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O presente traçado com diamantes

11/06/2008

 
A designer Clementina Duarte lança hoje o livro com o qual comemora 40 anos de sua carreira, que inclui desenhos de modelos exclusivos para rainhas e primeiras-damas. São jóias que encantaram o mercado internacional

FABIANA MORAES

Jóias para serem usadas por uma rainha árabe ou uma garota vestindo um jeans e uma prosaica Hering. Dentro das oito mil peças criadas nos 40 anos de trabalho da designer Clementina Duarte, que lança hoje à noite o livro Clementina Duarte - A arte e o design da jóia moderna brasileira, há espaço para os mais diferentes desejos – e, porque não, bolsos. O universo reluzente da criadora pernambucana, classificada como uma das mais importantes criadoras de jóias da atualidade pela revista International jeweler, foi sistematizado no livro editado pela jornalista Cynthia Unninayar, responsável pela publicação e ainda pelo órgão The International Jewelry Quorum.

A artista, cansada das jóias padronizadas que eram vendidas lá pelos idos dos 60, resolveu ela mesma criar seus adornos. Estudava estética, história da arquitetura medieval e design na França. Um dia, um professor fez uma observação sobre um dos colares que Clementina usava e a aconselhou a trilhar o caminho do ouro e dos diamantes. Se conselho fosse pago, esse teria saído sem dúvida bem caro: a primeira coleção foi logo um sucesso, principalmente de crítica – e que crítica.

O estilista Pierre Cardin, celebradíssimo na França naquele período, também viu as criações de Clementina. Acabou criando uma coleção baseada nos colares de prata martelada com detalhes vazados. “Eram peças fortemente inspiradas no Brasil, no período moderno daquele momento”, diz a criadora, que havia morado na novíssima Brasília e levou as formas mais puras e retas para sua coleção.

Além de Cardin, outro costureiro, Hervé Léger, também se encantou com o traço saído da mão da jovem brasileira, que, por sua vez, se animou com a quebra do minimalismo inaugurada por Christian Lacroix. “Minha jóia tem um pouco daquele labirinto de retalhos de todos os tempos e de todas as épocas”, comenta.

A moda, como se vê, é um referencial para Clementina, mas não uma diretriz constante. Ela diz, por exemplo, que prefere representar o período em que vive, em vez de beber de tempos passados para criar (e alguém imagina boa parte da moda de hoje sem a palavra ‘retrô’?). Essa maneira de ver o passado com uma ótica de fato nova – e funcional – pode ser percebida em uma das linhas de trabalho da artista, as jóias recriadas. Nelas, Clementina transforma antigas (ou nem tanto) peças de família, empregando-lhes novos usos. Um colar pode ter parte de sua estrutura retirada e se transformar em um broche, por exemplo.

“Tenho bastante respeito pelas jóias do passado, mas sempre procurei me renovar”, continua a criadora, que não concorda, nem de longe, que apenas as mulheres mais velhas devam ser adeptas desses valiosos balagandãs. “Jóia começa a ser usada quando você nasce e ganha uma pulseira, um par de brincos. Presenteei a filha jovem de uma rainha com minhas peças e ela ficou encantada. Disse que sempre iria usar”, relembra. Mas atenção: para usar um dos mais copiados trabalhos da designer não é preciso ter sangue azul. O sinuoso colar de fio de tubos, tão popular hoje em dia, custa, em prata, R$ 180. De ouro, sai por R$ 800.

LIVRO – As jóias recriadas fazem parte de um dos capítulos do livro lançado hoje no Palácio do Campo das Princesas. Além delas, merecem espaço as jóias personalizadas, as jóias esculturais (peças que praticamente se vestem) e os primeiros trabalhos de Clementina. Todo esse trabalho poderá, em breve, ser visto no ateliê que a designer vai montar em Boa Viagem – outro espaço será aberto nos próximos meses em São Paulo. Algumas de suas mais representativas criações também estarão circulando hoje no Palácio no colo, orelhas e punhos de algumas de suas fãs-clientes. É uma forma especial de comemorar 40 anos de carreira de uma designer que segue com uma variadíssima produção, e que ainda não criou, segundo a mesma, a sua jóia mais valiosa e inestimável. “É sempre aquela que estou prestes a desenhar.”

(© JC Online)

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