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Zefirina não nega origens

11/06/2008

 

Banda paraibana Zefirina Bomba lança CD no qual aplica referências regionais a punk e HC

MARCOS TOLEDO

Atração do projeto MTV na estrada – Banda antes, que passou em julho pelo Recife e Garanhuns, o grupo paraibano Zefirina Bomba lança agora oficialmente seu primeiro álbum, Noisecoregroovecocoenvenenado. O disco, com 15 faixas, chega ao mercado pelo selo Trama Virtual, da gravadora Trama.

Radicada em São Paulo há dois anos, a banda fez um disco de rock típico de sua geração, influenciado principalmente por punk e hardcore. Porém, não nega suas origens nordestinas e faz referências à cultura de sua região natal.

A Zefirina Bomba surgiu em 2003, ano no qual gravou seu primeiro demo, disponibilizado no site Trama Virtual. Em um show do grupo no festival Mada, no Rio Grande do Norte, o produtor Carlos Eduardo Miranda se interessou pelo som do grupo.

A banda veio para o Recife com Miranda e gravou um CD no estúdio Fábrica. “Na época, pensei: ‘O cara que produziu o primeiro disco dos Raimundos e o Mundo Livre S.A. interessado na gente? Esse mundo é muito louco’”, lembra Ilsom. O trabalho, contudo, não foi lançado. Logo depois, o grupo assinou com a Trama e registrou um novo set, dessa vez no próprio estúdio da gravadora.

Produzido pelo próprio Ilsom, o álbum contém as seis canções do demo e uma seleção das mais conhecidas do público paulista. “A gente fez um contrato bem pé no chão. Não queria investimento de nada, mas autonomia para fazer tudo”, conta o band-leader, que forma a banda ao lado do baterista Guga e do baixista Martim.

Apesar de fazer um som bem atual, a inspiração da Zefirina Bomba é vintage. As influências musicais – Nirvana (a mais óbvia), Dick Dale, Devotos e Mundo Livre S/A – são o de menos. A busca estética por algo de bom já feito no passado está mais na sonoridade – todo o álbum foi mixado e masterizado em rolo e depois convertido para digital – e no design da capa e do encarte, que remete aos velhos discos de rock.

Ilsom tenta explicar que o som da Zefirina é uma mistura de diversas experiências de seus integrantes. Ele mesmo conta que assistiu Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, aos 7 anos de idade, brigou com a mãe para entrar em casa com seu primeiro disco, Highway to hell, do AC/DC, aos 14 ou 15, Chico Science lhe “abriu a cabeça”, e mais ou menos na mesma época, disse à mãe que ia passar um fim de semana na Praia de Jacumã, em João Pessoa, vendeu um gravador e comprou uma passagem de ônibus para o Rio de Janeiro, onde dormiu na rua para poder assistir a um show do Nirvana.

A referência ao regional é evidente apenas na última faixa, Enquanto Otacílio Batista explicava..., homenagem a um poeta conterrâneo na qual, na introdução, Ilsom despluga sua viola Del Vecchio (com cordas de violão e de viola) e capta o som via microfone, ressaltando a sonoridade semelhante à dos violeiros populares. Em Sobre a cabeça, contudo, há uma citação ao poeta João Cabral de Melo Neto. “Se tocar Dia inteiro com pandeiro, a letra sai”, garante o vocalista. “A gente não precisa levantar um estandarte de cultura popular. É só uma banda de rock que traz essas coisas. Isso não está explícito, mas está dentro do universo da banda”.

(© JC Online)

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