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11/06/2008
Autor das esculturas presentes no imaginário de grande parte dos
pernambucanos ganha livro sobre suas sinuosas e esguias obras de arte Você pode até não ter ouvido falar no nome de José Corbiniano Lins, mas certamente já cruzou nas ruas do Recife com algumas de suas obras. O artista plástico está no imaginário de todo pernambucano que se preze, seja através das suas esculturas de mulheres metálicas ou de concreto que habitam ruas, praças e prédios da cidade, ou de imagens marcantes de figuras que dão vida a painéis, pinturas e peças em arame. A imponência visual de sua obra, infelizmente, não corresponde ao seu reconhecimento, à sua divulgação, uma vez que se fala muito pouco sobre ele. Com objetivo de quebrar esse silêncio, tem lançamento hoje, às 19h, na Livraria Cultura, o livro Corbiniano Lins, um olhar sobre sua arte, uma homenagem justa, inédita e tardia a um dos artistas mais importantes do Estado, que completa 82 anos este ano e pertence a uma geração de grandes como Abelardo da Hora e Francisco Brennand. Escultor, pintor e serigrafista, Corbiniano é mais conhecido, como seus contemporâneos, por suas esculturas, verdadeiras crônicas visuais de uma cultura, na qual são protagonistas vendedores, pescadores, trabalhadores e habitantes comuns, além de figuras femininas permeadas por uma sensualidade e uma leveza particular. “Suas estátuas carregam a delicadeza esquecida sob o asfalto das grandes cidades”, escreve Weydson Barros Leal, crítico de arte e autor do livro, numa das páginas da publicação, uma iniciativa da Publikimagem Comunicação. A idéia da empresa envolve uma série de publicações, que começou no ano passado com o lançamento do livro sobre Abelardo da Hora e tem como próximo projeto a obra de Tereza Costa Rêgo. “Pernambuco tem artistas de grande quilate, mas poucos tiveram o nome destacado, alguns nem são de conhecimento público. Nossa idéia é fazer um resgate desses nomes. Corbiniano, por exemplo, não tinha nenhum livro publicado sobre ele”, justifica Pablo Magalhães, produtor e idealizador do projeto, que contou com patrocínio e apoio do Funcultura, do Governo do Estado. “Este é o primeiro livro sobre Corbiniano. É um registro um conjunto abrangente da sua obra, seja dos desenhos, das serigrafias e principalmente das esculturas. Funciona como um documento. Eu já escrevi sobre Abelardo e Brennand, então fico em feliz em completar uma trilogia desses que formam a tríade dos principais escultores pernambucanos”, reforça Weydson, que procurou imprimir uma linguagem enxuta ao texto da publicação. A opção pela subtração das palavras, segundo ele, teve relação com o jeito introspectivo e silencioso do artista, recluso e muito fechado em seu mundo artístico. “Foi um trabalho de garimpagem mesmo. Cada palavra foi como uma pedra retirada. Por isso, usei a estética da frase curta, que reflete a forma como ele é, uma pessoa extremamente misteriosa, até”, conta o autor. VIAGEM ESCRITA E VISUAL – O livro é, portanto, uma síntese da importância da contribuição de Corbiniano Lins à arte e à cultura pernambucana, brasileira. Em 31 capítulos-relâmpagos, distribuídos ao longo de 136 páginas, o leitor pode fazer uma viagem escrita e visual pelas palavras de Weydson e pelas imagens do fotógrafo Hans Von Manteuffel, que retratam uma parcela deste artista natural de Olinda que costuma atuar recluso em seu ateliê no bairro da Iputinga. No catálogo biográfico e iconográfico, é possível fazer um passeio por imagens inconfundíveis e conhecer curiosidades sobre trabalho do escultor, como a sua técnica em fazer moldes de isopor para as estátuas, iniciada ainda no começo da década de 60. Apesar de não seguir uma ordem cronológica, a publicação pontua datas e momentos de Corbiniano, que começou a pintar em 1949 e participou pela primeira vez do salão oficial do Museu do Estado em 1950. “Ele é um artista importantíssimo, independente das influências, que como todos sabem, são várias. Ele tem uma linguagem própria, soube criar sua própria arte e retratar uma parte importantíssima da nossa cultura, de negras, africanas”, resume Weydson. Lançamento do livro Corbiniano Lins, um olhar sobre sua arte, hoje, às 19h, na Livraria Cultura – Paço Alfândega, Cais da Alfândega, s/n, Bairro do Recife. Valor do livro: R$ 50
(©
JC Online) Para a alma, a pele e os olhos À cama Márcio Almeida associa o tema da moradia e da ocupação nas
cidades, objeto de seu trabalho desde 2003. A questão urbana da habitação
está traduzida, nessa mostra, por um conjunto de três telas (dois dípticos
e um tríptico). As obras trazem em comum, além do limite tênue entre a
arte figurativa e abstrata, a insistência numa mesma palheta de cor
explorada pelo artista há sete anos, em que há a junção de ocre, branco e
grafite. Os espaços vazios e brancos da tela são preenchidos por ele com
elementos simbólicos e rabiscos propositais, nos quais emergem palavras
com importância estética, plástica para o artista e a figura do obelisco.
“Obeliscos geralmente representam a marcação de um lugar importante pelas
instituições numa cidade, mas muitas vezes os habitantes, os seres humanos
nem ficam sabendo o porquê disso. Então, eu procuro criar uma questão
simbólica mais individualizada com essa história da ocupação”, justifica
Márcio sua metáfora. Já Christina Machado, que divide a mesma sala com o amigo, vai fundo na
questão individual através de uma abordagem na sua essência, na alma que
“habita o espaço vazio de nossos corpos”. Estamos falando de sua nova
série, intitulada Feche o olho e veja a sua alma, que reúne três
objetos feitos com argila sobre papel e ferro (conjunto que dá nome à
mostra) e dois quadros que também carregam a beleza de materiais rústicos,
como tecido e argila. As peças são uma espécie, segundo ela, de estruturas
ósseas metálicas, a serem “preenchidas” pela alma do espectador, pela sua
relação quase tátil com as obras. O coração, um recorrente atual no
trabalho de Christina, é outro elemento que se soma a esse contexto
sentimental, visceral e ao mesmo tempo delicado. Fechando o triângulo de amizade, Rinaldo Silva leva à galeria quatro
telas em grande dimensão que atraem o olhar por um colorido pulsante e
inconfundível, diferente de Christina e Márcio, cujas obras são marcadas
pelos tons ocre e terracota. A sua série de pinturas chama-se Eva e o
confronto com a pedra, uma abordagem plástica no lado forte do
universo feminino. “Há sempre a mulher na situação de poder. E esse poder
se dá através do erotismo”, explica. O confronto de gêneros construído
pelo artista ganha vida através de recursos visuais carregados de
mensagens diretas, como um detalhe de uma figura feminina nua em destaque
na luz, ou um simples pé de mulher que dita a situação. Cama, pedra e alma, de hoje a 30 de agosto, na Galeria de Arte Segundo Jardim – Rua Solidônio Leite, 62, Boa Viagem. Entrada franca. Informações: 3326-5610
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