Notícias
Paulo Freire visto de dentro de casa

10/06/2008

O educador pernambucano Paulo Freire

Companheira nos últimos dez anos de vida do educador, Ana Maria Freire lança biografia sobre o criador da Pedagogia do oprimido

ALAN LUNA

O pedagogo Paulo Freire é a maior referência nacional em termos de educação. Espécie de filósofo da área, desenvolveu um método próprio, correspondente ao que, na filosofia, batizou-se de sistema. Seu Método Paulo Freire foi aplicado em países de quatro continentes, em sua bibliografia, consta pelo menos uma obra canônica, A pedagogia do oprimido. Além disso, foi indicado ao Prêmio Nobel e tornou-se ícone da esquerda latino-americana.

Passagens como essa já justificariam, por si só, uma biografia do educador, morto em 1997 aos 76 anos e mais reconhecido no estrangeiro que em seu País. Uma parte dessa lacuna será preenchida hoje, com o lançamento de Paulo Freire – Uma história de vida (Ed. Villa das Letras, 656 Págs), da escritora Ana Maria de Araújo Freire, mais conhecida como Nita. O evento acontece a partir das 9h, no Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco.

A biógrafa foi casada com o biografado, compartilhando com ele os últimos 10 anos de vida. Isso explica o intervalo entre o desaparecimento do autor e o surgimento da obra: “A morte de Paulo foi muito dolorosa. Então, foi difícil escrever o livro, porque, antes, eu tive de reunir as condições intelectuais e afetivas, que para mim são indissociáveis”, avisa. Aí está a chave para entender o enfoque da obra. Assumidamente confessional, a biografia ganha ares de memórias sentimentais, “sem os a prioris preconceituosos dos intelectualismos da neutralidade científica positivista”, como teoriza a autora.

E se a obra de Freire é marcada “por uma coerência entre o que fazia, escrevia, vivia e sentia”, como afirma Nita, o processo de produção do livro não foi diferente. Ana Maria conta que uma de suas obsessões foi “manter a coerência lógica, histórica e afetiva”.

“RECIFENSIDADE” – Entre os aspectos abordados no livro, chama a atenção o enfoque para os “anos de formação” aqui em Pernambuco. Nascido no Recife, Freire viveu como classe média até a adolescência, quando um revés financeiro levou a família à falência. A partir de então, teve um contato muito próximo com a miséria e conheceu de perto a cultura do “sabe com quem está falando?”.

Para Ana Maria, seria impossível o florescimento das teses sem essa vivência. “Paulo nunca perdeu a ‘recifensidade’. Se ele tivesse nascido na Alemanha ou na Inglaterra, certamente não teria escrito o que escreveu. Sua obra está impregnada do Recife, de mangue, é por isso que eu fiz questão de lançar o livro também aqui.” O primeiro lançamento ocorreu dia 1º de agosto, em São Paulo. Sobre o Recife, outra curiosidade: Foi na cidade que a autora conheceu o futuro marido e biografado. Ela tinha apenas três anos e o professor Paulo Freire já lecionava no Colégio Oswaldo Cruz, propriedade de Aloísio Pessoa de Araújo – pai de Nita.

Paulo Freire – uma história de vida, de Ana Maria de Araújo Freire. Lançamento hoje, a partir das 9h, no Auditório do Centro de Educação da UFPE.

(© JC Online)

Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)


powered by FreeFind


Google
Web Nordesteweb