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10/06/2008
A escritora Lucila Nogueira tinha como projeto escrever uma série de poemas sobre castidade. Essa sua idéia, no entanto, foi arquivada por um projeto, digamos, ideologicamente oposto: Uma coletânea com seus principais textos eróticos. O livro Poesia em Medellín foi lançado em junho passado, marcando a participação da autora no Festival Internacional de Poesia de Medellín. A obra tem sua primeira noite de autógrafos no Brasil hoje, às 18h, na Livraria Cultura, dentro da programação do Festival Recifense de Literatura. O livro traz um apanhado da poesia de Lucila em edição bilíngüe, com os versos traduzidos para o espanhol pelo tradutor Elkin Obregón. A autora concentrou a maioria dos textos da coletânea em poemas retirados dos seus livros mais recentes, Desespero blue e Refletismo. O erotismo descrito por Lucila Nogueira é construído a partir de imagens retiradas do cinema (“Eu vi a matadora/ na arena de Almodóvar/ cair sob o touro/ vermelha no areal/ tinha medo de cobras/ a toureira ferida/ ela era uma persona/ de sua vida real) e de um imaginário que beira o surrealismo (O teu olhar tem o mesmo brilho de um atirador de facas/ enquanto giro na roda sobre mim mesma/ dramaticamente presa nas cordas/ ao som de Tchaicovski na Abertura 1812). De acordo com a autora, Poesia em Medellín é uma espécie de interlúdio em sua carreira, enquanto o livro sobre castidade não ganha a forma final. Ainda hoje durante o Festival Recifense de Literatura, a partir das 14h40, o auditório da Livraria Cultura recebe debates que irão pensar a questão latino-americana. O tema Utopias na ficção latino-americana é debatido pelo professor do Departamento de Letras da UFPE Alfredo Cordiviola. Às 16h40, é a vez de Walter Mignolo pensar o épico no livro Latinamérica, de Marcus Accioly. Às 18h20, a professora do Departamento de Comunicação da UFPE, Angela Prhyston discute com o jornalista Xico Sá sobre hegemonia e cultura na periferia. A partir das 19h, o auditório da Cultura recebe ainda um grupo de autores que irão recitar tanto poemas quanto textos de ficção. Foram convocados nomes como Ronaldo Correia de Brito, Luzilá Gonçalves, Lula Arraes, Xico Sá, Selma Vasconcelos, Vital Correia de Araújo e Eduardo Diógenes. Dentro das comemorações do Centenário do Frevo, o Festival realiza o painel Há poesia no frevo?, das 8h40 às 10h, no teatro Hermilo Borba Filho. Participam do debate o secretário de Cultura da Prefeitura do Recife, João Roberto Peixe, o compositor Getúlio Cavalcanti e o pesquisador Carlos Sandroni, sob a coordenação da historiadora e diretora da Casa do Carnaval, Carmen Lélis. O objetivo é discutir e analisar o lirismo presente nas composições, com muitas referências a temas nostálgicos como a distância da terra-natal, a saudade do passado ou dos amores perdidos.
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