém como este obá de Xangô, orixá da Justiça, consegue unir tanta gente em torno do ideal do baiano típico. Foi esta capacidade e a qualidade de sua música impregnada dos cenários de Itapuã, bairro onde morou e divulgou mundialmente, que lhe garantiram tanto reconhecimento. A noite de festa para a cultura brasileira começou com a apresentação do coral do Teatro Castro Alves e a apresentação de Histórias de Jorge Amado, texto extraído do livro Navegação de Cabotagem, com os atores Yumara Rodrigues e Gideon Rosa. Ao chegar ao Teatro Castro Alves, por volta das 21 horas, em cadeira de rodas, Caymmi teve a recepção de um semideus. No terno bege, vestido sobre uma camisa de gola estampada vermelha-e-branca, manteve a elegância que sempre o fez considerar a si próprio como um homem atraente, de voz grave irresistível e capaz dos melhores versos para cantar o dengo que a baiana tem. Os olhos miúdos, marejados, mexiam pouco, enquanto a autoridade discursava para justificar o que nem precisava: os critérios que levaram um júri de quatro especialistas a destacar o compositor como merecedor do cheque de R$ 100 mil. Caymmi segurou o braço esquerdo com a mão direita durante a cerca de meia hora em que permaneceu no palco, e o manteve nesta posição, mesmo quando recebeu da amiga e comadre Zélia Gattai um beijo na testa, gesto que arrancou mais aplausos e se tornou mais representativo que o diploma da premiação da festa preparada pelo governo baiano. Ao som de "Dora" e "Morena de Itapuã", dois de seus sucessos, o público se emocionou, em uma noite que uniu Caymmi a um de seus amigos mais próximos, Jorge Amado. Caymmi, sem condições de falar, de tanta emoção para seus 92 anos muito bem vividos, agradeceu na voz igualmente grave de seu filho Danilo, o único a comparecer à premiação. "Minha jangada vai sair pro mar...", cantou Danilo, acompanhado pela platéia. Aos 92, Caymmi recebe Prêmio Jorge Amado Além dele, já foram contemplados nomes como Ariano Suassuna, Cleyde
Yáconis, Edino Krieger e Marika Gidali Muito emocionado, Caymmi cantou um trecho da música "Canção da Despedida", de sua autoria, que foi interpretada pelo filho Danilo. "Agora, sinto que fiz a minha parte, a Bahia é a minha vida, a minha história, as minhas músicas falam de uma Bahia que amo, de uma Bahia autêntica e diferente de todos os Estados", disse, ao desembarcar em Salvador. Dorival Caymmi recebeu o prêmio das mãos da escritora Zélia Gattai, viúva
de Jorge Amado. A noite de premiação começou com dois artistas baianos
interpretando trechos do livro "Navegação de Cabotagem", que Amado escreveu
quando completou 80 anos. Em seguida, foi exibido um vídeo com entrevistas
de Dorival Caymmi e passagens de sua vida, ao lado de Ary Barroso, Tom
Jobim, Carmen Miranda, Chico Buarque, Caetano Veloso, Vinicius de Moraes e
outros. Além de Caymmi, primeiro baiano a receber a distinção, já foram contemplados pelo prêmio, patrocinado pelo governo estadual, Ariano Suassuna (literatura), Cleyde Yáconis (teatro), Edino Krieger (música erudita) e Marika Gidali (dança). Em sua volta à Bahia, Dorival Caymmi, que também foi acompanhado pelos netos, almoçou com o governador Paulo Souto (PFL) e com o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL), no Palácio de Ondina.
|
|
||||